Em entrevista à Agência de Notícias ARXON, da Grécia, Metropolita de Mani, Arcebispo Dom Crisóstomo, fala sobre a posição do Bispo na hierarquia da Igreja, a Sucessão Apostólica, as suas vestes, o seu lugar na Liturgia e sua relação com o Santo Sínodo.
A origem do axioma Episcopal está na própria pessoa do Cristo, em seu tríplice múnus: profético, sacerdotal e régio. Mais especificamente, o sacerdotal significa que Cristo, ao se oferecer em sacrifício pela humanidade, se tornou o Grande e Único Sumo Sacerdote. O múnus sacerdotal de Cristo é particularmente destacado na Epístola aos Hebreus, onde o Senhor é mencionado como “o grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus,” (Hb 4,14). E Clemente de Roma (século II) chama Cristo de “Sumo Sacerdote de nossas ofertas, protetor e auxiliador de nossas enfermidades” (VEPES 1:27).
Cristo, tendo-se oferecido em sacrifício pela humanidade, foi proclamado por Deus Pai como “Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 5,10), “que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem” (Hb 8,1-3). É extremamente característico que Nosso Senhor Jesus Cristo seja chamado de Bispo pelo Apóstolo Pedro: “Pois andávamos desgarrados como ovelhas. Mas agora, voltai-vos ao Pastor e Bispo de vossas almas” (1 Pedro 2:25). E Ele, o Cristo, o Grande e Sumo Sacerdote, confiou aos Seus discípulos e Apóstolos o Sacramento do sacerdócio, enviando sobre eles o Espírito Santo. Os Apóstolos, por sua vez, transmitiram esse dom aos seus sucessores, os Bispos, por meio da sucessão apostólica. E estes, através da ordenação, conferem a missão aos seus sagrados ministros, o clero. Assim, o episcopado é o mais alto ministério divino, um serviço sagrado e sublime na Igreja, pois é o próprio Paráclito, o Espírito Santo, quem concede e comunica a graça. Sua origem é divina e foi instituída pelos Santos Apóstolos.” O Ἀρχιερεύς, ou seja, o Sumo Sacerdote é chamado, na terminologia eclesiástica, de Bispo, o que significa que ele tem a supervisão sobre a plenitude da Igreja. Ele supervisiona, vela e guarda, observa e governa tudo o que acontece na Igreja.
Como aprendemos nos Santos Evangelhos, Cristo chamou doze discípulos para o bom cumprimento da obra salvífica de Sua Igreja e lhes atribuiu, depois de receber o Paráclito, a tarefa de “pregar o Reino de Deus” (Lc. 9, 2). Os Bispos, como já enfatizamos, são os sucessores dos Apóstolos. O Apóstolo Paulo enfatiza aos presbíteror de Éfeso: “cuidai de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, a qual adquiriu com seu próprio sangue” (At 20:28).
Também, o Arcebispo Simeão de Tessalônica, afirma que o Bispo “ilustra nosso Salvador Jesus Cristo, porque o Bispo é o sucessor dos Apóstolos; é a cabeça visível do corpo da Igreja local, onde se experimenta a plenitude do Mistério da Igreja.
Observamos que, durante o primeiro século, surgiu uma confusão na terminologia entre epíscopos e presbíteros. Nos Atos dos Apóstolos, está escrito que os apóstolos Paulo e Barnabé ordenaram novos “presbíteros para a igreja” (At 14,23) para as novas comunidades de Listra, Icônio e Antioquia, sem mencionar a palavra bispo. No entanto, a Epístola aos Filipenses do Apóstolo Paulo é dirigida “a todos os santos em Cristo Jesus (ou seja, a todos os membros da Igreja), juntamente com os seus bispos e diáconos” (Fl 1,1), sem mencionar, desta vez, os presbíteros. Mais tarde, o Bispo passou a ter uma distinção mais definida em relação ao presbítero.
Assim, foram estabelecidos os três graus do sacerdócio: o do Bispo, o do Presbítero e o do Diácono. Em particular, o Bispo ocupa uma posição central na Igreja. São Inácio, o Teóforo (séc. II), chama o Bispo de “imagem do Pai” (Carta aos Tralianos, III, EPE 4, 104) e acrescenta: “Que ninguém realize algo pertencente à Igreja sem o Bispo. Considerem válida apenas a Eucaristia celebrada sob o Bispo ou por quem ele autorizar. Onde quer que o Bispo esteja, ali deve estar a comunidade, assim como onde está Cristo, toda a hoste celestial está presente. Não é permitido, sem o Bispo, batizar, oferecer o sacrifício, celebrar a Eucaristia ou ofícios litúrgicos; mas tudo deve ser feito conforme a sua aprovação, para que tudo o que for feito seja seguro e legítimo diante de Deus” (Carta aos Esmirniotas, 8, EPE 4, 254).
Os Bispos, portanto, aparecem na Igreja desde os tempos apostólicos como os de mais alta posição na hierarquia eclesiástica. A distinção entre Bispos, Presbíteros e, naturalmente, Diáconos é evidente desde a própria fundação da Igreja. Assim, as funções e deveres do Bispo são diferentes das dos outros dois graus, o Presbítero e o Diácono.
