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ATENÁGORAS DE CONSTANTINOPLA: O «PACIFICADOR»

Na última terça-feira, 07 de julho de 2015, completou-se 43 anos do adormecimento em Cristo do grande Patriarca Atenágoras de Constantinopla (Ioannina, 1886 – Istambul, 1972), naquela sexta-feira em que deu seu último suspiro no Hospital de Valoukli Town, com semblante calmo e sereno, entregando sua alma a Deus, a quem amou e serviu ao longo de toda a sua vida. Este grande homem deixou a sua marca indelével na história da Igreja.

Fiel aos ideais de sua Igreja e de sua Nação, nutriu-se espiritualmente no Seminário Halki, aquela mesma instituição situada próxima ao sagrado centro de Constantinopla que formou os mais proeminentes padres para a Grande Igreja de Cristo. Lá completou seus estudos teológicos, passando então a servir como diácono e, mais tarde, como secretário-geral da Diocese de Atenas. Em 1925 foi nomeado Metropolita de Corfú, e em 1937 foi elevado à sede arquiepiscopal de Nova York, com jurisdição espiritual sobre todos os ortodoxos gregos da América, com o título de Metropolita para todo o continente. Desempenhou esta função por um período de 11 anos tornando-se célebre por sua gestão junto às comunidades de uma ampla diáspora que, sob sua liderança, chegaram a um elevado nível elevado disciplinar e religioso. Suas contínuas viagens, suas relações com as mais diversas denominações cristãs e seus contatos com a Igreja Católica alentaram nele um sincero desejo de diálogo entre os cristãos do Oriente e do Ocidente. Seu nome tornou-se reconhecido internacionalmente desde 1948, quando foi eleito Patriarca Ecumênico de Constantinopla. Desde então, cultivou a esperança de comunhão entre todos os cristãos. Para tanto, fortaleceu as relações com as comunidades bizantino-eslavas, realizando muitas viagens e contatos com as autoridades responsáveis ​​pelos cristãos ortodoxos em todo mundo. Ocupou-se ainda da preparação e reunião de diversas assembleias pan-ortodoxas, como a de Rhodes em 1961 e 1963, oportunidades em que tratou sobre os observadores que seriam enviados para o Concílio Vaticano II, num espírito de diálogo e de amizade.

No que diz respeito à Igreja Católica, foi de grande bem, desde o primeiro momento, a amizade que mantinha com o Papa João XXIII que, ao ser eleito, tornou ainda mais frequente e estreita as relações entre as duas Igrejas. Mais tarde, Athenagoras encontrou-se com o Papa Paulo VI em Jerusalém, na viagem que fez o Papa à Terra Santa. Em 1967, o recebeu em sua residência em Fanar. Posteriormente, Athenagoras visitou o Papa e ao Sínodo dos Bispos reunidos em Roma durante o curso de uma viagem na qual se reuniu com os chefes das Igrejas Ortodoxas da Sérvia, Bulgária e Romênia, e com os líderes do Conselho Mundial de Igrejas em Genebra e com o Primaz da Igreja Anglicana em Londres.

Do precioso tesouro que nos legou, a oração-poema abaixo revela  «espírito de finesse» do grande Athenágoras de Constantinopla:

«Sem o Espírito Santo:
Deus está longe,
O Cristo permanece no passado,
O Evangelho é letra morta,
A Igreja é uma simples organização,
A autoridade é uma dominação,
A missão é propaganda,
O culto é uma velharia e
O agir cristão uma obra de escravos.

Mas, no Espírito Santo:
O cosmos é enobrecido pela geração do Reino,
O homem está em combate contra a carne,
O Cristo ressuscitado torna-se presente,
O Evangelho se faz poder e vida,
A Igreja realiza a comunhão trinitária,
A autoridade se transforma em serviço que liberta,
A missão é um Pentecostes,
A liturgia é memorial e antecipação,
O agir humano é deificado».

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