LIMA, Peru, 04 de dezembro de 2009 [Ortodoxia.org | CMI] «A água deve ser para todos porque é o sangue da Mãe Terra». Estas foram as palavras da congressista peruana Maria Sumire durante seu discurso no painel realizado na conferência «Água para a Vida e a Criação», realizada em Lima, Peru de 23 a 25 de Novembro. A reunião foi convocada pela Rede Ecumênica da Água (REDA) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI). O encontro reuniu pastores de várias denominações, sacerdotes, leigos, técnicos e administradores ambientais, líderes de movimentos sociais e políticos, geólogos, sindicalistas, jornalistas, representantes de ONGs, líderes comunitários dos povos indígenas da Costa Rica, Guatemala, El Salvador, Brasil, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Costa Rica, El Salvador, Argentina, Chile, Uruguai, Guatemala, Paraguai e Alemanha. O encontro teve como objetivo fazer uma abordagem do direito humano à água, ou seja, o direito de todos à água suficiente, saudável, aceitável, acessível e disponível para uso pessoal e comunitário, tudo isso examinado do ponto de vista ético-teológico que desafia a Igreja a assumir uma postura crítica e de denúncia frente à realidade que revela que a água está nas mãos de poucos, que os segmentos mais empobrecidos e vulneráveis são os que mais precisam pagar por um bem ao qual quase já não têm acesso, produto do exercício de um modelo de «desenvolvimento» que depreda e oprime o fraco e ante o qual a Igreja não pode e não deve permanecer impassível.
«Deus é o centro de valores e atitudes, não dogma. Ser cristão hoje em dia não é apenas fazer uma declaração de fé… relacionar-se com Deus é relacionar-se com os direitos próprios e os dos demais». Estas foram as declarações do pastor Rafael Goto, que também afirmou que toda ação humana deve estar orientada para a reconstrução da comunidade-Koinonia, em esteja acima de tudo o critério de participação e solidariedade, e onde a ética seja o código e o denominador comum das relações de justiça e bem-estar. Acrescentou ainda que, o Shalom não é só sinônimo de tranqüilidade e paz, mas o compromisso de cada ser humano como ator de um mundo cujos bens não são comuns e que, portanto, todos nós devemos nos sentir senhores e servos em co-existência e co-responsabilidade de uma perspectiva integradora que nos une para além da perspectiva da fé. Michael Windfuhr, presidente do grupo diretor da REDA, disse por sua parte, que é obrigação do Estado respeitar, proteger e garantir o direito de acesso à água potável, e que nenhum Estado tem o direito de estratificar o seu uso. A ênfase da jornada de três dias que girou em torno da necessidade de gestão da água, esteve sempre respaldada por comunidades organizadas em torno da defesa do direito à água. Para sustentá-lo, vários dos participantes relataram experiências de seus países, mostrando que se vem combatendo, quanto possível, em todos os espaços de incidência prática, mesmo correndo o risco de segurança de vida dos líderes comunitários. Além disso, se fez visitas de campo a diversas áreas urbanas marginalizadas de Lima, a fim de constatar o poder e a força da organização cidadã que tem assumido o seu papel como agente de mudança e transformação da sua comunidade. No final da consulta foi estabelecido um mecanismo que permita a continuidade e acompanhamento dos compromissos – pessoais ou institucionais – assumidos nesta, cujas linhas de ação visam fortalecer a reflexão bíblico-teológica; a informação e educação cidadã; a participação e incidência pública e política; o fortalecimento das redes ecumênicas a nível local, nacional e regional. O REDA é uma rede global de igrejas e organizações cristãs que ajuda na tomada de consciência sobre a crise da água, e promove o intercâmbio de informações entre as igrejas e organizações relacionadas com elas. O Conselho Mundial de Igrejas é a sede da secretaria da rede e ajuda a facilitar a cooperação entre os associados envolvidos. O CLAI é um dos membros do REDA.
(Tradução do espanhol: Pe. André)





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