Trata-se de um momento marcante, sagrado e histórico. É um grande Mistério. O Espírito Santo desce sobre o eleito e o torna Sumo Sacerdote de Cristo. O Bispo eleito, depois de proferir a Pequena Mensagem diante do Santo Sínodo (uma cerimônia em que o eleito toma conhecimento de sua eleição e declara sua aceitação), que o escolheu por meio de uma votação secreta (na qual votam apenas os Bispos), e também após proferir a Grande Mensagem, segue a rito para o mistério da ordenação episcopal da seguinte forma:
No dia em que será ordenado, em uma sagrada igreja designada, após a conclusão da Doxologia, os Bispos saem, e o de maior grau na hierarquia, geralmente o Arcebispo, posiciona-se no centro da Igreja. Então, os diáconos, após receberem a bênção, conduzem o eleito para fora do Santo Altar. Ele deve estar paramentado apenas com a estola (epitrachilion) e a felônio e carrega nas mãos o Santo Evangelho. Ao sair, ele se posiciona sobre um tapete colocado em frente à Porta Real, com a imagem de uma águia, simbolizando sua elevada da teologia. Em seguida, ele abre o Evangelho e lê a chamada Profissão de Fé. Esse texto começa com a frase: “Eu, (N), eleito pela misericórdia de Deus como bispo da santíssima Diocese de (N), escrevo com minha própria mão…”
Em seguida, ele pronuncia o Σύμβολο τῆς Πίστεως (ou seja, o”Credo”) e, então, proclama e confessa as seguintes palavras de suma importância: “Por isso, reconheço e aceito os sete santos Concílios Ecumênicos e os Concílios Locais, que acolheram e ratificaram a fé, reunindo-se para salvaguardar os dogmas da Igreja Ortodoxa. Confesso que todos aqueles Bem-aventurados, guiados pela graça iluminadora do Espírito Santo, estabeleceram os termos da fé correta e os sagrados cânones. Estes, para o esplendor da Santa Igreja de Cristo e a ordem dos ritos, conforme as tradições apostólicas e a compreensão do ensinamento divino do Evangelho, foram compilados e transmitidos à Igreja. Eu os acolho e, de acordo com eles, comprometo-me a cuidar do ministério que me foi confiado pela vontade divina, aplicando-os na minha missão, ensinando todo o Santo Clero e os fiéis sob minha responsabilidade pastoral.”
Declara expressamente que ele deve manter a unidade da fé no vínculo da paz, afirmando: “Tudo o que a Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja proclama, também proclamo e creio, sem adicionar, retirar ou modificar nada dos dogmas ou das Tradições. Contudo, ensino e prego estas verdades com temor a Deus e consciência reta. Da mesma forma, rejeito e condeno tudo o que ela reprova e desaprova como herético, distanciando-me para sempre dessas doutrinas.”
Estou convencido de que sempre reconhecerei os Concílios Eclesiásticos e o Santo Sínodo como a mais alta autoridade da Igreja, respeitando e observando os privilégios que lhe foram concedidos para a edificação e preservação da Igreja Ortodoxa entre nós. Empenharei todos os meus esforços, sempre que necessário, para a salvação dos fiéis, buscando corrigir, quando necessário, para a glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo, a Santíssima e Indivisível Trindade, o único Deus verdadeiro.”
Estas palavras são extremamente solenes e sagradas, impactando profundamente a pessoa ordenada, que deve sempre tê-las em mente e preservá-las em seu ministério sacerdotal, servindo como guia para sua missão e deveres.
Ao final da recitação da Profissão, ele declara: “(N), pela graça de Deus eleito Bispo da Santíssima Diocese de (N), submeto-me às vossas mãos.” Em seguida, o Hierarca que o sagrará, o abençoa, pronunciando: “A graça do Espírito Santo vivificante, por meio da nossa humildade, te prepara para a ordenação.” Seguem-se então os ósculos da paz entre o eleito e os bispos consagrantes, simbolizando a comunhão eclesiástica, acompanhados de uma nova bênção: “A graça do Espírito Santo vivificante esteja contigo, agora e sempre, e pelos séculos dos séculos.”
Após a conclusão do hino Trisagion, a ordenação ocorre conforme a ordem eclesiástica. Neste momento, é fundamental ressaltar que, conforme o 1º Cânon Apostólico, a presença de dois ou três bispos é indispensável para a ordenação. De fato, os “Decretos Apostólicos” determinam: “Decretamos que um Bispo seja sagrado por três Bispos, ou pelo menos por dois… Pois o testemunho de dois ou três é mais certo e seguro.”
O Hierarca, possuindo plena dignidade sacerdotal, ajoelha-se diante da Mesa Sagrada com ambos os joelhos, colocando as mãos sobre ela e apoiando sua testa sobre as mãos. O Hierarca oficiante coloca o omóforio e o Santo Evangelho aberto sobre a cabeça do ordenando. Isso simboliza que este sacramento tem Cristo como cabeça, sendo Ele também a cabeça da Igreja. Como ensina São Simeão de Tessalônica: “O Evangelho é colocado sobre sua cabeça para que compreenda todas as coisas de Cristo e, tanto quanto possível, tenha conhecimento Dele. Isso significa que deve ordenar sua mente, palavras e sentidos de acordo com Deus, submetendo-se ao jugo leve de Cristo e agindo não conforme sua própria vontade, mas conforme a da Igreja, que agora se torna sua guia e mestra através do Evangelho.” Neste momento, os demais Hierarcas co-consagrantes unem-se ao primeiro, confirmando a sucessão apostólica.
