Ecclesia | 29 de maio de 2025
Sua Beatitude Jerônimo II, Arcebispo de Atenas e de toda a Grécia e Primaz da Igreja Ortodoxa da Grécia, manifestou-se com veemência nesta quarta-feira, 29 de maio, contra a recente decisão das autoridades judiciais do Egito, que declararam o histórico Monastério de Santa Catarina de Alexandria, no Monte Sinai, como propriedade do Estado egípcio.
“A propriedade do Monastério está a ser confiscada e expropriada. Este farol espiritual da Ortodoxia e do helenismo enfrenta agora uma ameaça que põe em causa a sua própria existência”,
declarou o Arcebispo, classificando o veredito como “escandaloso” e como uma “violenta violação das liberdades humanas e, em particular, da liberdade religiosa”.
Sua Beatitude sublinhou ainda que esta decisão representa um dos momentos mais graves na longa história do venerando Monastério, “o monumento cristão ortodoxo mais antigo do mundo”, e advertiu para o perigo de se romper com o status quo multissecular que garante a preservação da presença cristã naquela região sagrada.
Apelando com urgência ao Governo Helênico e ao Primeiro-Ministro Kyriakos Mitsotakis, o Primaz da Igreja da Grécia pediu que sejam tomadas medidas imediatas e eficazes para salvaguardar os direitos legais do Monastério e impedir a sua extinção de fato.
Fundado por ordem do Imperador Justiniano, entre os anos 548 e 565, ao sopé do Monte Sinai — local onde, segundo a tradição bíblica, Deus entregou as Tábuas da Lei ao Profeta Moisés —, o Monastério de Santa Catarina é reconhecido como o Monastério cristão continuamente habitado mais antigo do mundo. Pertence canonicamente à Igreja Autônoma do Sinai, sob a jurisdição espiritual do Patriarcado de Jerusalém, e integra a tradição da Igreja Ortodoxa Grega.
Em 2002, foi incluído na lista do Patrimônio Mundial pela UNESCO, em razão de sua importância espiritual e cultural para as três grandes religiões monoteístas: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. No seu recinto sagrado conserva-se, segundo piedosa tradição, o local da sarça ardente vista por Moisés, bem como as relíquias de Santa Catarina de Alexandria, tornando-se, por isso, lugar de peregrinação desde tempos imemoriais.















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