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O Patriarca Ecumênico BARTOLOMEU I:  Vinte e cinco anos de ministério patriarcal (1991­-2016)

Por: Dom Makarios de Christopolis

Tradução do texto (espanhol)
por: 
Pe. André Sperandio

Pela graça de Deus, celebra-se neste ano o 25 ° aniversário daquele bendito dia em que o Santo Sínodo Endemousa do Patriarcado Ecumênico, guiado e inspirado por Deus, elegeu o Metropolita Bartolomeu de Calcedônia como Arcebispo de Constantinopla – Nova Roma e Patriarca Ecumênico.

Para alguns, este período de vinte e cinco anos lembra a brevidade da vida; a outros, parece dela um capítulo principal, durante o qual se experimenta as circunstâncias e momentos únicos e sem precedentes. Em última instância, a vida de um homem não é medida apenas por suas obras ou por sua herança ou legado, mas principalmente pela forma como se vive. Sobretudo nós, os clérigos, muitas vezes nos empenhamos em uma série de esforços práticos para angariar fundos e, logo depois, poder colher os louvores do mundo e da Igreja; e no entanto, quando fazemos um relato pessoal de nossas vidas, reconhecemos que o propósito de um clérigo não está nessas conquistas, mas em sua personalidade.

O que fazemos não é tão importante. O importante é quem somos.

Para que alguém entenda e experimente a presença de Deus, é preciso que permaneça em um estado de sacrifício. Alguém que esteja apegado à sua própria pessoa, perde o sentido da vida; e mais: o que se afasta de suas próprias necessidades, apenas para juntar, entesourar mais posses, não caminha em direção a vida, mas se desliza progressivamente em direção a morte.

Ao relatar esses 25 anos de seu ministério patriarcal, dá-se conta da sabedoria e da experiência das palavras de nosso Patriarca.

«Pela graça e inesgotável misericórdia de Deus», diz, «eu cumpri vinte e cinco anos de humilde serviço ao Trono Patriarcal de Constantinopla. Por isso rendo graças e glorifico a Deus, sabendo que a maior parte deste serviço já passou. Ao final desta jornada de paixão e testemunho, gostaria de lembrar a todos que há outro modo de existência e vida. Temos de fazer algo pelos demais, não apenas devemos fazê-los pessoas melhores, mas, principalmente, ensiná-los a vencer a morte».

Esta confissão é o fruto abundante que resulta destes vinte e cinco anos de vida e entrega: «ensinemos aos demais a vencer a morte». A mensagem de nosso Patriarca é, essencialmente, uma explosão de luz que ilumina e interpreta toda a sua vida – a passada e a que está por vir – precisamente porque o que mais conta nestes últimos 25 anos não se encontra no que lhe é exterior ou na vastidão de sua obra, mas no seu modo de vida.

Assim, de forma pacífica e silenciosa, nosso Patriarca nos ensina que o tempo adquire força e dá significado à criação somente a medida em que nossa vida testifica a vitória sobre a morte. A presença do Patriarca Bartolomeu no tempo (25 anos) nos julga e nos apoia, precisamente por que tal presença é, ao mesmo tempo, tão real, corajosa, vibrante e audaz. É cheia de vida. Ele vive em pessoa a Ortodoxia.  Vive a Ressurreição de Cristo e aniquila a morte, destruindo todas as formas de miséria e corrupção e preenchendo tudo com uma luz que não é visível aos olhos físicos.

O primeiro lustrum (quinquênio): «Vem e vê!»

O início, 2 de novembro de 1991, de um ministério tão importante e cheio de responsabilidade, representa, em primeiro lugar, uma nova viagem em que Deus também está presente. Enquanto o Patriarca, imediatamente após sua eleição, ascende os degraus do Trono Patriarcal, desce essencialmente e, ao mesmo tempo, a um túmulo, pois que deve renunciar e abolir seus próprios desejos, abandonar tudo o que constitui a sua vida, sacrificando todo o pessoal e privado.

Tudo o que existe realmente, pertence a Deus. O que pertence a si mesmo não tem existência ou subsistência. Portanto, quando o Patriarca se situa no trono patriarcal, contempla tudo o que tem princípio, mas não tem fim.  Testemunha e experiencia o interminável, o verdadeiramente real e eterno: o que nenhum ser humano pode alcançar.