O ápice e momento mais sagrado da ordenação ocorre quando são pronunciadas as palavras: “Pelo voto e aprovação dos mais santos Metropolitas que compõem o Santo Sínodo da Hierarquia da Igreja, a Divina Graça, que sempre cura os enfermos e preenche as deficiências, prepara o eleito (N) para ser Bispo da Cidade Salvadora de Deus (N); portanto, rezemos por ele, para que a graça do Espírito Santo desça sobre ele.”
Duas orações são então recitadas: uma pela irrepreensibilidade do sacerdócio hierárquico e outra para que o novo bispo imite o verdadeiro Pastor, Cristo. O Hierarca que preside a ordenação reveste o ordenado com os paramentos episcopais, proclamando solenemente “Axios!” (Digno!). Em seguida, entrega-lhe o báculo pastoral, pronunciando palavras de grande significado: “Recebe o cajado, para que possas apascentar o rebanho de Cristo que te foi confiado. Para aqueles que obedecem, seja vara e apoio; para os desobedientes e rebeldes, que tu os disciplines e corrijas.”
A palavra ἐπιστυπτική provém do verbo ἐπιστύφω e designa uma vara de controle e restrição (Liddell – Scott, Dicionário da Língua Grega, vol. 3, p. 383). Este rito solene carrega um profundo significado eclesiológico, sendo de suma importância para a estrutura e continuidade da Igreja.
A Divina Liturgia continua.
O Sumo Sacerdote, durante a celebração da Divina Liturgia, além das vestimentas próprias dos presbíteros, é revestido com o Σάκκοs e o Omofório. Ele também usa o Ἐγκόλπιο (medalhão), que simboliza o amor profundo e sincero pelo seu rebanho, bem como a cruz peitoral, emblema do sacrifício. Além disso, é colocada uma mitra sobre a cabeça e dado o cajado pastoral, representando sua autoridade e responsabilidade espiritual.
A vestimenta mais significativa do Sumo Sacerdote, que merece especial destaque, é o Omofório. Este simboliza, por um lado, a encarnação e a personificação do Filho e Verbo de Deus na Virgem Maria e, por outro, a salvação das ovelhas perdidas pelo Salvador Cristo, ou seja, da humanidade. Essa simbologia é reforçada pelas palavras proferidas no momento em que é vestido: “Sobre teus ombros, ó Cristo, carregaste a natureza da ovelha que se extraviou, e a trouxeste a Deus e ao Pai” (Ode 7 da Festa da Ascensão do Senhor).
Mas também nas demais vestimentas hierárquicas encontram-se frases características com significados especiais. Ao vestir o Σάκκοs, proclama-se: “Os teus sumos sacerdotes, Senhor, estão vestidos de justiça, e os teus santos exultam de alegria” (Sl 132,9). Quando lhe é entregue o Ἐγκόλπιο, recita-se: “Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito reto” (Sl 50,12). Ao receber a Mitra, ouve-se: “Tu puseste sobre sua cabeça uma coroa de pedras preciosas, vida que te agrada, e lhe deste longura de dias para todo o sempre” (Sl 20,4-5). Quando lhe é entregue o Báculo, é pronunciado: “O Senhor enviará de Sião o cetro do seu poder, dizendo: Domina entre os teus adversários.” (Sl 109,2).
Além disso, o Hierarca pode portar a Μανδύα (manto), especialmente durante os ofícios litúrgicos da manhã e da noite, simbolizando o poder protetor e a cobertura divina. Em consequência de tudo o que foi mencionado, a consciência de sua missão sagrada como ministério para a Igreja torna-se o dever primordial do Hierarca.
O Bispo preside a assembleia eucarística e expressa a plenitude da Igreja local. Assim, em particular, o ofício do Sumo Sacerdócio se manifesta no culto da Igreja pela posição em que ele se encontra, seus movimentos litúrgicos, bem como pela leitura das orações, pelos pronunciamentos e pela bênção que ele concede aos sacerdotes, aos diáconos e ao povo.
Em particular, o Bispo, ao entrar no santo templo abençoa o povo, ou seja, Ele deseja paz e então ascende ao trono episcopal. Isso acontece porque sem paz não podemos fazer nada no Templo. O “Εἰς πολλά ἔτη, Δέσποτα»” (Por muitos anos, Soberano), cantado não é um elogio ao Bispo. É um ato ritual. Na prática milenar da Igreja, o cântico “Εἰς πολλά ἔτη, Δέσποτα sempre foi entoado em grego, como também se cantam em grego o “Τόν Δεσπότην καί Ἀρχιερέα” e o “Ἄξιος” durante as ordenações.
