Pressione "Enter" para pular para o conteúdo

Metropolita Zizoulas e Arcebispo Koch falam do Encontro em Viena

arcebispo-ioannis-zizioulasA Comissão Mista Internacional do Diálogo católico-ortodoxo reunida em Viena – Áustria, de 20 a 27 de setembro, decidiu por um novo encontro num período de dois anos. Numa declaração concedida à Imprensa na véspera do encerramento do encontro, o metropolita Ioannes Zizoulas (Patriarcado Ecumênico) e o arcebispo Kurt Koch (Igreja de Roma) afirmaram que «não existe nuvens de desconfiança entre as duas Igrejas, quando se fala em comunhão. Assim, no início  das reuniões os representantes de cada Igreja se comprometeram a realizar os debates em clima de amizade e fraternidade, o que de fato se deu  durante todo o encontro. E, a prosseguir assim, Deus permitirá certamente que encontremos o modo certo para superar as dificuldades que ainda persistem, concedendo-nos, por sua vez, a comunhão plena entre  nossas Igrejas».

O recente nomeado arcebispo Kurt Koch responsável pelo Pontifício Conselho da Unidade dos Cristãos, relembrou em seu depoimento a frase  do falecido Papa João Paulo II: «a Igreja deve voltar a respirar com os dois pulmões».  o Arcebispo disse ainda que «esta é uma realidade já  experimentada no primeiro milênio, quando se vivia a unidade na diversidade», lembrando que o papa Bento XVI, quando ainda era cardeal, disse em sua famosa conferência em Graz em 1976, que «não se pode exigir da Igreja Ortodoxa mais do que se vivia durante o primeiro milênio.  Assim, o principal foco dos debates se deu em torno de como nossas igrejas viveram a unidade no primeiro milênio e como poderemos voltar a experimentá-la em nosso tempo. O estudo deste tema demanda paciência. Eu sei que algumas pessoas podem ficar impacientes, mas a paciência é uma expressão de amor. As pessoas sabem, por experiência própria, o que significa quando duas pessoas, em um casamento, se desentendem. Nós já vivemos isso há quase mil anos; é preciso paciência para encontrar a solução». E prosseguiu afirmando que: «Evidenciou-se que no primeiro milênio foi reconhecido o papel especial que o bispo de Roma tinha em toda a Igreja, mas que ele decidia  e agia só após consulta aos outros bispos. E estes pontos foram discutidos, estudados e aprovados em Ravena, na Itália (2007)«. Em Ravena, relembra Dom Koch, «a Igreja russa  estava ausente por razões que nada tinham a ver com o nosso diálogo.  No entanto, estes pontos decididos em Ravenna, na Itália, foram retomados em outras ocasiões com a presença e participação de representantes da Igreja da Rússia. Assim, quanto  a isso, praticamente não há problema… Em geral, as idéias básicas de Ravena são aceitas por todas as Igrejas Ortodoxas», disse o metropolita Zizoulas.

Perguntados sobre um possível modelo de comunhão plena,  ambos  os  arcebispos estão de acordo com o fato de que na Igreja Católica a primazia do papa tem um forte peso, enquanto nas Igrejas Ortodoxas, o peso forte está na conciliaridade ou sinodalidade. Estas diferentes formas de organização devem enriquecer a Igreja e não ser motivo de separações,  acordaram os arcebispos Zizoulas e Koch.  «O grande bem do ecumenismo é a troca de experiências. Agora, seguindo este pensamento, temos que  achar o melhor modo de explicar  ao outro como concebemos a unidade. Para a Igreja Católica, é claro, o módulo sem o bispo de Roma é impensável. Isto porque a questão do bispo de Roma não é apenas uma questão de organização, mas um conceito teológico. O debate sobre a forma como esta unidade deve ser formulada deve ser acordada com determinação. Unidade significa que nós vemos uns aos outros como Igreja-irmã… Acho que o Papa tem o mesmo pensamento neste sentido, revela Dom Koch.

Em seguida, o metropolita de Pérgamo, Dom Zizoulas, disse estar «plenamente de acordo com o que o arcebispo Koch afirmara sobre o modelo de unidade que ocorrerá no futuro. Nós não podemos  pensar em um modelo padrão predeterminado. Convém, no entanto, fortalecer nas Igrejas Ortodoxas o desejo de comunhão universal entre nossas Igrejas. E fortalecer ainda mais na Igreja Católica a dimensão da sinodalidade. Se essas duas coisas acontecerem, a unidade plena  chegará a passos largos». Observou ainda que: «é claro que para chegarmos à comunhão plena é preciso que estejamos  unidos na mesma fé; e isso não é um problema, pois  nossas Igrejas partilham em quase tudo a mesma fé, mesmo que inseridas em culturas diferentes».

Questionado por um repórter sobre um documento oficial deste encontro, como ocorreu em Ravena em 2007, Dom Koch respondeu: «Penso que sim, mas o tempo dirá».

Fonte: Romfea.gr

Seja o primeiro a comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *