PROTOCOLO Nº 213
† BARTOLOMEU,
PELA MISERICÓRDIA DE DEUS
ARCEBISPO DE CONSTANTINOPLA-NOVA ROMA
E PATRIARCA ECUMÊNICO
A TODO O PLEROMA DA IGREJA
SEJAM A GRAÇA E A PAZ
DE NOSSO SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO
E DE NOSSA PARTE, A ORAÇÃO, A BÊNÇÃO E O PERDÃO.
A nossa Santíssima Igreja Ortodoxa festeja no dia de hoje, [o Domingo da Ortodoxia], com toda a sua magnificência, a sua Festa, e a Mãe Igreja de Constantinopla, – da histórica e marcada pelo sangue dos mártires sede do Patriarcado Ecumênico – dirige a sua bênção, a ternura e o amor a todos os seus devotos filhos espirituais e fiéis em todo mundo, convidando-os a festejar em oração.
Bendito seja o Nome do Senhor! Aqueles que se aplicaram ao longo dos tempos em fazer desaparecer a Igreja através de diversas formas de perseguição, visíveis ou invisíveis; aqueles que tentaram corrompê-la com os seus ensinamentos heréticos; aqueles que tentaram silenciá-la, privando-a de sua voz e de ser testemunho no mundo, todos eles fracassaram. A multidão dos mártires, as lágrimas dos bem-aventurados e as preces dos santos a protegem espiritualmente, enquanto que, o Paráclito, o Espírito da Verdade a conduz à plenitude da verdade.
Com sentimento de dever e de responsabilidade, apesar dos obstáculos e desavenças, o Patriarcado Ecumênico, na qualidade de primeira Igreja entre as igrejas ortodoxas, preocupa-se em resguardar e consolidar a unidade da Igreja Ortodoxa, para que num só coração e numa só voz seja confessada a fé ortodoxa de nossos Santos Padres, em cada época e, em especial, em nossos dias. A Ortodoxia não é um tesouro de museu que deva ser apenas conservado; mas um sopro de vida que deve ser estendido a todos, para que leve vida aos homens. A ortodoxia é sempre atual, desde que a anunciemos com humildade e a interpretemos tendo em conta as necessidades e os problemas existenciais do homem, em cada época e em cada contexto cultural.
Para tanto, a Ortodoxia deve estar em diálogo permanente com o mundo. A Igreja Ortodoxa não teme o diálogo, pois a Verdade não o teme. Se, ao contrário, a Ortodoxia se fecha em si mesma e não dialoga com os que estão fora, não somente haverá de fracassar em sua missão, como também deixará de ser uma Igreja «católica» e «ecumênica» tornando-se um grupo fechado e autocomplacente, um «gueto» à margem da história. Por esta razão também, os grandes Padres de nossa Igreja jamais temeram o diálogo com o contexto espiritual de sua época, nem mesmo com os filósofos idólatras e, deste modo, influenciaram e transformaram a civilização de seu tempo e nos legaram uma Igreja verdadeiramente Ecumênica.
Hoje a Igreja Ortodoxa é chamada a continuar este diálogo com o mundo atual, a fim de dar seu testemunho e o alento vivificador de sua fé. No entanto, este diálogo não alcançará o mundo exterior se não passar primeiro por todos aqueles que levam o nome de «cristãos». Primeiro devemos dialogar entre nós, os cristãos, e resolvermos nossas diferenças, para que o nosso testemunho no mundo seja crível. O esforço para promover a unidade entre os cristãos é, antes de tudo, vontade e mandato do Senhor, o qual, antes de sua Paixão, orou ao Pai para «que todos sejam um, a fim de que o mundo creia que Tu me enviaste» (Jo 17,21). Não é possível, portanto, que permaneçamos indiferentes ao pedido de unidade dos cristãos feita pelo Senhor. Isto constituiria uma traição criminosa e uma transgressão ao seu divino mandamento.
Precisamente por esta razão é que, de mútuo acordo entre todas as Igrejas ortodoxas locais, o Patriarcado Ecumênico vem, há décadas, conduzindo diálogos teológicos oficiais (pan-ortodoxos) com as diversas igrejas e confissões cristãs históricas. O objetivo destes diálogos é a discussão, em espírito de amor, de todas aquelas coisas que nos separam, tanto na fé, como na organização e na vida da Igreja.