O cântico “Εἰς πολλά ἔτη, Δέσποτα” representa, ao mesmo tempo, um sinal da grandiosidade da liturgia do Deus Altíssimo e da posição do episcopado dentro da Igreja, sendo o episcopado a ordem suprema acima de todas as demais ordens eclesiásticas. Assim, em cada Divina Liturgia, a presença viva do Bispo está e deve estar sempre manifestada.
É por isso que o nome do Bispo local é lembrado. É característico que, quando o sacerdote proclama em voz alta: “Em primeiro lugar, lembra-te, ó Senhor, do nosso Arcebispo…”, e em seguida diz: “e concedeste às tuas santas Igrejas”, ele não está se referindo apenas à diocese que o seu Bispo pastoreia, mas sim a “às tuas santas Igrejas”, o que significa que o Bispo é o Sumo Sacerdote de toda a Igreja. Ele é mencionado em relação a toda a Igreja, pois a Igreja é “Una, Santa, Católica e Apostólica”.
No início da Divina Liturgia, o Hierarca se posiciona no Trono Episcopal e concede sua bênção para o sacerdote rezar as Litanias, bem como à Synaptis do diácono. Em seguida, durante a Pequena Entrada, ele desce do Trono no momento em que o Apolytikion é entoado e fica de frente às Portas Reais.
Após o “Σοφία Ὀρθοί”, entoa-se o correspondente “Εἰσοδικόν”, e o Arcebispo entra no Santuário, após ter abençoado o povo com o Dikerotrikera, símbolo de Cristo, que ao ascender aos Céus, ergueu as mãos e abençoou seus discípulos.
A entrada do bispo no Santuário simboliza sua entrada nos Céus, onde os santos anjos incessantemente louvam e glorificam a Deus. Por isso, logo após, inicia-se o Hino Triságio: “Ἅγιος ὁ Θεός, Ἅγιος Ἰσχυρός, Ἅγιος Ἀθάνατος”. A aclamação “Ἅγιος” provém dos Serafins, que o profeta Isaías contemplou, enquanto “Ἰσχυρός” e “Ἀθάνατος” são extraídos dos salmos do Rei Davi.
Nesse momento, o bispo segura o Dikeri sobre o Santo Evangelho, simbolizando as duas naturezas de Cristo. Em seguida, ele empunha o Trikeri, representando a Santíssima Trindade. Por fim, ele sai pelas portas do Santuário e abençoa o povo, transmitindo os dons divinos da Santíssima Trindade, proclamando: “Κύριε, Κύριε, ἐπίβλεψον ἐξ οὐρανοῦ…”. “Senhor, Senhor, olha do céu…”.
Depois, o bispo entra no Santuário e se dirige ao Trono Litúrgico (atrás do Altar), onde apenas ele pode se sentar. Esse gesto simboliza as palavras: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Senta-te à minha direita” (Mt 22,44), bem como o fato de que, por meio de Cristo, “temos acesso ao Pai, e por isso o Pai O exaltou e O fez sentar à Sua direita nos céus, acima de todo principado, potestade, poder e dominação” (Ef 1,20-21).
Quando se canta a aclamação ao bispo, se ele estiver em sua própria diocese, ele segura o báculo pastoral e a cruz de bênção. Durante a proclamação do Santo Evangelho, o Arcebispo não usa o Omofório, pois nesse momento quem fala é o próprio Cristo, o Bom Pastor, que encontrou e salvou a ovelha perdida — a humanidade — e a entregou a Deus Pai.
A seguir, tem início a parte Sacrificial da Divina Liturgia, o sacrifício incruento do Cordeiro de Deus, relembrando a Paixão, o Gólgota, a Cruz e a Ressurreição. Em sinal de gratidão pelo imenso dom do sacrifício do Filho Unigênito de Deus pela humanidade, o Arcebispo recita o Salmo 50 (“Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua grande misericórdia…”) até “Faze o bem, ó Senhor, a Sião…”, Após a incensação, e de lavar suas mãos, o Bispo prepara os Dons Preciosos no Altar da Proscomídia.
Como o Arcebispo é imagem de Cristo, ele não entra no Santuário carregando os Dons, mas entrega o Discarion e o Cálice Sagrado ao Diácono e ao Sacerdote, que nesse momento simbolizam José de Arimateia e Nicodemos. O Aër (grande véu) representa o Sudário, enquanto os dois outros véus litúrgicos simbolizam as faixas funerárias do Santo Sepulcro. O Turíbulo, por sua vez, evoca a mirra e o aloés, com os quais o Corpo de Cristo foi ungido.
