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Por que buscamos a unidade dos cristãos?

A busca pela unidade dos cristãos não é uma iniciativa meramente diplomática nem um projeto humano de aproximação entre Igrejas. Trata-se de uma exigência do próprio Evangelho e de um testemunho indispensável para o mundo contemporâneo. Em homilia proferida por ocasião do primeiro aniversário da eleição do Papa Leão XIV, Sua Santidade o Patriarca Ecumênico Bartolomeu refletiu sobre o significado da peregrinação ecumênica entre Roma e Constantinopla, destacando que a reconciliação entre os cristãos constitui uma vocação recebida de Cristo e um serviço à paz entre os povos. A seguir, apresentamos uma síntese de suas reflexões.

O Patriarca Ecumênico dá a resposta

Pode parecer evidente por que a Igreja busca o diálogo com cristãos de outras tradições e trabalha pela unidade de todos os que creem em nosso Senhor Jesus Cristo. Afinal, o próprio Senhor rezou ao Pai: “Para que todos sejam um; como tu, ó Pai, estás em mim e eu em ti, que também eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21).

Entretanto, surgem também outras questões legítimas: como alcançar essa unidade? Por que é importante que os cristãos sejam “todos um”? E quais frutos poderão nascer dessa comunhão restaurada?

Em 9 de maio de 2026, Sua Santidade o Patriarca Ecumênico Bartolomeu ofereceu importantes reflexões sobre essas questões durante a Divina Liturgia celebrada na Igreja Católica Romana do Espírito Santo, em Constantinopla, por ocasião do primeiro aniversário da eleição do Papa Leão XIV.

O Patriarca destacou os progressos alcançados no último ano nas relações entre Roma e Constantinopla, afirmando:

“Ao refletirmos sobre o ano passado, não podemos deixar de agradecer a Deus pela aproximação cada vez maior entre nossas duas Igrejas irmãs, Roma e Constantinopla.”

Segundo Sua Santidade, o caminho rumo à unidade não constitui uma opção secundária nem um luxo pastoral, mas um compromisso irreversível:

“Este caminho irreversível, iniciado em 1964 com o encontro profético entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Ecumênico Atenágoras, moldou decisivamente a trajetória da reconciliação que continuamos a percorrer com esperança, confiança e perseverança em Deus. Os inúmeros marcos estabelecidos por nossos predecessores neste caminho de amor e verdade cultivaram uma consciência viva de vocação e destino comuns, que continua a sustentar e inspirar nosso diálogo até hoje.”

Sua Santidade observou ainda que a recente visita do Papa ao Fanar foi marcada por dois importantes acontecimentos: a celebração dos 1.700 anos do Primeiro Concílio Ecumênico de Niceia e a festa patronal do Patriarcado Ecumênico em honra do Santo Apóstolo André, o Primeiro Chamado.

Mais do que um simples encontro protocolar, o Patriarca ressaltou o significado espiritual desse acontecimento:

“Este evento suscita uma questão fundamental para a nossa peregrinação ecumênica: qual é o significado de tal encontro para o nosso caminho comum?”

Bartolomeu explicou que utiliza conscientemente a expressão “peregrinação”, recordando que foi por meio de uma peregrinação a Jerusalém que os laços entre as Igrejas foram renovados, e por meio de outra peregrinação que cristãos do Oriente e do Ocidente se dirigiram juntos a Niceia para professar a fé da Igreja “com uma só boca e um só coração”.

Segundo ele, essa peregrinação possui profundo significado eclesial e espiritual:

“Ao retornarmos juntos à própria fonte de nossa fé comum, à confissão de que o Filho é consubstancial ao Pai, testemunhamos uma unidade que, embora ferida pela história, jamais foi completamente perdida.”

A unidade vivida pela Igreja antiga constitui, portanto, um fundamento sólido para a futura reconciliação. Como afirmou Sua Santidade:

“Esta memória comum não é simplesmente um ato de piedade histórica, mas uma profunda declaração teológica de que o Credo Niceno permanece um vínculo vivo de comunhão, convidando as duas Igrejas a redescobrirem-se mutuamente através da verdade que já compartilham.”

Nesse sentido, Niceia não é apenas uma recordação do passado, mas também um horizonte para o futuro:

“Niceia não é apenas uma memória, mas também um horizonte; um ponto de orientação espiritual a partir do qual podemos discernir novamente o caminho para a restauração da plena comunhão.”

Para o Patriarca Ecumênico, a reconciliação cristã não é um ideal abstrato, mas uma vocação concreta confiada às Igrejas, para que sua unidade se torne um testemunho credível da verdade e do amor revelados em Cristo.

Ao abordar os frutos dessa unidade, Bartolomeu recordou a declaração conjunta emitida com o Papa Leão XIV, na qual ambos afirmaram:

“O objetivo da unidade cristã inclui também a construção da paz entre os povos. Juntos elevamos nossas vozes, pedindo a Deus o dom da paz para o mundo. Infelizmente, em muitas regiões, conflitos e violências continuam a destruir inúmeras vidas humanas. Apelamos àqueles que exercem autoridade política e pública para que façam tudo o que estiver ao seu alcance para pôr fim à tragédia da guerra, e convidamos todas as pessoas de boa vontade a unir-se a este apelo.”

Dessa forma, a busca da unidade cristã não se limita à vida interna das Igrejas, mas possui uma dimensão profundamente missionária e universal.

“Contribui essencialmente para a reconciliação dos povos, para a superação das divisões e para o fim da violência. Num momento em que guerras e conflitos continuam a afligir a humanidade, este apelo comum ressoa como um convite moral e espiritual dirigido aos líderes, às comunidades e a todas as pessoas de boa vontade para trabalharem incansavelmente pela paz.”

Sua Santidade concluiu ressaltando que, quanto mais as Igrejas se aproximam umas das outras na verdade e no amor, mais convincente se torna seu testemunho diante do mundo.

“A unidade não é apenas uma esperança eclesial; é também um caminho para a transformação do mundo, onde a paz não consiste simplesmente na ausência de conflitos, mas é fruto da comunhão, da justiça e da graça de Deus atuando nos corações humanos.”

Guiados por esse ideal evangélico, unimo-nos à voz profética de Sua Santidade o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, renovando nosso compromisso de trabalhar pela unidade dos cristãos e pela paz entre os povos, para que o mundo creia naquele que o Pai enviou para a salvação de todos.

Fonte: Patriarcado Ecumênico de Constantinopla (Fos Fanariou).

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