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Lançado no Rio de Janeiro «Brasil-Rússia: História, Política, Cultura», Livro que conta a história dos Russos no Brasil

Prof. Alexander Zhebit, Organizador, autografa a obra
Prof. Alexander Zhebit, Organizador, autografa a obra

No último dia 30 de Junho foi realizada a apresentação do livro «Brasil-Rússia: História, Política, Cultura», na cidade do Rio de Janeiro (Brasil). A obra, organizada pelo Professor Alexander Zhebit, foi lançada durante a Conferência Internacional de mesmo nome (Brasil-Rússia: História, Política, Cultura), e reúne uma coletânea de artigos de: A. Kirilloff; A. Zhebit; B. Komissarov; B. Martynov; E. Zhebit; Graciela Zubelzú; JORGE Scévola de Semenovich; Lenina Pomeranz; Paulo G. Fagundez Vizentini; Sergio Palamarczuk; e Sidnei José Munhoz. Os autores apresentam um quadro detalhado das relações entre os dois países, Brasil e Rússia, sendo que a coleção de artigos está organizada em três grandes capítulos temáticos: o primeiro e segundo trazem informações e outras questões de teor histórico, do início ao século XIX, e temas da atualidade. A terceira parte foca mais aspectos científicos, culturais e religiosos da vida do povo russo. Uma pequena obra sobre a História da Igreja Ortodoxa Russa no Brasil, como escreve Alexander Kirilloff.

No texto que segue, reproduzimos o capítulo sobre…

A Igreja Ortodoxa Russa no Brasil

Por: Alexander Kirilloff

Como surgiu a Igreja Ortodoxa Russa no Brasil? Como era de se esperar, a Igreja surgiu com a imigração russa para o país. Esta pode ser dividida em três partes principais quando os russos chegaram aqui em massa. A primeira e a única que não era uma imigração política ou de refugiados chegou ao Brasil no início do século passado, ou seja, cem anos atrás. Essa leva foi denominada uma “febre brasileira”, quando imigraram para o Rio Grande do Sul lavradores experientes em cultivação de trigo, centeio, cevada, girassol. Mas a maioria deles, encontrando dificuldades de adaptação e depois de ter cumprido contratos com as autoridades brasileiras, foi procurar campos melhores nas outras regiões do Brasil e até fora do país.

A primeira Igreja Ortodoxa Russa surgiu no município de Campina das Missões, no Rio Grande do Sul, em 1912. Foi uma casa simples de madeira, reformada e adaptada para servir como igreja. Hoje, esse município de oito mil habitantes e distante 550 quilômetros do Porto Alegre tem cerca de 20% de descendentes de russos, ucranianos e bielo-russos.

A segunda leva de imigração de russos no Brasil foi entre 1921 e 1926. Essa foi a imigração por razões inteiramente políticas, ocasionada pela revolução russa de 1917 seguida da guerra civil. Chegaram naquela época uns três mil russos. Uma grande maioria deles ficou em São Paulo, que já era naquele tempo a principal cidade industrial da América do Sul. No Rio de Janeiro ficaram umas 150 famílias. Uma minoria foi para Curitiba, Belo Horizonte e Porto Alegre.

A primeira igreja russa em São Paulo surgiu em 1927 e funcionava numa casa alugada no centro da cidade. Foi trazido da Europa um padre para servir a comunidade. Em 1930, com a ajuda da comunidade russa em Buenos Aires, na Argentina, foi construída uma igreja de alvenaria em São Paulo, no bairro de Vila Alpina, muito longe do centro naquela época.

Em 1930 a comunidade russa no Rio de Janeiro pediu às autoridades eclesiásticas ortodoxas russas na Europa que enviassem um padre ao Rio de Janeiro para atender as necessidades espirituais da colônia. Logo em seguida foi enviado um padre, mas, por falta da igreja própria, os serviços religiosos foram realizados na igreja que pertencia ao Patriarcado de Antioquia, conhecida como igreja sírio-libanesa, situada no centro da cidade.

Um grande acontecimento na vida religiosa dos russos em São Paulo e no Brasil todo ocorreu em 1934 quando a colônia russa em São Paulo enviou um abaixo-assinado para o Sínodo da Igreja Russa no Exílio pedindo para enviar um bispo ao Brasil e assim estabelecer um centro Diocesano. O Sínodo atendeu ao pedido e, no início de 1935, chegou a São Paulo o primeiro bispo ortodoxo na América do Sul e a vida eclesiástica começou a ser organizada.

Nesse período no Rio de Janeiro a comunidade russa resolveu construir a própria igreja, o que foi realizado em tempo recorde de dois anos. Em 1937 a Igreja de Santa Mártir Zinaída foi consagrada pelo bispo russo no bairro de Santa Teresa. No ano de 2007 a igreja comemorou 70 anos de existência.

Em 1939 ficou pronta a construção da Catedral Ortodoxa Russa em São Paulo, que ficou sendo a sede administrativa da Diocese no Brasil.