Uma característica marcante da Liturgia episcopal ocorre durante o canto do Credo. Nesse momento, os sacerdotes erguem o Aër (Grande véu) e o agitam sobre o Santo Altar e o Antimension, enquanto o bispo se inclina profundamente, expressando assim que ele se une à morte de Cristo para com Ele ressuscitar, conforme a proclamação: “E ao terceiro dia ressuscitou…”
À medida que a Divina Liturgia prossegue, o bispo permanece diante do Santo Altar, portando o pequeno Omofório com profunda reverência e temor de Deus. Como mencionamos anteriormente, ele simboliza sempre Cristo. Vale a pena conhecer e compreender todos esses significados
Em primeiro lugar, devemos recorrer à Sagrada Escritura para entender o que o Apóstolo Paulo escreve sobre o Bispo. Em poucas palavras, o santo Apóstolo resume tudo com clareza. Ele escreve em sua epístola ao seu discípulo Timóteo: “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, sóbrio, prudente, digno, hospitaleiro, apto para ensinar, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de lucros desonestos, mas sim benigno, pacífico, desprendido do amor ao dinheiro…” (1Tm 3,2-3). E continua mencionando outras qualidades. Por isso, mais adiante na mesma epístola, o Apóstolo aconselha Timóteo, dizendo-lhe: “A ninguém imponhas as mãos precipitadamente, nem participes dos pecados alheios; conserva-te puro” (1Tm 5,22). Ou seja, ele o adverte a não se apressar em ordenar alguém sem antes realizar um exame cuidadoso do candidato ao clero. Pois quando um Bispo ordena sem discernimento aqueles que não são dignos, torna-se cúmplice de seus pecados e terá de prestar contas diante de Deus. Por fim, ele conclui com a exortação: “Conserva-te puro”, ou seja, mantém tua vida livre tanto dos teus próprios pecados quanto dos pecados dos outros.
Em segundo lugar, os Padres da Igreja também falaram e escreveram sobre o episcopado. Vejamos algumas de suas reflexões.
Santo Isidoro de Pelúsio (séc. IV), que, aliás, fortaleceu o povo contra várias heresias por meio de inúmeras epístolas — cerca de 2.200 —, como Pai e Doutor da Igreja, escreve de maneira muito característica: “O episcopado é um trabalho árduo, não um descanso; uma preocupação, não um prazer; um ministério de grande responsabilidade, não um poder sem controle; uma paternidade que zela, não uma autonomia tirânica… Quem deseja ser bispo deve considerar os fardos e avaliar se poderá suportá-los. Deve ponderar os perigos e não pensar apenas na honra. Pois aquele que se apropria apenas da dignidade, negligenciando todas as outras obrigações do ofício episcopal, nesta vida será alvo de inúmeras acusações, podendo até ser deposto do cargo, e na outra vida permanecerá sem defesa diante do Juiz imparcial naquele tribunal temível…”
(Isidoro de Pelúsio, Epístolas 3, 216 PG 78, 900A-901).
São Basílio Magno afirma: “Que o Bispo não se orgulhe da grandeza do lugar em que serve, mas, pelo contrário, seja ele quem engrandeça esse lugar. Pois a marca de um grande homem não é apenas se contentar com grandes realizações, mas também fazer com que até as menores coisas se tornem grandiosas pela sua capacidade e virtude” (Epístola 98 a Eusébio, Bispo de Samosata, PG 32, 497).
São Gregório, o Teólogo, ao falar sobre São Basílio Magno, escreve: “Foi elevado ao trono episcopal sem roubar a autoridade, sem tomá-la à força. Não buscou a honra, mas a honra o buscou. Não se tornou bispo graças ao favor e apoio dos homens, mas recebeu a graça diretamente de Deus” (Gregório, o Teólogo, Discurso Fúnebre a São Basílio Magno, PG 36, 533).
São Gregório, o Teólogo, encerra seu magnífico discurso com um elogio sublime ao São Basílio Magno, destacando a grandeza de sua personalidade, servindo também como exemplo para todos os Bispos: “Venham todos que pertencem ao seu rebanho: aqueles do alto e os da terra, os de dentro e os de fora; venham se unir a mim no louvor! Que cada um proclame as virtudes dele conforme sua própria experiência. Os que estão nos tronos episcopais, louvem-no como legislador; Os cidadãos, como ordenador da cidade; O povo, como guardião da disciplina; Os mestres, como educador; As virgens, como condutor ao Noivo Celestial; As mulheres casadas, como modelo de prudência; Os ascetas do deserto, como sustentador; Os que vivem no mundo, como juiz justo; Os simples, como orientador; Os teólogos, como grande mestre da doutrina; Os alegres, como moderação; Os aflitos, como consolação; Os idosos, como bastão de apoio; Os jovens, como pedagogo; Os pobres, como provedor; Os ricos, como administrador responsável. Creio também que as viúvas o louvarão como defensor, os órfãos como pai, os necessitados como benfeitor, os estrangeiros como acolhedor, os irmãos como amigo fraterno, os enfermos como médico, e os saudáveis como guia de sua saúde. Em resumo, ele se tornou tudo para todos, a fim de ganhar a todos” (Gregório, o Teólogo, PG 36, 604).
