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Milhares de fascistas marcham nas ruas de Moscou

manifestacao-fascista-moscouMOSCOU, Rússia, 04 de novembro de 2010 — Segundo a polícia, mais de cinco mil militantes de organizações da extrema-direita nacionalista e xenófoba participaram hoje na «Marcha Russa» em Moscou, mas os organizadores falam em mais de dez mil manifestantes. A marcha foi autorizada pelas autoridades, mas, mesmo assim, muitos dos manifestantes apareceram de rosto coberto. Os fascistas vieram para a rua assinalar o «Dia da Unidade Popular», que foi instituído em 2005, quando Vladimir Putin era Presidente da Rússia, para celebrar a expulsão dos «ocupantes polacos de Moscou pelos voluntários populares no dia 4 de Novembro de 1612». Na realidade, ele foi criado para «compensar» o antigo feriado de 7 de Novembro, dia em que se comemora a revolução comunista de 1917 na Rússia. Organizações nacionalistas realizaram manifestações em várias cidades russas, tendo a mais numerosa ocorrido em Moscou. Mais de cinco mil militantes de organizações como Movimento Contra Imigração Ilegal, Força Eslava, Porta-Pendões Ortodoxos e Imagem Russa percorreram as ruas de um dos bairros de Moscou gritando palavras de ordem nacionalistas e xenófobas. «Devolvamos à Rússia o poder russo», «Liberdade para os Presos Políticos», «Não à Imigração Ilegal», gritavam. O movimento juvenil pró-Kremlin «Nossos» organizou outra «marcha russa» de apoio à política das novas autoridades da cidade de Moscou, que juntou entre 20 a 30 mil manifestantes. Os manifestantes transportavam retratos de heróis do país: veteranos da guerra, jovens que prestam serviço militar, seus pais, bem como daqueles que «envergonham a Rússia»: pessoas que vendem álcool a menores, produtos fora do prazo de validade e que estacionam mal os automóveis. «Todos os manifestantes são russos no sentido supranacional, eles ligam o seu futuro ao futuro da Rússia e estão prontos a resolver os problemas que enfrenta o nosso país», declarou Kristina Poputchik, porta-voz do «Nossos».

Cirillo I, Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, apelou à unidade dos russos, sublinhando que as divergências podem levar à desintegração do país. «O nosso país assinala a festa da unidade popular. Um acontecimento ligado à libertação de Moscou e, depois, de toda a Rússia do jugo estrangeiro, uma enorme lição a todos nós, descendentes das gerações heróicas», declarou. «Em 1612, o país esteve no limiar da destruição e da morte», frisou.

Uma sondagem realizada pelo Instituto Levada Tzentr mostra que apenas 36 por cento dos russos sabem o que se assinala hoje. Talvez seja esta uma das razões pelas qual Moscou, a capital do país que deu um dos maiores contributos para derrotar os nazis na segunda guerra mundial, seja palco de manifestações fascistas. O povo que esquece a sua história, sujeita-se a grandes riscos.

Fonte:  José Milhazes – Da Rússia

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