Ao ter sentido – assim como o seu predecessor, o apóstolo André, o Primeiro Chamado e fundador da Igreja de Constantinopla – a particular alegria do encontro com Cristo, anuncia, desde o princípio de seu ministério patriarcal: «Encontramos o Messias!» E mais: seu discurso de entronização, divinamente inspirado, não é senão um convite aberto e pessoal para que todos entrem nos átrios da Mãe Igreja e vejam por si mesmos, para que provem e experimentem, em pessoa, a Verdade e a Vida que é Cristo e sua Igreja.

Esta exortação, com todo o seu dinamismo, é a que prevalece neste primeiro lustrum, ou seja, nos primeiros cinco anos.  O convite para «vir e ver», dirigido a todas as pessoas, torna-se o sacro desejo do coração do Patriarca e a sua visão de acordo com a vontade de Deus. Muitos experimentaram a paixão do Patriarca. Ouvi a voz e vi a Cidade Real, descobrindo a sinceridade e humildade e ao «Aba da ortodoxia» esperando-os na história, «porta do estrangulamento»[1] com um abraço cheio de amor e compaixão e com o rosto iluminado.

Primazes, hierarcas, clérigos, leigos e monges, Arcontes e Reis entraram nos átrios da Mãe Igreja, esperando encontrar a glória humana; no entanto, experimentaram algo bem diferente: contemplaram a «Jesus Cristo crucificado» e escutaram um pequeno coração que batia ritmicamente para dirigir um grande corpo, o corpo da Ortodoxia. E experimentaram um dom incompreensível, um dom pessoal e interior. Sentiram a alegria e o consolo e disseram: «Deus está satisfeito comigo». E, naquele exato momento entenderam, finalmente, o que significa «encontrar o Messias».

 Deus está presente e o sentimos e o reconhecemos; Ele é nosso verdadeiro tesouro; Ele é a nossa alegria e a plenitude que Cristo outorga.

É um fato incontestável que, quando o homem experimenta uma alegria como a que o Patriarca compartilha mistagogicamente com todos os que o visitam, os «afãs temporais de seu coração» ficam eliminados e entra numa unidade universal com a Igreja, uma disposição interna «iniciada por Cristo»[2].

O Patriarca Bartolomeu conseguiu reunir em um determinado lugar e de um modo tangível para a Igreja e para a hierarquia.

O segundo lustrum (quinquênio): voltar a experimentar Pentecostes

Assim, os primeiros cinco anos deste abençoado patriarcado, período introdutório para quem visita a «cátedra da Misericórdia» da Igreja – o humilde Fanar – ficou completo. Imediatamente após, teve início o segundo lustrum, caracterizado como uma nova experiência de Pentecostes. Já no início de suas extraordinárias responsabilidades, o Patriarca deixa o centro sagrado e faz uma primeira parada na Santa Montanha. Inaugurou assim uma nova prática: abriu as portas do Patriarcado, não apenas para que o mundo viesse ao Fanar, mas, e acima de tudo, para que o Fanar entrasse para o mundo.

Sua intenção é ter, na medida do possível, um contato mais próximo e intenso com as Igrejas Ortodoxas Locais e com as eparquias do Patriarcado Ecumênico.  Acredita firmemente no valor e nos resultados do contato pessoal, que considera necessário e fundamental quando, de vez em quando, surgem questões eclesiásticas. Por esta razão, no início de seu segundo quinquênio, empreende corajosamente uma viagem de paz e de amor em volta do mundo. Visita os antigos Patriarcados, as Igrejas Ortodoxas Locais e as eparquias do Patriarcado Ecumênico em todo o mundo. Visita também numerosas Igrejas cristãs, organismos intereclesiais, instituições internacionais, parlamentos, congressos e reinos.

Graças à sua conduta amável e a sua presença carismática – que por si mesmo são uma mensagem e um sinal do testemunho de Cristo-, transforma as almas das pessoas.  O «laos» – ricos e pobres, fiéis e infiéis, homens e mulheres, jovens e anciãos – procurando tocar sua veste preta. As pessoas correm para ele com fé e devoção; aproximam-se dele com amor e anseio, como a de um representante do Senhor. E esta gente – determinada, renovada e abençoada – se posiciona ante as muralhas de proteção da Terra Santa e grita na passagem do Patriarca: «Vejam, o noivo se aproxima! Vamos ao seu encontro!».