Há outros escritos de outros Santos sobre o episcopado. São Dositeu de Jerusalém, em sua Confissão de Fé, escreve: “O ofício episcopal é tão necessário na Igreja que, sem ele, não pode haver Igreja nem sequer um cristão autêntico. Pois o Bispo, como sucessor apostólico, recebe a mesma graça que Cristo concedeu aos Apóstolos, para ligar e desligar os pecados, através da imposição das mãos e da invocação do Espírito Santo. Ele é a imagem viva de Deus na Terra, participando plenamente da graça do Espírito Santo, sendo a fonte de todos os mistérios da Igreja Católica, pelos quais obtemos a salvação” (Dositeu de Jerusalém, Confissão da Fé Ortodoxa, ed. Rigopoulos, Thessaloniki, 1983, p. 33). São Nektários de Égina também ressalta os deveres do Bispo perante o Estado: “O Bispo tem deveres também para com a sociedade civil, pois ele é pai dos filhos da pátria. Como tal, deve guiar seu rebanho para a piedade, a perfeição moral, o amor à lei e o desenvolvimento das virtudes sociais, que fortalecem e fazem prosperar o Estado e a sociedade. Somente a Igreja pode ensinar essas virtudes de maneira eficaz e cultivá-las entre seus membros. E como o Bispo representa a Igreja, deve cumprir esse dever para com o Estado, guiando seu povo à piedade e à moral cristã” (São Nektários, Curso de Pastoral, Thessaloniki, 1974, p. 190).
Ὁ Ἀρχιερεύς, o Bispo, como já enfatizamos, é o sucessor dos Apóstolos. Ele continua a missão dos Apóstolos e, por isso, sua posição na Igreja é a mais elevada. Assim, o Bispo é o “προϊστάμενος” ou seja, o “superior” na Igreja, carregando toda a responsabilidade pela pregação do Evangelho e pela preservação dos dogmas divinos. Ele exerce o ministério de pastoreio integral dos fiéis e tem o direito de celebrar todos os Santos Mistérios, especialmente o da transmissão da graça divina, ou seja, a ordenação. Além disso, somente ele, o Ἀρχιερεύς, realiza a Dedicação de um templo, consagra os Ἀντιμήνσια, (os antimínsios), abençoa o Santo Crisma, lê a oração especial pelos falecidos, concede títulos honoríficos aos presbíteros com bênçãos específicas e abençoa outros ministérios na Igreja. Ou seja, o Ἀρχιερεύς realiza a imposição de mãos conforme mencionado no Μέγα Εὐχολόγιον, “Grande Euchologion”, ou no “Livro Ἀρχιερατικόν (Arquieratikon)”. Assim, ele é o centro da vida eclesiástica e o símbolo da unidade da Igreja local.
O bispo, portanto, como o sinal visível da unidade da Igreja e dos cristãos, preside a assembleia eucarística e é o portador da sucessão apostólica. Ele é o guardião da tradição apostólica na Igreja. Não pode haver ordenação de Ἀρχιερεύς – Bispo, sem uma Igreja, sem uma Igreja local. Dessa forma, há uma sucessão ininterrupta de Bispos na mesma Igreja, ou seja, uma unidade orgânica entre o Bispo e a Igreja local. Santo Irineu escreve: “Essa mesma ordem e essa mesma sucessão, a tradição que vem dos apóstolos e a pregação da verdade chegaram até nós” (Irineu, Contra as Heresias, III, 3,3, PG7, 851).
A principal missão do Ἀρχιερεύς é a celebração da Divina Eucaristia. Ele preside a assembleia eucarística e a celebração do sacrifício incruento, que deve sempre ser realizada, como afirma Santo Inácio: “O Bispo preside como representante de Deus, os presbíteros como o conselho dos apóstolos e os diáconos, meus diletos, são encarregados do ministério de Jesus Cristo, que estava junto ao Pai desde os tempos antigos e apareceu no fim dos tempos. Portanto, todos, recebendo auxílio de Deus, respeitem-se uns aos outros e que ninguém veja seu próximo apenas segundo a carne, mas que sempre se amem uns aos outros em Jesus Cristo. Que nada entre vocês possa dividi-los, mas unam-se ao Bispo e aos superiores como modelo e ensinamento da imortalidade” (Aos Magnésios, VI, EPE 4, 94-95).
Por isso, os fiéis submetem-se ao Bispo “como a Jesus Cristo”, pois “todos os que pertencem a Deus e a Jesus Cristo estão com o Bispo” (Aos Filadélfios, III, EPE 4, 228), conforme afirma esse santo padre dos primeiros séculos. Outra função fundamental do Ἀρχιερεύς – Bispo é o ensino da palavra de Deus. Ou seja, o bispo tem a missão de ensinar e catequizar o povo fiel de Deus. O Apóstolo Paulo escreve claramente ao seu discípulo Timóteo: “O Bispo deve estar apto para ensinar” (1Tm 3,2). E São Nektários diz: “O Bispo deve ensinar seu rebanho sempre e em toda parte: a) na Igreja, b) em particular, e c) através do presbitério, em casa, na família e individualmente…” (Ob. cit. pág. 176).
O Bispo, portanto, tem o dever de proclamar a palavra divina do Santo Evangelho e ensinar aquilo que lhe foi bem ordenado pela Igreja. Sua missão mais sagrada é proteger seu rebanho de pessoas mal-intencionadas e hereges, agindo como o “bom pastor”. Além disso, ele tem a obrigação de defender os dogmas da Igreja, corrigir erros e restaurar a ordem na Igreja sempre que surgirem fenômenos impróprios, anticristãos e ao mesmo tempo anti-eclesiásticos. Outra de suas responsabilidades é trabalhar pela paz, reconciliação e amor entre as pessoas (…)
Como o ministério do Bispo é elevado e de grande responsabilidade, os Santos Cânones da Igreja, provenientes dos Concílios Ecumênicos e Locais, regulamentam inúmeros aspectos. Mencionaremos alguns desses cânones, além dos já citados, como o fato de que a ordenação de um bispo deve ser realizada por pelo menos dois ou três bispos e que ele não deve negligenciar o ensino dos fiéis.
