Testemunho de inumeráveis acontecimentos que marcaram a tradição da Ortodoxia se eleva e transcende todo o tipo de obstáculos como digno baluarte bizantino o Patriarcado Ortodoxo de Constantinopla. Eleva-se, apesar de padecer todos os tipos de limitações, humilhações e perseguições, como testemunho da pureza evangélica de sua missão cristã de paz e de unidade, fielmente transmitindo o legado de Cristo através dos séculos. Durante minha última viagem maravilhosa, cujo itinerário foi paulatinamente tecendo-se qual fino encaixe, tive o privilégio de visitar o Fanar, lugar onde está situado o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, no Chifre de Ouro, península que se projeta para o Bósforo vestígio do antigo Império Bizantino, em um recôndito lugar e deliberadamente separado da cidade, mas cuja grandeza e domínio foi, é e será impossível ocultar ao longo dos tempos. Bartolomeu I, o Patriarca Ecumênico, o «Patriarca Verde» ou o líder pacifista por excelência, abriu no dia 1º de setembro de 2009, o novo ano litúrgico, com sua homilia dirigida a todos que participaram da Divina Liturgia realizada na Igreja Patriarcal de São Jorge, do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.
Comunidades gregas chegavam em grandes ônibus, procedentes de várias regiões do território heleno e do mundo, destacando-se um grupo formado por jovens da região do Ponto vestindo seus trajes típicos, contagiando com sua alegria, bem como os representantes da comunidade toscana a quem nosso Patriarca dirigiu-lhes palavras num perfeito italiano. Os arcebispos e bispos provenientes de todo o mundo sob a Jurisdição do Patriarcado, posicionados inicialmente em duas fileiras, em ambos os lados da igreja, um a um iam venerar o ícone da Santa Theotokos, belamente enfeitado com flores brancas. Revestiam-se com o homofórion, assinavam o grande livro e, depois de receber a bênção do Patriarca Bartolomeu, uniam-se a ele num ósculo fraterno. Seguindo a ordem, nosso arcebispo Tarasios, visivelmente emocionado, recebeu também a bênção de seu pai espiritual para um melhor início do ano litúrgico no cumprimento de suas funções no vasto território da América do Sul.
A iconostase da Catedral, finamente esculpida e dourada, fulgurava à luz das velas e das muitas lâmpadas de cristal, iluminando os belos ícones bizantinos ali postos. Coroando esta obra de arte, na parte superior central, uma linda cruz bizantina magicamente suspensa lembrava o símbolo da santa devoção ao sagrado calvário de Cristo. O arcebispo Tarasios, que chegou à Constantinopla acompanhado do senhor seu pai e de uma comitiva constituída por várias pessoas da Argentina e do Brasil, que o acompanharam para apresentar o seu respeito e o seu apoio e convidar, formal e pessoalmente, o Patriarca Bartolomeu para que, oportunamente nos honre com a sua visita e venha conhecer nossas belezas naturais na Antártida e na Patagônia, tendo assim a oportunidade de apreciar os nossos recursos hídricos e a situação de nosso meio ambiente. Respeitoso e fiel defensor do meio ambiente, tema que particularmente o atrai, e consciente de que, apenas o cuidado da natureza permitirá às gerações futuras desfrutar da criação de Deus, já percorreu vários lugares do mundo presidindo simpósios relativos ao tema. Depois de esperarmos alguns minutos na sala do trono onde havia um grande número de pessoas, fomos recebidos pelo Patriarca Bartolomeu, um homem santo, uma mente brilhante e cheio de uma generosa vitalidade que nos brindou com seu afável sorriso e sua simplicidade o testemunho da pacífica luta de todos os dias ante a difícil situação que vive ali nosso Patriarcado, firme bastião da Ortodoxia e evidência que nos inspira com espírito cristão, infatigável nas muitas adversidades, ostentando a bandeira da liberdade, da bondade e da concórdia, ensinando-nos que todos somos irmãos e que, apesar das diferenças, segue reanimando-nos a estreitar ainda mais os vínculos de união, paz e harmonia em toda a humanidade. [Fonte: Ortodoxia.org] (por: Drª. Ana Kostallas)
Tradução: Pe. André






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