Mas a sua viagem não se acaba nesta vida; é perpetuada na eternidade na medida em que esculpe a marca de Cristo e da Igreja Ortodoxa em todos os lugares por onde passa. Em suas viagens ao redor do mundo revitaliza o mistério de Pentecostes. Em todos os lugares visitados pela Primaz da Ortodoxia, há manifestações de renovação, restauração, preparação, generosidade, júbilo e sabedoria. Trata-se de uma grande variedade de povos, línguas, etnias: «Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes» (At 2, 9-11), pessoas de diferentes raças, diferentes tradições e costumes; todos eles experimentam a presença de Deus em um lugar concreto e a uma só voz e imediatamente transformam o lugar que recebe o Patriarca em um contínuo Pentecostes.

Soa um alarme terrestre e celestial. Os céus e a terra se alegram!

O terceiro lustrum (quinquênio): tocou todos os membros da criação… e libertou as vítimas do engano.

Pela graça de Deus, o Patriarca entra o terceiro quinquênio com uma energia singular que brota a partir de suas experiências. Não se trata de mera sabedoria cognitiva, mais da culminação de sua experiência ao longo de dez anos, que procede do sofrimento e não do costume.

Agora é mais próspero. Rejeita o isolamento e o egoísmo e começa a governar com uma profunda fé na unidade. Para o Patriarca Bartolomeu I, não existe oração isolada. Não há nenhuma salvação individual. O «ethos» dos Santos da Igreja é ecumênico e desprendido, e não individual; por isso, em suas conversações diárias com Deus, diria: «Senhor, se o mundo não se salvar, que nós, tampouco, nos salvemos»

A pessoa que caminha na verdade alcança grande compaixão e sensibilidade. Reza pelo mundo inteiro e luta, esforça-se para não esquecer ninguém. Anseia unir-se a cada pessoa e toda a criação ao mesmo tempo. Assim, nosso Patriarca sente um tremor em seu coração pelo mundo inteiro e ama toda a criação de Deus com paixão: flores, árvores, animais, o mar, os céus, as criaturas que voam e as que se arrastam, a luz, o sol, a lua e todas as coisas visíveis e invisíveis.

É como se possuísse um grande anseio interno de submeter-se a Deus, juntamente com todas as pessoas e toda a criação. Sente uma grande união, fusão, proximidade e segurança com todas as coisas do mundo. Em sua pessoa pode-se identificar uma grande compaixão para com a criação e o meio ambiente; não estranha, pois, ser frequentemente chamado de «Patriarca verde».

Durante o terceiro quinquênio, o Patriarca intensifica seu desejo de proteger o meio ambiente, promovendo o início do Novo Ano Eclesiástico (Indicção) como dia dedicado à proteção da criação. Muitas outras coisas ocorrem neste período ─ não mundanas e seculares, mas essenciais – de acordo com a guia do Espírito Santo.  E tudo isso é fruto do amor e de um desejo interior ardente de compaixão.

Ele ama e suspira, trabalha e contempla o nosso convívio harmonioso com a criação.  E, enquanto muitos outros manifestam a sua preocupação por este mundo ferido, o Primaz da Igreja, com sua sensibilidade inspirada pelo Espírito, «toca em membro da criação… libertando-o do engano»[3]. O Patriarca nos ensina o caminho ascético da moderação e como impor limites aos nossos desejos insaciáveis. Pois, se quisermos verdadeiramente ajudar a criação, temos de fazer mudanças em nossas vidas; contudo, essas mudanças devem começar por nós mesmos e por um desejo de transfigurar nosso modo de vida.

Desta maneira, a Igreja Ortodoxa, através dos esforços do Patriarca, corretamente revela como concebe a crise ambiental, aqueles que creem no Criador do mundo e aqueles que não creem, mas que reagem a esta crise mediante a racionalidade secular. Esta diferença encontra-se muito bem resumida pelo predecessor do Patriarca, o Arcebispo de Constantinopla, São João Crisóstomo: «Nisto nos distinguimos daqueles que não creem, daqueles que têm uma outra visão de mundo. O que não crê, olha para o céu e o adora, pois o considera divino. Aquele que não crê, olha para a terra e a lavra, pois a confunde com as coisas materiais. Nós, porém, olhamos para o céu, contemplamos e admiramos o seu Criador. Pois o céu não é Deus, mas uma criatura de Deus.  Olho para toda a Criação, e através dela sou remetido ao seu criador. Eu vejo as coisas de forma diferente em relação ao descrente».

O Patriarca Bartolomeu I torna-se a voz atribulada para a humanidade de uma criação ferida, tentando, desta maneira, prevenir e até mesmo curar as feridas causadas pelas intervenções que tem mostrado seu potencial destrutivo para a criação e para o homem.

