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Celebração do Novo Ano Eclesiástico no PHANAR

Com particular esplendor, de acordo com a secular ordem e tradição eclesiástica, nesta sexta-feira, 1º de Setembro, teve início o Indictus – o Ano Novo eclesiástico. O Patriarcado Ecumênico dedica este dia, desde 1989, à «ORAÇÃO PELA PROTEÇÃO DO AMBIENTE NATURAL».

S.S. Bartolomeu, Patriarca Ecumênico, oficiou a Divina Liturgia, com o Metropolita Epifânio, de Kiev e toda a Ucrânia, e os Em.mos. Hierarcas do Trono.

Em sua Mensagem para este ano o Patriarca  não deixou espaço para questionamentos às decisões do Patriarcado Ecumênico, especialmente no que diz respeito à concessão do Tomos de Autocefalia à Igreja Ortodoxa da Ucrânia.

Em seu discurso, Sua Santidade referiu-se às iniciativas e esforços do Patriarcado Ecumênico para fortalecer a unidade e a cooperação entre as Igrejas Ortodoxas Autocéfalas, cujo fruto foi a convocação do Santo e Grande Concílio da Igreja Ortodoxa em Creta em 2016 .

Infelizmente, este esforço de unidade e cooperação foi destruído nos últimos anos por uma nova eclesiologia, que vem do Norte, e por uma nova teologia, a teologia da guerra.

É essa teologia que a Igreja-irmã da Rússia começou a ensinar tentando justificar uma guerra injustificável, profana, não provocada e diabólica contra um país soberano e independente, a Ucrânia. Há quase dois anos que assistimos a uma tragédia. Não só nas relações entre as duas Igrejas Ortodoxas, mas também no centro da Europa, assistimos a um derramamento de sangue diário. Cento e cinquenta mil, talvez duzentos mil soldados russos foram mortos nesta guerra; cerca de cem mil soldados ucranianos e incontáveis civis. Repito que isto é uma TRAGÉDIA. Isto, naturalmente, também tem um impacto nas relações das respectivas Igrejas Ortodoxas irmãs.

A interrupção da Comunhão pela Igreja da Rússia à revelia do Patriarcado Ecumênico, como disse o Presidente, é inaceitável e inexplicável. Não podemos ter a Divina Eucaristia como instrumento para pressionar uns aos outros e forçar as outras Igrejas a acompanharem esta nova eclesiologia. O irmão Metropolita de Kiev e de toda a Ucrânia é vítima. Ele vê seu rebanho dizimado, cidades e vilas destruídas, templos, escolas e hospitais arrasados …

E continua o Patriarca:

Nós, de nossa parte, fazemos o que acreditamos ser certo. Somos provocados e convidados por várias Igrejas-irmãs para que o Patriarcado Ecumênico convoque novamente uma Conferência Pan-Ortodoxa ou uma Sinaxe de Primazes Ortodoxos para tratar da questão eclesiástica ucraniana, e o nosso Patriarcado rejeita estas propostas porque não está disposto a submeter-se à julgamento das outras Igrejas a um Ato Canônico, que ela mesma executou.

E digo Ato Canônico, porque a concessão da Autocefalia à Igreja da Ucrânia, com os seus 44 milhões de fiéis, estava dentro da estrutura dos direitos e responsabilidades diaconais do Patriarcado Ecuménico.

Se excluirmos os Antigos Patriarcados do Oriente, todas as Igrejas Ortodoxas mais recentes, começando pela Igreja da Rússia, receberam a Autocefalia de Constantinopla. Por que a Ucrânia não deveria receber também? Este é o ponto, muito simples e muito claro. Pois bem, não convocaremos um Concílio Pan-Ortodoxo, nem uma Sinaxe de Primazes, porque não temos intenção de colocar as decisões e iniciativas do Patriarcado Ecumênico sob o julgamento da nova eclesiologia.

Em seguida, o Primaz da Igreja da Ucrânia, numa breve saudação, expressou novamente a sua alegria pela visita ao Patriarcado Ecumênico. Agradeceu ao Patriarca Ecumênico pelo cuidado e interesse contínuo da Igreja Mãe na Ucrânia.

Muitos ucranianos entendem agora o que realmente é a nossa Igreja, a Igreja da Ucrânia, e o que é a Igreja da Rússia, e é por isso que a maioria dos ucranianos apoia a Igreja Autocéfala

Disse Sua Beatitude Epifânio, expressando a certeza de que em breve todos os ucranianos ortodoxos se unirão em torno da Igreja Autocéfala, bem como que a sua pátria vencerá a guerra em curso, porque, como ele disse:

a verdade vence; a vida vence e a luz vence as trevas.

Concluindo, agradeceu ao Patriarca Ecumênico e a todos aqueles que apoiam a Ucrânia e pediu para continuar a rezar pelo seu povo sofredor.

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