Com a atenção da comunidade internacional voltada, nas últimas semanas, para a encíclica Magnifica Humanitas, publicada em 15 de maio de 2026 pelo Papa Leão XIV de Roma, e para as diretrizes nela apresentadas sobre a salvaguarda da dignidade da pessoa humana diante do rápido avanço da Inteligência Artificial, vale recordar que Sua Santidade o Patriarca Ecumênico Bartolomeu esteve entre os primeiros líderes religiosos de projeção mundial a refletir publicamente sobre as implicações espirituais dessa tecnologia, relacionando-as com as verdades permanentes da fé cristã.
Já em dezembro de 2024, Sua Santidade declarou a abertura da 4ª Conferência Internacional sobre “Inteligência Artificial, Tecnoética e Juventude”, que ocorreu no Marasleion Didaskaleio, em Atenas. Em seu discurso, ele lembrou aos participantes que
“a tradição ortodoxa é uma fonte inesgotável de princípios e verdades vitais para o homem e o mundo”.
Como ele próprio havia salientado,
“regozijamo-nos com o diálogo da teologia com a ‘inteligência artificial’, confirmando seu caráter de ‘teologia dialética’”.
Ao mesmo tempo, ele também mencionou a oposição que alguns acreditam existir entre fé e ciência, sublinhando que devemos utilizar cada nova inovação científica com o critério da responsabilidade moral.
“A Igreja, por meio do uso responsável da inteligência artificial, exorta os jovens a cultivarem a ‘inteligência espiritual’, explorando e apropriando-se dos inestimáveis tesouros espirituais e culturais de nossa Tradição Ortodoxa”.
Pouco depois dessa conferência, em janeiro de 2025, Sua Santidade enfatizou que
“a inteligência artificial pode contribuir substancialmente para a proteção ambiental, a educação e a saúde, oferecendo novas possibilidades para abordar os importantes problemas que a humanidade enfrenta. Ao mesmo tempo, porém, ao violar frequentemente a privacidade, ampliar as desigualdades e possivelmente minar as instituições, essa poderosa ferramenta também apresenta sérios riscos.”
Sua Santidade também enfatizou que
“a aplicação da inteligência artificial pressupõe o respeito pela dignidade humana, a salvaguarda das liberdades fundamentais e a promoção da justiça social”.
E acrescentou ainda:
“a tradição cristã ortodoxa enfatiza o discernimento e a orientação moral juntamente com a pesquisa e o desenvolvimento científicos”.
Em 8 de maio de 2026, o Patriarca Ecumênico declarou:
“É certo que, no futuro, falaremos da era antes e depois da inteligência artificial”.
E advertiu que
“apesar do progresso científico verdadeiramente impressionante de nossa época, a plenitude da existência humana e da humanidade não são autoevidentes nem garantidas. Requerem dedicação e luta. É por isso que a educação deve ajudar os alunos a descobrir e abraçar os valores espirituais”.
À medida que a inteligência artificial se dissemina e evolui, Sua Santidade enfatizou que
“a vida real é mais do que números e existe além da lógica árida. A vida não é digital. A alma humana é repleta de emoções, empatia e tem a capacidade de discernir o essencial”.
Em outro discurso proferido no mesmo dia, Sua Santidade reiterou que a inteligência artificial jamais poderá satisfazer os anseios mais profundos da alma humana e que não deve ser transformada em instrumento de desumanização do homem. “A humanidade”, disse ele,
“apesar de suas enormes conquistas, como a Inteligência Artificial — cujo uso adequado e prudente esperamos e desejamos — ainda frequentemente sucumbe ao seu próprio egoísmo.”
Em um discurso proferido em abril de 2026, Sua Santidade também se referiu à realidade do sofrimento humano, que não deve ser ignorada, visto que a inteligência artificial transforma cada vez mais as nossas vidas. Ele enfatizou que, com o avanço da tecnologia, a sabedoria espiritual da Igreja torna-se ainda mais necessária. “Diante de tais desafios”, observou,
“seria uma ilusão buscar abordagens puramente tecnocráticas. Por trás das estatísticas e das análises econômicas, esconde-se sempre a realidade humana: vidas destruídas, povos desenraizados. O sofrimento humano sempre espreita. É por isso que a fragmentação do mundo não diz respeito apenas às estruturas; ela também reflete uma crise antropológica mais profunda. Estamos, portanto, diante de uma escolha decisiva: ou aceitamos a divisão como uma realidade inevitável ou nos comprometemos resolutamente a construir uma ordem mundial fundada na solidariedade. Nesse contexto, a interdependência e a reciprocidade das relações humanas são uma necessidade urgente.”
Essa questão específica surge frequentemente nas intervenções de Sua Santidade, pois ele a considera um ponto-chave da inteligência artificial e de sua correta utilização. Como afirmou em setembro de 2025:
“Nos últimos anos, testemunhamos a disseminação e a crescente influência da “inteligência artificial”, considerada o ápice do progresso tecnológico. Suas aplicações se estendem a todas as áreas da vida humana. (…) Nenhuma pessoa sensata pode negar os benefícios da ciência e da tecnologia. É inegável, porém, que a ciência não pode fornecer respostas e soluções para os grandes problemas existenciais e sociais que afligem a humanidade: violência, injustiça, fundamentalismo religioso, os impasses nas relações humanas e, sobretudo, o “inimigo supremo”, a morte. Outras forças, principalmente a fé religiosa, respondem a essas questões.”
As reflexões do Patriarca Ecumênico Bartolomeu revelam uma preocupação constante em assegurar que o desenvolvimento tecnológico permaneça a serviço da pessoa humana e do bem comum. Em um tempo marcado pela rápida expansão da Inteligência Artificial, sua voz recorda que o progresso científico, embora valioso, necessita ser acompanhado pelo discernimento moral, pela responsabilidade ética e pela sabedoria espiritual, para que a tecnologia contribua verdadeiramente para a promoção da dignidade humana.
FONTE: fosfanariou


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