Lamentavelmente, estes diálogos e cada intento de relações pacificas e fraternas entre a Igreja Ortodoxa e os demais cristãos, são hoje combatidos com um fanatismo intolerável – à luz da Tradição ortodoxa – por certos grupos que reclamam exclusivamente para si mesmos o título de «zelosos defensores da ortodoxia», como se todos os Patriarcas e Santos Sínodos que compõem as diversas igrejas ortodoxas em todo mundo – por unanimemente apoiarem a continuação destes diálogos – não fossem verdadeiramente ortodoxos. Estes inimigos de cada intento para o restabelecimento da unidade entre os cristãos se posicionam acima dos Sínodos Episcopais da Igreja, constituindo-se em ameaças de cismas no seio da Ortodoxia.
Em suas argumentações polêmicas, estes críticos do restabelecimento da unidade entre os cristãos nem sequer hesitam em distorcer a realidade, semeando enganos entre os fiéis. Silenciam sobre o fato de que os diálogos teológicos são levados a cabo por decisão unânime de todas as igrejas ortodoxas, atacando exclusivamente o Patriarca Ecumênico. Propagam falsos rumores de que a união entre ortodoxos e católicos romanos é iminente, embora saibam muito bem que as diferenças discutidas nesses diálogos teológicos são numerosas e que demandarão ainda um longo tempo de discussão. Além disso, sabem que a unidade não é decidida pela comissão teológica, mas pelos Santos Sínodos das igrejas. Afirmam também que o Papa de Roma irá, supostamente, subjugar os ortodoxos, e julgam a todos os que participam dos diálogos como «hereges» e «traidores» da Ortodoxia, simplesmente por dialogarem com os heterodoxos, compartilhando com eles as riquezas e a Verdade de nossa fé. Descredenciam cada esforço de diálogo para a reconciliação dos cristãos separados e cada intento em vista da restauração da unidade, referindo-se aos mesmos como «heresia do ecumenismo», sem, no entanto, oferecer qualquer prova de que, no decurso das relações com os não-ortodoxos, a Igreja Ortodoxa tenha deixado ou negado os dogmas dos Santos Concílios Ecumênicos e dos Padres de nossa Igreja.
Irmãos e filhos amados no Senhor,
A Ortodoxia, para se proteger, não necessita de qualquer fanatismo ou intolerância. Aquele que crê que a Ortodoxia tem a verdade, não teme o diálogo, pois a verdade jamais foi ameaçada pelo diálogo. Ao contrário, enquanto em nossos dias todos se esforçam por solucionar as diferenças através do diálogo, a Ortodoxia não pode ser conduzida com extremismos e intolerância. Tende, pois, plena confiança em vossa Mãe Igreja! Esta Igreja que se manteve incorruptível ao longo dos séculos e que transmitiu a ortodoxia da fé a outros povos. E segue hoje sua luta em meio as circunstâncias adversas, para manter a Ortodoxia viva e respeitada em toda a «oikoumene».
Deste sacro centro da Ortodoxia, o Patriarcado Ecumênico, osculamo-vos fraternalmente e abençoamo-vos paternalmente a todos vós, irmãos e filhos no Senhor, desejando-vos saúde e santa compunção no transcurso das virtudes e lutas espirituais da santa e grande Quaresma, e que sejais dignos, juntamente com todos os fiéis e cristãos ortodoxos em todo o mundo, de contemplar a puríssima Paixão e Gloriosa Ressurreição de nosso Salvador Jesus Cristo.
Domingo da Ortodoxia 2010
† Bartolomeu de Constantinopla
fervoroso intercessor a Deus de todos vós
† Constantinos de Derkoi
† Evangelos de Perga
† Calínicos de Lystra
† Miguel da Áustria
† Alexis de Atlanta
† Iosif de Proikónison
† Demetrios de Sebaste
† Irineu de Miriófyton e Perístasis
† Crisóstomos de Myra
† Emanuel de França
† Macários de Gortyne e Arcádia
† Amfiloctios de Nova Zelândia
Tradução para Ecclesia BRASIL por:
Pe. Pavlos Tamanini e Pe. André Sperandio
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Fonte: Web site do Patriarcado Ecumênico






Também no meio católico romano há grupos que não toleram qualquer diálogo com os cristãos não católicos romanos por considerarem os que não estão unidos ao Bispo de Roma, o Papa, como como hereges e cismáticos. Eu rezo para que Jesus faça o milagre da Unidade dos Patriarcas com o Papa. Que juntos possam finalmente celebrar a Eucaristia num mesmo altar, erguendo juntos o Corpo e Sangue do Senhor. Peço que Jesus dê a todas autoridades o Seu desejo de Unidade. E que Ele mesmo derrube, com a força de Seu braço poderoso, todo obstáculo à Unidade. O mundo precisa deste testemunho. Sobre as autoridades das Igrejas, católicas (Bispos, Cardeais e o Papa) ou Ortodoxas (Patriarcas e demais autoridades) pesa o grande pecado da divisão e terão que prestar contas diante de Deus.