Concelebrando convosco a venerável memória do Príncipe dos Apóstolos, Pedro, e do Apóstolo e Arauto das Nações, Paulo, que ambos sofreram o martírio em Vossa Sé e a quem honramos grandemente, tanto na Antiga quanto na Nova Roma, e continuando com a abençoada tradição da troca de visitas oficiais das Delegações de nossas Igrejas durante as Festas das Cátedras, dirigimo-nos a Ti com esta fraternal saudação festiva.
Nossos sentimentos fraternais e votos de parabéns nesta grande festa são pessoalmente transmitidas a Vossa Santidade através da nossa Delegação Patriarcal consistindo de Sua Eminência, o Ancião Metropolita Emmanuel de Calcedônia, presidente da Comissão Sinodal para o Diálogo Inter Cristão e Inter-religioso; Sua Eminência, o Metropolita Iosif de Buenos Aires; e o Reverendo Diácono Patriarcal Barnabas Grigoriadis, secretário da Delegação.
Devido à pandemia, os encontros do Comitê Coordenador da Comissão Internacional Conjunta tiveram que ser adiados por mais de um ano. Entendemos muito bem a razão pela qual a Comissão prefere reunir-se face-a-face, porque os assuntos que estão sendo discutidos não são questões meramente acadêmicas. Estamos cientes de que apenas um encontro em um espírito fraterno pode curar as feridas do passado e estimular a sede pela restauração da comunhão eucarística entre nossas Igrejas irmãs — que é o objetivo principal do nosso diálogo teológico bilateral. Por isso, rezamos para que o Comitê Coordenador da Comissão seja capaz de reunir-se em maio de 2022, como é agora planejado, para revisar o rascunho do documento sobre o tópico crucial da “Primazia e Sinodalidade no segundo milênio e nos dias de hoje”, para que este encontro seja bem sucedido, e que abra o caminho para a próxima sessão plenária da Comissão.
O diálogo teológico entre a Igreja de Roma e a Igreja Ortodoxa é o locus de produção de um profundo conhecimento teológico que enriquece os intercâmbios e experiências ecumênicas e espirituais. Os textos deste diálogo confirmam nossos arquétipos cristãos comuns e constituem uma valiosa herança para nossas Igrejas. Sem qualquer minimalismo teológico, continuamos nossos corajosos esforços ecumênicos, revigorados pelo abençoado maximalismo do verdadeiro amor fraterno.
O período complicado da pandemia do Covid-19 foi uma oportunidade para rezarmos pelos nossos irmãos e irmãs que sofrem, e pelas suas famílias, pelos doutores, enfermeiros e profissionais médicos, pelos cientistas e por aqueles responsáveis pela pesquisa e desenvolvimento de vacinas e medicamentos. Este tempo de dificuldade demonstrou claramente o significado de corresponsabilidade e cooperação, o poder do amor e da compaixão. Vossa última Encíclica, Fratelli Tutti, lembrou-nos da verdade de que a fé genuína em Deus, que inclui amor e respeito por todos os seres humanos, fortalece a fraternidade e o suporte mútuo. Se cremos que todas as pessoas são criadas iguais, que somos chamados a viver juntos em paz como irmãos e irmãs, se aceitamos a origem divina do homem e seu destino eterno, então certamente reconhecemos nossa responsabilidade, sabemos que temos que lutar contra todos os tipos de discriminação e exclusão, que devemos ver o próprio Cristo na face de cada ser humano vulnerável e agir de acordo com a exortação de nosso venerável predecessor São Gregório, o Teólogo: “Enquanto houver tempo, visitemos a Cristo, curemos Cristo, alimentemos Cristo, demos acolhida a Cristo, honremos a Cristo.” (Sobre o amor pelos pobres, PG 35, 909). Esta é também a mensagem do texto “Pela Vida do Mundo. Por um Ethos Social da Igreja Ortodoxa”, preparado por uma comissão especial de teólogos ortodoxos e aprovado pelo Santo e Sagrado Sínodo do Patriarcado Ecumênico (janeiro de 2020). Este texto elabora mais profundamente o ensinamento social do Santo e Grande Concílio da Igreja Ortodoxa (Creta, junho de 2016), cujo quinto aniversário celebramos este ano, rendendo louvores, glória e honra ao Doador de “cada bem e cada dom perfeito” à Sua Igreja.
Lembramos com carinho de nosso encontro em Roma durante o último outubro, além do Encontro Internacional de Oração pela Paz, intitulado: “Ninguém se salva sozinho — Paz e fraternidade”. Devemos continuar o esforço conjunto contra os principais problemas contemporâneos que impedem a humanidade e, principalmente, seus membros vulneráveis. Com sincera alegria, acompanhamos a peregrinação de Sua Santidade ao Oriente Médio, que transmitiu a preciosa mensagem de paz e fraternidade às pessoas de uma região afetada pela guerra, violência e ódio. O futuro da humanidade depende da coabitação pacífica e da aceitação e promoção de valores comuns universalmente compartilhados, e da proteção e cultivo de identidades específicas para além de qualquer idolatria de particularidade. Precisamos de uma mútua “teologia de alteridade”, para a qual a diversidade de culturas não contradiz o plano da economia divina, mas, ao invés disso, revela comunhão e alteridade como dois parâmetros centrais da vida em Cristo. Em nosso mundo multicultural, nosso dever diante de Deus e de nossos companheiros humanos é a troca intercultural, comunicação e interação, respeito mútuo e solidariedade sincera.
Neste espírito, abraçando-Te fraternalmente, Sua Santidade, e desejando que o Senhor da Glória possa garantir-Te saúde e força pelo bem da Igreja, de toda a humanidade e da integridade da criação, permanecemos com muito amor e honra em Cristo, Deus e Salvador nosso, a quem imploramos para que abençoe nosso comprometimento e nossos esforços compartilhados de unidade.
No Patriarcado Ecumênico,
29 de junho de 2021.
S.S., amado irmão em Cristo
BARTOLOMEU
Arcebispo de Constantinopla – Nova Roma
e Patriarca Ecumênico









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