O quarto lustrum (quinquênio): «Não busquemos triunfar sobre nossos irmãos, mas abraça-los»

De acordo com o Santo Evangelho, a Igreja Ortodoxa precisa estar próxima do mundo, especialmente daqueles que estão afastados dela.  O Patriarca assim o fez, corajosamente.  O quarto quinquênio, à luz dos 1700 anos do Édito de Milão, animou o Patriarca da Igreja a abrir as portas da Ortodoxia e, num espírito de desprendimento, amor, compreensão e respeito pela diversidade do próximo, convidar a todos os povos a «vir e ver».

Dirigindo-se a indivíduos de diferentes tradições religiosas, lhes assegura que não pretende «triunfar, mas abraçar os nossos irmãos, cuja separação nos enche de angústia».  Não buscamos, nem como pessoas, nem como Igreja, subjugar; em vez disso, confessamos o nosso desejo de abraçar os nossos irmãos, cujo afastamento nos machuca e nos perturba. Não desejamos subjugar, mas experimentar o amor na comunhão, mesmo com nossos irmãos separados.

Neste espírito, o Patriarca abraça toda a humanidade, a natureza comum e universal da raça humana. Leva todos os povos em seu coração; os eleva à altura de seu olhar com seus sofrimentos, problemas, dores e males, com seus falsos ensinamentos e até mesmo suas pretensões. Deixamo-nos levar com facilidade pelo mundo e erigimos muros que dividem as pessoas, esquecendo o que o Patriarca tem sempre em mente: o mundo inteiro foi chamado por Deus para se tornar uma Igreja, o Corpo sagrado de Cristo.

Todas as relações do Patriarca tornam-se teóforas (portadoras de Deus) porque estão seladas com o selo do dom do Espírito Santo. Ademais, nos diz o Senhor no livro do Apocalipse: «Eis que faço novas todas as coisas». Se abraçamos esta mensagem, seremos libertados da velha forma de pensar e de agir, como o Patriarca, que considera que nós sempre devemos nos conduzir «em novidade de vida». Sob a sua égide, portanto, se empreendem diálogos formais com líderes religiosos, que são realizadas, naturalmente, não para trair a nossa fé, mas para facilitar a reconciliação e para que todos possam conhecer o esplendor da Ortodoxia. Através destes diálogos, intercristãos e interreligiosos, a Igreja Ortodoxa foi apresentada e conhecida em todo o mundo.

Dada a sua admirável sabedoria patrística, os frutos extraordinários de sua hinografia, seus magníficos ofícios litúrgicos e sacramentos, a variedade da iconografia didática, as decisões divinamente inspiradas dos concílios ecumênicos, sua arte eclesiástica única, a sua teologia viva, o desenvolvimento do monaquismo etc., a Santa Igreja, não só não tem nada a temer destes tais diálogos que, ao contrário, oferecem a oportunidade de expandir-se e levar aos outros a mensagem da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

O Patriarca Bartolomeu I, tendo presente o esplendor da Ortodoxia, não hesita em participar de qualquer intercâmbio de opiniões, e isto porque, para o Patriarcado, o critério para a comunhão com os demais é sempre o amor e a verdade.  O êxito não significa desviar-se do nosso próximo, mas atrair a atenção do Senhor para o nosso trabalho e esforços em vista de melhor ajudar nossos irmãos afastados a ver a luz e buscar a verdade.

Somente a experiência do Deus Uno e Trino penetra a vida do homem e lhe oferece a possibilidade de trasladar-se do efêmero para o eterno e os meios para entrar no dia do «eskaton», que é destino final de todos nós.

O quinto lustrum (quinquênio): a hora da Ortodoxia

Finalmente, o Espírito Santo supervisiona todas as coisas. Tudo que não conseguimos por nossos próprios esforços se pode conseguir por sua intercessão, pois o Espírito Santo atrai-nos ao amor e à unidade. Vinte e cinco anos se passaram e o Patriarca não se esqueceu em nenhum momento da promessa que fez no primeiro dia: «Venham e vejam».  A ortodoxia, como única Igreja de Cristo, está obrigada, perante Deus e perante a história, a dar um testemunho de unidade através de uma voz humana.  No entanto, não é suficiente dizer simplesmente aos que sofrem, aos atormentados, aos atribulados e indignados: «Venham e vejam». Temos de assegurar que, quando essas pessoas vêm até nós, encontrarão um abraço generoso e uma Igreja consoladora que irá transfigurá-los e renová-los.

