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Corpo do antigo presidente cipriota Papadopoulos levado por desconhecidos

11.12.2009 [Por PÚBLICO] — Desconhecidos levaram durante a noite o cadáver do antigo Presidente cipriota Tassos Papadopoulos, que em 2004 colocara o país na União Europeia e se opusera à unificação de toda a ilha, que permanece dividida entre uma maioria de língua grega e uma minoria que fala turco.  A televisão estatal interrompeu hoje os seus programas para fazer transmissões ao vivo do local onde estava instalado o túmulo presidencial. O caso provocou reações horrorizadas da população. Um elemento da guarda do antigo Chefe de Estado descobriu o sacrilégio quando pelas 08h00, hora local, foi lá para acender uma vela, como fazia todas as manhãs. Ao saberem do que se se passava, os parentes deslocaram-se ao cemitério de Deftera, junto à capital da ilha dividida, Nicósia. A polícia isolou o local, tendo entretanto chegado à conclusão de que a escavação do túmulo e a abertura da urna fora uma manobra muito bem planejada, uma vez que os autores da proeza tiveram muito cuidado em não deixar pistas. Calcula-se que tenham sido necessárias três ou quatro pessoas para erguer a enorme pedra tumular e depois retirar do caixão os restos mortais do ex-Presidente Papadopoulos, horas antes do serviço fúnebre que ia assinalar o primeiro aniversário da sua morte.

Apesar de tudo, a família decidiu manter a Divina Liturgia na igreja de São Nicolau, na localidade de Deftera em sua memória, ao mesmo tempo que distribuía um comunicado informando que “a sua voz continuará a ser ouvida, esteja ele onde estiver”. Tassos Papadopoulos foi Presidente da República de Chipre (circunscrita à comunidade de língua grega) de 2003 a 2008 e levou os seus concidadãos de cultura helênica a rejeitarem um plano das Nações Unidas para que toda a ilha fosse reunificada. Em Fevereiro do ano passado acabaria por ser derrotado nas urnas pelo atual Presidente, Demetris Christofias, do partido comunista AKEL, que relançou as conversações com os cipriotas turcos para que um dia toda a ilha volte a ser um só Estado, tal como o era no início da década de 1970, antes de a parte setentrional ter sido invadida pelo Exército turco. O líder do partido de centro-direita DIKO, de Papadopoulos, Marios Garoyan, condenou este “crime terrível e hediondo” de se arrancar um cadáver do seu sepulcro; e o próprio Christophias falou de “choque e aversão”. Quanto ao líder da Igreja Ortodoxa local, o arcebispo Chrysostomos II, falou de “um ato de vandalismo contra um grande líder”, falecido aos 74 anos, devido a um cancro de pulmão. Na juventude, Papadopoulos pertencera à ala política da guerrilha EOKA, que combateu a administração colonial britânica e preferia que Chipre se unisse à Grécia, como já o tinham feito Creta e outras ilhas.

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