Entre os cânones sagrados importantes, destaca-se o 35º Cânone Apostólico, que determina que o Bispo não deve ordenar clérigos fora dos limites de sua diocese, ou seja, em cidades e vilarejos que não estejam sob sua jurisdição. Além disso, os Cânones Apostólicos 39, 40, 41, 42, 43, 44 e 45 estabelecem que os presbíteros e diáconos não devem agir sem a aprovação do Bispo, que este possui a autoridade sobre os assuntos eclesiásticos e que não deve jogar, embriagar-se, cobrar juros ou orar com hereges. O 7º cânone do Concílio de Sárdica (343 d.C.) também é importante, pois determina que o Bispo deve cuidar dos pobres, das viúvas, das crianças órfãs e dos injustiçados. Outro cânone relevante é o 12º cânone do Concílio Quinissexto (691 d.C.), que estabeleceu o celibato dos Bispos. São Nicodemos comenta sobre esse cânone, destacando que, anteriormente, os Bispos podiam se casar, e sublinha três razões principais para a decisão do Concílio Ecumênico de proibir o matrimônio dos Bispos:
a) Porque os Bispos, por pertencerem à mais alta ordem eclesiástica, devem ser perfeitos nas virtudes, especialmente na castidade e na pureza, conduzindo sua vida com rigorosa sobriedade; b) Porque os Bispos casados, ao falecerem, costumavam deixar sua diocese como herança para seus filhos, o que resultava no desvio de muitos bens da Igreja; c) Porque a preocupação com sua família, esposa, filhos e a casa os impedia de se dedicar plenamente ao seu rebanho espiritual. Vale ainda mencionar o 29º cânone do IV Concílio Ecumênico (451 d.C.), que estabelece que um Bispo não pode ser reduzido à condição de presbítero, pois isso seria considerado um sacrilégio. O 7º cânone do VII Concílio Ecumênico (787 d.C.) também determina que um Bispo que consagrar uma igreja sem relíquias sagradas deve ser deposto. Além desses, há outros cânones que definem os elevados deveres e obrigações do Bispo, bem como as ações que ele não deve praticar, os lugares onde não deve comparecer e os eventos nos quais não deve participar. Além dos cânones, há também a tradição canônica e eclesiástica, bem como as Encíclicas Sinodais, que abordam questões relacionadas aos Bispos. Por exemplo, apenas o bispo pode ler a oração especial pelos falecidos, e quando visita o Monte Athos, deve seguir a ordem estabelecida de acordo com os costumes e regulamentos vigentes na República Monástica do Monte Athos, entre muitas outras diretrizes.
O sistema de Colegiado que prevalece na Igreja Ortodoxa, como é sabido, se expressa por meio da formação de Santos Sínodos. O termo “Sínodo”, no sentido de reunião dos Bispos em um mesmo local para examinar e regulamentar questões gerais da Igreja, aparece pela primeira vez no 37º Cânone Apostólico. No início, temos os Sínodos Locais e, posteriormente, os Concílios Ecumênicos. O Concílio Ecumênico é o mais alto órgão colegiado de administração da Igreja. O auge da instituição sagrada dos Sínodos ocorreu nos séculos IV e V. Nessa época, foram discutidos temas de grande importância, quando foram definidos os dogmas. A participação do Bispo na convocação de um Sínodo é uma obra de extrema relevância e um dever sagrado.
De fato, o I Concílio Ecumênico (325 d.C.) introduziu o sistema metropolitano por meio do 4º cânone, enquanto o 5º cânone instituiu o funcionamento do Sínodo Eparquial, e o 6º cânone estabeleceu seus princípios fundamentais. Assim, na Igreja Ortodoxa, consolidou-se o regime e o sistema sinodal, sendo esta sinodalidade parte essencial da Igreja. São João Crisóstomo escreve: “Igreja é o nome de um sistema e de um sínodo” (João Crisóstomo, Homilia sobre o Salmo 149, PG55, 493). Ou seja, “o regime sinodal pertence à essência da Igreja” (Ioannis Karmiris, Ortodoxa Eclesiologia, Atenas, 1973, p. 521 e seg.), e essa essência da Igreja se manifesta na reunião eucarística, na Santa Eucaristia, e não em qualquer outra reunião, mas na Eucaristia como “a mais elevada expressão da Igreja como Corpo de Cristo” (João Zizioulas, A Unidade da Igreja na Santa Eucaristia e no Bispo durante os três primeiros séculos, Atenas, 1990, pp. 9 e 59). Essa única e mesma Santa Eucaristia é oferecida por aquele que preside, o Bispo, na pessoa do qual, como “ícone de Cristo”, temos a unidade da “Igreja Católica”. Assim, na Igreja Ortodoxa, temos o sistema episcopal e sinodal.
