Bartolomeu I recebeu peregrinos do Instituto Católico de Viana do Castelo e da Basílica dos Congregados, em Braga
Braga, 11 ago 2022 (Ecclesia) – Delegações de dioceses católicas de Portugal e do Patriarcado Ecumênico (Igreja Ortodoxa) de Constantinopla trocaram visitas, neste mês de agosto, reforçando laços de colaboração.
O metropolita arcebispo ortodoxo de Portugal e Espanha do Patriarcado Ecuménico, Bessarion Komzias, esteve esta terça-feira com o arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, no seguimento da audiência dos peregrinos do Instituto Católico de Viana do Castelo e da Basílica dos Congregados (Braga) ao patriarca Bartolomeu I, em Istambul, a 2 de agosto, informa uma nota enviada hoje à Agência ECCLESIA pela arquidiocese portuguesa.
O encontro contou com a presença de uma delegação do Patriarcado ortodoxo em Madrid, bem como dos padres Tiago Freitas e Paulo Terroso (delegado arquidiocesano para o ecumenismo), da Arquidiocese de Braga, e o padre Pablo Lima, da Diocese de Viana do Castelo, a cujo pedido foi concedida a audiência com o patriarca Bartolomeu.
“Vivemos um momento único na história da Igreja, nunca antes um Papa e um Patriarca Ecumênico foram tão próximos e tão amigos. Nos tempos difíceis em que vivemos, o Papa Francisco e o patriarca Bartolomeu são duas vozes proféticas”, destacou o metropolita arcebispo Bessarion.
Já o arcebispo de Braga recordou o seu encontro com o patriarca Bartolomeu em Munique, quando se encontrava a crismar emigrantes na cidade alemã, reafirmando “o desejo e a colaboração da arquidiocese com o clero e fiéis ortodoxos” em Braga.
O encontro de terça-feira contou com uma troca de ofertas: um “komboskini” ou rosário ortodoxo oferecido ao arcebispo primaz, e uma cópia cerâmica da fachada da Catedral de Braga ao metropolita ortodoxo.
“No contexto dos 20 anos da fundação da Metrópole de Portugal e Espanha a ocorrer em 2023, foram colocadas sobre a mesa possíveis iniciativas para reforçar as relações bilaterais entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa em Portugal, e a colaboração com o Instituto Católico de Viana do Castelo e a Basílica dos Congregados”, indica a nota divulgada após a audiência.
Já o encontro com o patriarca de Constantinopla (atual Istambul, na Turquia), contou com um grupo de 29 portugueses, membros do Instituto Católico de Viana do Castelo e da Basílica dos Congregados de Braga, recebidos na Residência Patriarcal do Fanar,
“Nós e o Papa Francisco somos não apenas amigos, somos verdadeiramente irmãos. Já nos encontrámos mais de dez vezes, durante estes nove anos do seu pontificado, mais de dez vezes! Aqui (em Constantinopla), em Roma, em Jerusalém, em Bari e em Assis”, referiu Bartolomeu I aos participantes na audiência.
O responsável ortodoxo destacou a necessidade de reformas para que o testemunho da fé cristã “seja mais aceitável, convincente”.
Discurso do Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, à delegação portuguesa
Esta é a sede do Patriarcado Ecumênico e coração de toda a Ortodoxia que é formada por 15 Patriarcados.
A Igreja de Constantinopla e a Igreja de Roma são igrejas irmãs, porque uma foi fundada por Santo André e a outra por São Pedro, que eram irmãos.
Há três ou quatro anos, Sua Santidade o Papa Francisco ofereceu-nos uns pedacinhos das relíquias de São Pedro, facto que Nós apreciámos muito, mesmo muito.
Nós e o Papa Francisco somos não apenas amigos, somos verdadeiramente irmãos. Já nos encontrámos mais de dez vezes, durante estes nove anos do seu pontificado, mais de dez vezes! Aqui (em Constantinopla), em Roma, em Jerusalém, em Bari e em Assis.
Talvez já sabeis que eu próprio estudei em Roma, “a cidade eterna” como é costume dizer-se, durante três anos. Obtive aí a minha licenciatura no Instituto Oriental. Por isso, conhecemo-nos há muito tempo. A última vez que estive lá foi no ano passado, durante o encontro da comunidade de Santo Egídio “Homens e Religiões”. Cada vez que estou aí, em Roma, sinto-me em casa, não sou estrangeiro: “civis romanus sum”.
A Igreja de Roma e a Igreja do Oriente, a Ortodoxia, permaneceram longe uma da outra, por muitos séculos, lamentavelmente. Mas, desde há perto de 60 anos, somos muito próximas uma da outra: trabalhamos juntos, rezamos juntos, esperamos juntos que há de vir o dia abençoado da unidade plena, quando Deus quiser e como Deus quiser.
Em Espanha e Portugal, temos uma arquidiocese, uma metrópole, como lhe chamamos nós, temos um metropolita (Bessarion Komzias), arcebispo em Madrid, mas que é também responsável pelo vosso país. Ele trabalhou durante mais de 15 anos aqui no Patriarcado Ecumênico, na nossa Sede, e há dois anos foi promovido e transferido a Madrid. Recentemente, tornou-se membro do Santo Sínodo; isso comporta que mensalmente virá de Madrid ao Patriarcado Ecumênico para participar dos trabalhos do Santo Sínodo.
Temos esse sistema de administração, posso dizer democrático: todos os metropolitas participam durante um ano no Santo Sínodo, e voltam novamente após quatro ou cinco anos como membros do Santo Sínodo. Deste modo, tomamos as decisões todos juntos. Não sempre a uma só voz; por vezes, só com a maioria. Seria melhor ter a homofonia, mas nem sempre acontece.
Acompanhamos com interesse as reformas que Sua Santidade o Papa Francisco faz na Igreja Católica. É preciso fazer reformas para que o nosso testemunho ao mundo seja mais aceitável, convincente! Sei que a Cúria Romana nem sempre está de acordo, mas o Papa Francisco é muito corajoso (sorrisos). Rezamos pela sua saúde porque ultimamente não tem estado muito bem. Espero voltar a vê-lo em breve.
Cada vez que sou seu hóspede em Santa Marta, no Vaticano, faço também uma visita ao Papa emérito Bento porque também com ele colaborámos muito fraternalmente.
Aqui em Constantinopla há muitas coisas para ver, admirar, conhecer. Espero que gosteis muito da nossa cidade, que não se chama “eterna”, mas é eterna (sorrisos). Serviu como sede de um império cristão durante mais de 1.100 anos.
Nos, católicos, ortodoxos, armênios, siríacos, somos pequeninas, pequeninas minorias; digo frequentemente que somos uma gota cristã num oceano muçulmano. No entanto, apesar disso, com a graça de Deus, sobrevivemos e estamos aqui como Patriarcado Ecumênico há dezEssete séculos. Deo gratias!
Obrigado pela vossa visita. É um grande prazer para mim! É, ao mesmo tempo, é uma ocasião para não esquecer o meu italiano (sorrisos). Boa viagem de regresso. E cordiais saudações aos vossos compatriotas, ao vosso arcebispo e ao Patriarca de Lisboa.
E, agora, venham todos aqui para uma foto!









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