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Homilia de Sua Eminência Revma. Dom Tarasios, Arcebispo Metropolitano de Buenos Aires, Primaz e Exarca da América do Sul, na Divina Liturgia celebrada na Igreja de São João, o Teólogo, São José – SC, Brasil, no Sexto Domingo de Lucas (24-10-10)

Neste sexto domingo de Lucas, nosso Senhor Jesus Cristo nos recorda a expulsão de demônios que Ele realizou na pessoa do geraseno.

Atentamente escutamos o Evangelho que nos narra este fato acontecido naquele tempo.  Quais as primeiras palavras que escutamos saídas da boca do endemoniado? Disse: “Jesus, Filho do Deus Altíssimo”. Contudo, não era ele quem falava, senão os demônios que  nele habitavam. Os espíritos imundos imediatamente reconheceram e testemunharam a divindade de Jesus Cristo.

À pergunta que lhes fez o Senhor “como se chamavam?”, responderam: “Legião”. Usaram a palavra “Legião” para que todos pudessem entender que eles eram muitos. Assim como era a legião romana composta por 6.000 soldados. Os espíritos malignos temiam que  Jesus, o Senhor os mandassem de volta às profundezas onde anteriormente muitos deles estavam encarcerados. Por isso suplicavam para entrar na manada de porcos que ali estava. Jesus, nosso Deus, assim permitiu, e aquele homem sofredor, pertencente à raça humana,  ficou totalmente livre.

Meus queridos filhos e filhas espirituais: que significa esta passagem? Claramente, nos mostra que Jesus, o Cristo, é Deus, no Céu e na Terra, em todo lugar visível e invisível.  Nos mostra também que o Deus de amor, de ternura, de compaixão, ao ver a sua criatura,  feita por Suas mãos, sendo escravizada, sob o poder das trevas, rompe as pesadas correntes  e lhe dá a liberdade plena, consciente, como  disse o Evangelho, o geraseno estava em seu juízo perfeito, sentado aos pés do Senhor.

O geraseno recuperado de sua mente e de seu coração,  pelo poder de Deus, pediu ao Senhor que o admitisse entre os seus discípulos. Contudo Jesus lhe disse: “volta a tua casa e conta o que Deus fez por ti”.

Com muita clareza, as Sagradas Escrituras nos ensinam e nos fazem recordar outras palavras do Senhor: “muitos são chamados, poucos os escolhidos!”

Assim, nem toda pessoa que recebe, pelo poder de Deus, uma cura, uma libertação e a salvação é chamado a servi-Lo e a servir sua Igreja como Diácono, Presbítero ou Bispo. A escolha para exercer o ministério sacerdotal deve estar de acordo com a Vontade de Deus.

Sem dúvida, todos somos chamados de muitas maneiras  a servi-Lo e  de nossa parte devemos estar presentes e responder a este chamado do Senhor. Não podemos ficar sentados, imóveis, ignorando a voz do Mestre.

Neste tempo em que vivemos, como acontecia com o geraseno, vemos no mundo muitos sofredores que vivem em plena obsuridade de mente e coração; cegos pelos maus desejos, tomados pela paixão. Seus  “demônios interiores”os governam quais marionetes no palco da vida. Semelhante ao geraseno,  vivem nas tumbas construídas por eles mesmos, fechados em seus egoísmos, em suas “verdades” e em seu cinismo. Talvez, até muitos tenham escutado a Palavra de Deus, a única e real Verdade, porém como nos fez recordar as leituras do domingo passado na Parábola do Semeador, ficam sem germinar, no meio do caminho, ou secam! E, evidentemente, aquele que nunca dorme e nem descansa, isto é o maligno, aproveita estas oportunidades para sussurrar em seus ouvidos e  lhes afastar cada vez mais de Deus.

Não obstante, ainda há tempo para resgatá-los; não estão totalmente perdidos, como muitos supunham sobre o geraseno. Não! Chegou o tempo de dar testemunho, como o fez o geraseno obedecendo ao pedido do Senhor. Todos, junto com o clero, trabalhemos, com a graça e ajuda de Deus, proclamando, anunciando, ensinando e testemunhando a Palavra salvadora do Senhor. Nossa Mãe a Igreja que nos orienta, nos ensina e nos instrue, nos dá as ferramentas necessárias para sair ao mundo e combater o poder das trevas que qual fera raivosa  ainda golpeia e derruba a muitos.

Porém não basta, meus queridos filhos e filhas espirituais, escutem bem, não basta apenas ter boa disposição, vontade, tempo e dedicação em querer fazer muito pelos outros. Se assim fosse, digam-me vocês: qual rei ou general que comanda um exército, lançaria à batalha soldados novos e inexperientes  para a luta?

Sobre isto, o grande general chinês Sun Tzu ensinou em seu livro a arte de guerrear e vencer o inimigo (texto que é muito estudado nas grandes escolas militares). Da mesma forma, também em nossa Igreja, devemos nos preparar e ensinar aos outros para combater e derrotar exitosamente as trevas, portando a espada da Palavra de Deus, iluminando todos que andam cegos pelo mundo, tropeçando e inclusive perdendo suas vidas e almas, e o mais grave, a Salvação e o Reino dos Céus.

Como disse anteriormente, que Nosso Senhor Jesus Cristo, nos sustente e nos ajude com sua Graça para poder cumprir fielmente a missão encomendada por Ele e que sejamos vitoriosos como nosso Deus o é: Ιησούς Χριστός νικά. Amém!

Veja AQUI todo Suplemento Litúrgico desta Festa,
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