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Mensagem de Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla, na comemoração do 70º aniversário da fundação da Comunidade de Taizé

Queremos dirigir ao irmão Alois, o prior, e a toda a Comunidade de Taizé estas palavras de comemoração do quinto aniversário da trágica morte do saudoso irmão Roger e também o 70º aniversário da fundação da Comunidade de Taizé. Ele foi não apenas o fundador e inspirador, mas também o «vigilante» incansável e disponível, à cabeceira do seu desenvolvimento, ao serviço da forte ideia que a fundou – segundo as suas próprias palavras, a da «reconciliação ecuménica».

Qualquer que seja o olhar que possamos lançar sobre o itinerário e a obra do irmão Roger, é inegável que ele foi uma das grandes figuras cristãs do séc. XX. Quem pode duvidar da profunda sinceridade e autenticidade da sua «procura» espiritual? Quem pode duvidar da sinceridade do «caminho» que ele quis tomar, não sozinho, mas com vontade de conduzir também outros a partilhar esta «luz», na alegria e na humildade? Não foi esta partilha – desejo profundo de «comunhão», a sua preocupação e a sua motivação até à última palavra, da qual nos fala a «Carta inacabada», que visava um «alargamento» da diaconia da Comunidade de Taizé? Quem pode duvidar da atracção que a sua experiência e os seus ensinamentos causaram nos jovens, mas também nos menos jovens, que têm o desejo, numa procura espiritual, num desejo ardente, interior, tantas vezes por declarar e incompreendido, de escuta e de comunhão?

Com ele e com os irmãos que partilharam da sua visão e da sua tensão, Taizé tornou-se um verdadeiro centro, um ponto de convergência e de encontro. Um lugar de aprofundamento na oração, na escuta e na humildade. Um lugar de respeito pela tradição do outro. O reconhecimento do outro, do seu rosto e, portanto, do seu ser – pré-requisito necessário a um amor à imagem daquele que nos amou «sem limites».

A sua caminhada foi de procura de amor e de verdade, que moldou o seu caminho no encontro com o outro, no cruzamento do seu olhar, na oração pessoal vivida em conjunto e partilhada.

O nosso querido e saudoso Olivier Clément, escritor, historiador e um dos maiores teólogos da Igreja Ortodoxa no séc. XX, que era muito próximo da Comunidade, resumiu no seu livro publicado em 1997, com o título bem escolhido «Taizé, um sentido para a vida», a essência «espiritual» desta caminhada de «procura» levada a cabo em Taizé e à sua volta, com o irmão Roger e à sua volta.

«Em Taizé, escrevia Olivier Clément, os irmãos de origens confessionais, étnicas, culturais, linguísticas distintas, e por vezes opostas, rezam e trabalham juntos: sim, é possível. Cristo destruiu todos os muros de separação.» A propósito da atracção dos jovens, Olivier Clément explicava o fenómeno «Taizé» dizendo: «Os jovens de hoje estão cansados de discursos (mas também de zombarias), têm sede de autenticidade. Será vão falar-lhes de comunhão se não lhes podemos mostrar – «vem e vê» – um lugar onde a comunhão se elabora. Um lugar onde somos acolhidos tal como somos, sem sermos julgados, em que não nos pedem um passaporte dogmático, sem contudo esconder que aí as pessoas estão reunidas em torno de Cristo e que um caminho – «eu sou o caminho», disse ele – começa aí para quem o desejar. (pág. 14-15)

«Taizé, um sentido para a vida.» Olivier Clément tinha razão ao dizê-lo. Dizemos também que se trata de um «lugar de vida». E o que é um lugar de vida senão um lugar físico, mas também, e sobretudo, um lugar de interiorização, que nos ajuda a reflectir sobre nós mesmos e sobre os outros, a restabelecer-nos e a pôr-nos em causa? Um centro que nos leva a realizar, em nós mesmos e com os outros, a unidade horizontal e a unidade vertical, em plena ressonância com a dimensão espiritual da nossa existência? Esta procura de unidade, na alegria, na humildade, no amor e na verdade, tanto na relação com o outro, «sacramento do irmão», como na relação com Deus, «sacramento do altar», resume, a nosso ver, a essência da caminhada e do caminho de Taizé.

É nisto que reside o carisma desta Comunidade. Um carisma de «encontro» que dá um «sentido». E o sentido, para nós, também cristãos, não pode ser vivido de outro modo que não seja na tensão em direcção ao Único necessário.

Que a memória do irmão Roger, que trazemos nas nossas orações, seja eterna e que os nossos votos acompanhem a comunidade para que continue a diaconia entendida como «caminho» para si e para os outros pelo Irmão Roger.

Que a graça do Senhor e a sua infinita misericórdia estejam com todos vós.

Fonte: Jovens da Oliveira

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