O intuito de alcançar esse objetivo faz com que tenhamos de enfrentar inúmeros desafios: na verdade, os intentos da Igreja Ortodoxa e dos Padres de hoje, de caminhar seguindo os passos de seus antecessores, também enfrentam uma série de desafios.  No entanto, o Patriarca não vacilou jamais em seu empenho.

Nos momentos de angústia, rejeição, provações e tribulações, a alma do Patriarca sofre e chora. Isto é assim porque ele anseia por Deus, seu único refúgio.  Sente-se interpelado instintivamente. Quando estouram as tempestades eclesiásticas, o Patriarca é como o leme do barco espiritual, e há Alguém que guia a sua vida: é dirigido pela Graça de Deus, pois, de bom grado, se abre à sua providência. Todo assunto eclesiástico ─ e o Santo e Grande Concílio foi o da mais alta importância ─ é resolvida de uma forma positiva e de acordo com a boa ordem eclesial, pois a fé profunda do Patriarca atrai a graça de Deus.

Chegou a hora da Ortodoxia!

Chegou, graças ao Patriarca Bartolomeu I.  São Paísios de Monte Athos  disse certa vez sobre o Patriarca Bartolomeu I que Deus havia escolhido a pessoa certa para o cargo certo na hora certa. Qualquer encontro que se pretenda panortodoxo, sem a presença do Arcebispo de Constantinopla, converte-se imediatamente numa assembleia privada de caráter mais ou menos anticanônico. Não são, portanto, os «muitos» os que salvaguardam a voz compartilhada da Igreja, mas o «Primus», cuja presença vívida garante a unidade da Ortodoxia.

Nosso Patriarca tem trabalhado pessoal e incansavelmente para que se projete ao mundo moderno uma voz compartilhada e unificada da Ortodoxia.  Desde o primeiro dia da sua entronização, o Patriarca anunciou seu desejo de que fosse convocado o Santo e Grande Concílio, e nos últimos 25 anos preparou de maneira cuidadosa e generosa este momento glorioso. O que contemplou, desde os seus primeiros momentos como Patriarca, finalmente chegou.  Isto representa uma conquista de Deus e do Patriarca; uma sinergia entre o céu e a terra e a boa vontade dos esforços divinos e humanos.

Não sabemos o que a graça de Deus nos terá preparado para os próximos anos. Certamente, uma avaliação dos últimos vinte e cinco anos nos confirma que o Patriarca Bartolomeu I luta por uma experiência existencial do «eskaton» no presente participando da vida eclesiástica. Testemunha, assim, que o convite para «servir em novidade de espírito e vida»[4] não é uma visão utópica, mas uma realidade contínua e alegre, uma mensagem profética. E a promessa do Senhor de que «dos que aqui se acham, alguns há que não experimentarão a morte, enquanto não virem chegar o Reino de Deus com poder»[5] se cumpre através dos 25 anos de trajetória patriarcal, que, em última análise, constituem uma submissão total à vontade do Mestre.

O Patriarcado de Bartolomeu I não se limitou às estratégias humanas; não se limitou à lógica coletiva nem se projetou servindo-se dos poderes corruptos deste mundo.

O Patriarca Bartolomeu é inspirado por uma força que cresce sem cessar.  A sua missão é uma missão única e especial, algo que não acontece com tanta frequência na história. Além disso, seu ministério patriarcal é extraordinário e de valor inestimável, porque não está limitado a sua pessoa, mas se estende por todo o mundo e serve como um sinal de esperança e luz para todos nós.

E este ministério, cujos destinatários somos todos nós, é de imenso valor, pois olha para o futuro e infunde vida.


Notas:

[1] “A porta fechada do estrangulamento” faz referência à entrada para o Patriarcado Ecumênico. Em 10 de abril de 1821, Domingo de Páscoa, o Patriarca Ecumênico Gregorio V foi dependurado nesta porta pelos turcos. Até o dia de hoje ela permanece fechada.

[2] Hesiquio o Presbítero, “A Teódulo 7”. Filocalia, tomo 1, pag. 12.

[3] Atanasio o Grande, “Sobre a Encarnação do Verbo”, PG Migne 25,177.

[4]. Rm 6, 4; 7, 6.

[5] Mc 9, 1.


FONTE: Sacra Metrópole de Espanha e Portugal

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