Seguiram-se também outros santos cânones relacionados ao correto funcionamento sinodal do corpo dos Bispos e, com o tempo, foi estabelecido o “direito das ordenações”, bem como o “direito de julgamento” dos Bispos. Posteriormente, foram consolidados os chamados “Dípticos”, ou seja, a precedência de honra conforme os santos cânones. Estabeleceu-se a chamada “Pentarquia dos Patriarcas”, bem como a instituição dos Concílios Ecumênicos e outras formas de Sínodos, como o Grande Sínodo Local, o Eparquial ou Metropolitano, o Patriarcal, o Permanente e outros. Portanto, a relação entre o Bispo e o Santo Sínodo é extremamente estreita, razão pela qual a participação nos trabalhos de um Sínodo constitui uma responsabilidade máxima e um dever sagrado
Sim, existem e ouvimos vários títulos para os bispos. Esses títulos, como Patriarca, Exarca, Arcebispo e Metropolita, são apenas distinções honoríficas. O único grau é o de Bispo. Nenhum bispo, do ponto de vista eclesiológico, está essencialmente acima do outro, assim como acontecia entre os santos Apóstolos, que eram todos iguais entre si. Independentemente de estarem em uma grande ou pequena diocese, todos os bispos são iguais e vivem em “comunhão” no amor de Cristo. Acima dos bispos, está apenas a Igreja. A propósito, a reivindicação do Papa de Roma de estar acima de todos os bispos, especialmente com o dogma da infalibilidade, é totalmente inaceitável e rejeitada pela eclesiologia ortodoxa.
Portanto, o ofício de Bispo é grandioso e sagrado. O episcopado é um dom de Deus. O bispo não é simplesmente um administrador de uma organização, nem um mero elemento decorativo da vida litúrgica. Pelo contrário, devido à grandeza do seu ofício, também é imensa sua responsabilidade. O peso do pastoreio é enorme. Ele deve ser, “em tudo”, vigilante, um guardião atento do rebanho de Cristo. Deve permanecer “fiel até a morte”, e sua vida e exemplo devem ser luminosos, irrepreensíveis e sem escândalos. Por isso, após o Sexto Concílio Ecumênico, estabeleceu-se que a eleição dos bispos fosse feita apenas entre os clérigos celibatários, para garantir uma dedicação plena e irrestrita ao alto ofício e missão que a Igreja lhe confia.
Resumidamente, São Inácio, o Teóforo, nos ensina: “Que nada façais sem o bispo e os presbíteros” (Aos Magnésios, VII) e ainda aconselha: “Sujeitai-vos ao bispo e uns aos outros, assim como Cristo ao Pai na carne, e os Apóstolos a Cristo, ao Pai e ao Espírito” (Aos Magnésios, VII). Ele também adverte: “Honra a Deus como o autor de todas as coisas e Senhor; e ao bispo, como ao sumo sacerdote, pois ele carrega a imagem de Deus no governo e a de Cristo no sacerdócio… Aquele que honra o bispo será honrado por Deus, assim como aquele que o desonra será punido por Deus.” (Aos Esmirniotas, IX). Além disso, ao se referir a um bispo, ouvimos a saudação “(N) o santo de” antes do nome de uma diocese, o que pode parecer estranho. No entanto, esse adjetivo qualificativo, ou título honorífico, quando aplicado a um bispo ou metropolita, indica que o Bispo se separou do mundo e luta “o bom combate da fé”. Assim como Deus é o único Santo e nos chama à santidade, o sumo sacerdote que celebra os mistérios divinos deve manter-se santo, ser “santo”.
Como Cristo é Santo, o único e Verdadeiro Santo, e a Sua Igreja é chamada de “Santa”, seus membros formam um “sacerdócio real, uma nação santa” (1Pd 2,9), e, por isso, todos os cristãos devem ser “santos em toda a sua conduta” (1Pd 1,15), levando uma vida como “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12,1). Todos os cristãos são chamados de santos, como vemos em diversas cartas do Apóstolo Paulo. Isso ocorre porque os cristãos são santificados pelo batismo e, assim, são considerados santificados.
Consequentemente, a saudação “santo” dada a um bispo não é algo meramente simbólico, nem uma simples cortesia, mas sim um lembrete do dom de Deus para aquele que se afasta do mundo, para se dedicar inteiramente a Deus e lutando pela santidade. Esse título tem um significado espiritual e eclesiológico.
Como já mencionamos, o ofício do episcopado é grandioso e sagrado. O bispo, em essência, representa Cristo, sendo o sinal visível da unidade da Igreja, o mensageiro do amor, o pioneiro da virtude, o guia da juventude, o amparo dos idosos, o defensor dos pobres, o protetor dos injustiçados e o pastor das ovelhas do santo rebanho de Cristo. Ele está “no lugar de Deus” e “é imagem de Cristo”. Sua missão é pesada, carregada de responsabilidades e profundamente sagrada. De fato, a cruz do episcopado é pesada: grande é a honra, mas imensa é a responsabilidade.
Por isso, devemos respeito, honra e obediência aos Bispos, ao mesmo tempo em que nossas orações pelo seu ministério episcopal devem ser fervorosas diante do Senhor.
Fonte: Arxon.gr









Seja o primeiro a comentar