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Cultura, ponto em comum para diálogo

Iniciada hoje a Jornada de Cultura e Espiritualidade Russas no Vaticano

Por Carmen Elena Villa

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 20 de maio de 2010 (ZENIT.org). – A cultura, a arte e a música se converteram num ponto de confluência indispensável para o diálogo entre católicos e ortodoxos. Por meio desta linguagem, «podemos dizer o que não pode ser expresso com palavras diplomáticas ou políticas», disse o Arcebispo Ortodoxo Hilarion de Volokolamsk, presidente de Departamento de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou. «É possível vivenciar este diálogo em vários níveis, também com as pessoas simples», assegurou o arcebispo ortodoxo. O prelado interveio em um encontro com jornalistas realizado na manhã de quarta-feira, na sede do Conselho Pontifício para a Cultura, a propósito da Jornada de Cultura e Espiritualidade Russas, que começou ontem no Vaticano. O evento é promovido pelo Patriarcado de Moscou, pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pelo Conselho Pontifício para a Cultura. Na quinta-feira, às 18 horas, foi realizado um concerto em homenagem ao Papa Bento XVI na Sala Paulo VI do Vaticano, promovido pelo Patriarca Cirillo I, executado pela Orquestra Nacional Russa, o coral Sinodal de Moscou e o St. Petersburg kapella choir.

NOVOS TEMPOS EXIGEM UM DIÁLOGO ABERTO

O prelado disse que, tanto na Igreja Católica como na Ortodoxa, «cresce a consciência de que são aliadas», e acrescentou que as rivalidades do passado «devem permanecer lá, no passado». Destacou como as mudanças culturais exigem, cada vez mais, um diálogo aberto entre católicos e ortodoxos: «Hoje, há muitos casamentos mistos. É comum encontrar ortodoxos e católicos juntos». «Toda a cultura Russa está fundamentada numa herança cristã – lembrou o arcebispo. Quando todas as atividades nos foram proibidas, a cultura nos possibilitou seguir adiante. Ouve-se com freqüência a música espiritual russa na liturgia católica, sem mencionar o número de leitores de Dostoievski e outros autores russos»”, acrescentou.

O ATUAL PONTIFICADO

Hilarion de Volokolamsk lembrou que, em vários setores da Igreja Ortodoxa, «a eleição de Bento XVI foi acolhida de forma positiva», especialmente por sua posição «frente às questões morais»; e assegurou que por parte dos ortodoxos «há um compromisso em observar e promover os valores tradicionais». No que se refere aos temas teológicos no âmbito do diálogo entre ortodoxos e católicos, o prelado assinalou que os debates ainda «se prolongarão por muito tempo» e que isso não pode «comprometer a colaboração em outros campos. Cada etapa do diálogo conclui com a elaboração de um texto no qual católicos e ortodoxos declaram algo juntos. É importante que estes textos cheguem não apenas aos teólogos, mas também aos fiéis», avaliou.

SUPERAR AS DIFERENÇAS

O Cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, assegurou, por sua vez, que a ocasião representa «uma oportunidade para aprofundar em nova dimensão nossas relações ecumênicas. A triste separação milenar entre o Oriente e o Ocidente não foi determinada somente por diferenças teológicas ou conflitos políticos – lembrou o purpurado -, mas principalmente pela distância e o isolamento cultural», que se supera hoje «sob o signo da integração cultural entre a Europa Ocidental e a Europa Oriental». Esta distância, enfatizou, «deve ser superada não no sentido de uma homogeneização cultural, mas de um enriquecimento recíproco, uma comunhão, não uma fusão ou absorção». Esta comunhão pode representar «um forte testemunho comum da riqueza da cultura européia e de suas raízes cristãs – hoje, lamentavelmente, questionadas ou rejeitadas por muitos», concluiu.

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