Um comunicado recente a Sacra Metrópole de Leros, Kalymnos, Astypalaia (Grécia), informa aos piedosos fiéis ortodoxos e ao povo em geral que, considerando as relevantes obras realizadas à Santa e Grande Igreja de Cristo, o Patriarcado Ecumênico, o Sacrossanto Sínodo, por sugestão e exortação de Sua Santidade o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, decidiu unanimemente pela canonização da Beata Monja Gabriela Papagianni, de acordo com os cânones da Santa Igreja Ortodoxa.
Invocamos sobre todos a bênção do Deus Triúno.
A Santa Metrópole confiou ao Metropolita Kyrilon de Rodes a redação deste Santo Ofício. Santo de Deus interceda por todos nós!
Gerôntissa Gabrielia
Gabriela Papagianni nasceu em 2 de outubro de 1897, dia da celebração dos santos Cipriano e Justino, em Constantinopla. Seu pai era um rico comerciante de madeira e vivia em um ambiente cercado de conforto na Polis, em Fanar. Ela, uma bela garotinha, cheia de amor pelo mundo inteiro. Nos dias em que a mansão Papagiannis “recebia” a alegria da pequena Aurélia (seu nome antes de receber a tonsura monástica), ela estava sempre pronta para colher os visitantes em sua casa. Aurélia era a quarta e última filha da família. De seus irmãos, o mais velho, Vasiliki, foi quem primeiro lhe falou sobre Deus. Junto com os contos de fadas que lia para ela, ele lhe contava histórias do Evangelho e do Antigo Testamento. Então, um dia, disse a ela que Deus está “presente em todo lugar” e que tudo vê. A pequena Aurélia, de 4 a 5 anos, perdeu o controle e perguntou com voz assustada: “E se eu for me trancar naquele armário, ele vai me encontrar”? “Sim”, diz a ela. “bom, mesmo que eu fique pequena e entre nessa caixa de fósforos, ele vai me ver lá também”? “Sim, também lá” disse ele. Então ela compreendeu que a vida é assunto sério porque Ele nos vê como “Aquele que está em toda parte”!
Os anos se passaram e a pequena Aurélia amou o mundo inteiro e o mundo inteiro a amou. Após o ensino médio, ela partiu para continuar seus estudos na Suíça, na Escola Agrícola de Estavayer-Le-Lace. Ela amava especialmente as plantas e literalmente até o fim da vida ela “conversava” com elas e era como se pudesse ouvir a resposta delas.
Em 1923 esteve em Salônica com a família. Lá ingressa na Universidade Aristóteles, na Faculdade de Filosofia. Após o término dos estudos chegou a Atenas e sua primeira preocupação foi conseguir um emprego. Então conseguiu emprego em uma clínica psiquiátrica onde permaneceu apenas por um ano. Depois foi à Inglaterra, sozinha, com a única fortuna de uma libra de papel. Sua aventura em Cristo estava apenas começando. Lá encontrou vários empregos, ao mesmo tempo que ajudava muitas pessoas necessitadas e desempregadas, também cuidava graciosamente de muitos pobres.
Chega então o ano de 1954, ponto de virada em sua vida espiritual. Era 24 de março o dia em que sua mãe faleceu. Para ela, a grande aventura da fé em Cristo estava apenas começando. A partir daí começou sua grande missão pelos cinco continentes do mundo. Em 1954 foi para a Índia onde permaneceu por 5 anos. Foi um grande marco em sua vida e ela amou especialmente a Índia. Ali ajudava multidões de leprosos e doentes e mostrou-lhes amor incondicional! Todos a amavam e chamavam de sua irmã Lila. Duas horas de leitura da Bíblia e muitas horas de oração eram necessárias em sua cansativa rotina diária. Ela tinha total confiança em Deus e, portanto, nunca guardou dinheiro com ela. Entregou-se por inteiro nas mãos de Deus. Ajudava muita gente e foi a razão pela qual muitos foram batizados ortodoxos. Nunca falava com outras pessoas sobre Cristo, a menos que elas lhe pedissem. Durante esses anos fez amizades importantes, como Madre Teresa, Sivananda, Baba Amte. Ela foi convidada para vários países para falar sobre o Cristianismo Ortodoxo e realmente deixou a multidão sem palavras. Depois da Índia, ficou um ano no Himalaia com comida simples, a sós com Deus, em horas de oração sem fim. Ela disse mais tarde que naquela época viveu o monaquismo hesicasta sem sequer saber disso! Agora acreditava que estava fazendo a vontade de Deus quando de repente a mensagem dos anjos veio até quando lhes disse: «agora podes ir para Nun». Então entendeu que o monaquismo é um modo de vida especial e superior. Então conheceu um senhor que lhe pediu que a acompanhasse até Betânia, a um monastério. As passagens foram novamente encontradas milagrosamente e assim ela foi para Betânia, aos 62 anos, onde se destacou pelo amor e pela paciência. E quando pensou que esta seria a sua vida, voltou a viajar para ajudar, para falar de Cristo e para ser amada pelo mundo inteiro. A seguir, em Atenas foi submetida a uma cirurgia para curar a cegueira do olho esquerdo que havia perdido totalmente. Quando a cirurgia foi feita «fez-se a luz» para ela. Permaneceu em Atenas, no Santo Monastério de Evangelistria, Nova Jerusalém, como ela a chamava. Através do Monastério se correspondeu e ajudou muitas pessoas. Em seguida foi a África, onde ficou na casa dos anjos, como chamava seus filhos espirituais, onde todos os dias recebia pessoas sofredoras e as ajudava. Seguiram-se Aegina e Leros, onde adormeceu aos 95 anos, no dia 28 de março de 1992, erguendo as mãos para o céu. Naquele momento seus filhos espirituais ouviram claramente uma voz jovem cantando uma melodia angélica desconhecida e alegre. Isso durou apenas alguns segundos e então um silêncio encheu sua cela. Todos os sinos de Leros tocaram tristemente e muitas pessoas compareceram ao seu funeral. Gerontissa Gabriela era uma pessoa rara, com amor incondicional pelo próximo. (…) Todos lhe perguntavam como era possível que ela amasse tanto até mesmo estranhos e como era possível que viajasse tanto e tão constantemente para ajudar, às vezes, uma única única pessoa. Portanto, a sua vida é justamente caracterizada como a asceta do amor!
Com informações e fotos de: Romfea.gr










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