Depois da Segunda Guerra Mundial, entre 1946 e 1955, tivemos a terceira e a mais numerosa imigração russa no Brasil, vinda dos países da Europa e principalmente da China. Com a chegada deles, a vida da igreja no Brasil deu um grande impulso. Os imigrantes queriam conservar as tradições e, sobretudo, a religião de suas origens. A fé foi, sem dúvida, o que os ajudou a vencer todos os obstáculos e dificuldades da vida dos refugiados da guerra, prestando a eles, além do apoio espiritual, o apoio moral que era tão importante. Imigrantes russos da China sempre tiveram laços estreitos com a Igreja Ortodoxa. Tendo a total liberdade de consciência, concedida pelas autoridades chinesas, a vida que eles viveram antes da revolução chinesa, de 1948-1949, foi construída e centralizada ao redor da Igreja. Já os patrícios – refugiados da Rússia, antiga URSS – sofriam muitas restrições em diversos níveis, principalmente religiosas, e somente depois de instalados definitivamente no Brasil e vivendo na liberdade total, incluindo religiosa, foram estimulados a reavivar sua religião e fortalecer a fé. Muitos pensaram no futuro de seus filhos e netos, pretendendo transmitir-lhes religião ortodoxa e costumes russos. A Igreja, tão desejada, seria para eles um local de união, um apoio espiritual, que significaria o alívio das tensões da vida muito difícil no início, e a busca de uma parte das soluções de seus problemas espirituais. Assim, depois de instalados no Brasil, começaram construções e inaugurações de novas igrejas e de paróquias ortodoxas russas.

Uma pequena paróquia surgiu em Porto Alegre ainda em 1938. Posteriormente, com a chegada maciça dos imigrantes russos, foi construída uma igreja de alvenaria, consagrada em 1957.

Em 1950 foi construída uma pequena igreja em Niterói (RJ), no Bairro de São Francisco. Em 1960 ela foi reconstruída e transformada em templo bem maior, com salão paroquial e aposentos para padre.

Entre 1955 e 1960 foram construídas mais quatro igrejas na cidade de São Paulo nos bairros de Indianópolis, Vila Zelina, Carapicuíba e Balneário Mar Paulista, este último bairro conhecido como Vila Russa por causa de muitos imigrantes russos que fixaram suas residências ali.

Foi construída também uma igreja na cidade de Goiânia em 1955.

Já falamos da primeira igreja Ortodoxa Russa no Brasil em Campina das Missões. A outra igreja no, Estado de Rio Grande do Sul, foi construída em Santa Rosa no ano de 1972.

Em 1997, mediante acordo entre o arcebispo da Igreja Ortodoxa de Antioquia no Rio e o arcebispo da Igreja Ortodoxa Russa com sede em Buenos Aires, Argentina, uma paróquia, que atendia exclusivamente à congregação brasileira, passou para a jurisdição da Igreja Russa. A igreja está situada na Ilha do Governador e é tradicionalmente chamada “a primeira Igreja Ortodoxa Brasileira”. O sacerdote e os paroquianos são brasileiros natos e os ritos são celebrados exclusivamente em português.

Uma característica da Igreja Ortodoxa é que ela não faz proselitismo. Quem se interessa em conhecer a ortodoxia por perto e, talvez no futuro, até abraçar a fé ortodoxa tem que fazer isto com a livre e espontânea vontade. E o processo da aceitação, dependendo de cada caso, pode não ser rápido. A ortodoxia não conheceu a Idade Média, não viu nem a reforma religiosa do século XVI, nem a contra-reforma posterior. A ortodoxia não tinha confronto nem com racionalismo do Ocidente, nem com modernismo mundano. A ortodoxia continua a mesma como era nos tempos dos apóstolos. Nisso tudo está a força e a solidez da ortodoxia.

Esta breve exposição sobre a Igreja Ortodoxa Russa no Brasil não tenciona apresentar a história completa e bastante complexa nem da Igreja Russa, nem dos imigrantes russos que tentaram aqui, nesta terra hospitaleira do Cruzeiro do Sul, continuar vivendo de acordo com tradições russas e ensinamentos da Igreja. Mas para fazer uma caminhada longa são necessários os primeiros passos. Neste curto texto fizemos uma tentativa de dar estes passos.

Fonte: Paróquia Ortodoxa Russa Santa Zenaide – Rio de Janeiro

Um Comentário

  1. ALEX BONIFACIO ALEX BONIFACIO 12 de fevereiro de 2023

    Bom dia! Eu li esse noticiário e gostei plenamente de tudo quanto foi descrito. Não tenho credo religioso, mas tenho forte admiração pela Igreja Ortodoxa russa e apesar de ser nativo aqui do Rio de Janeiro nunca tive a possibilidade de conhecer o Templo Ortodoxo no bairro de Santa Teresa. Por favor, eu autorizo me enviarem notícias sobre assuntos relacionados a História, Cultura, Religião dentre outros para o meu endereço eletrônico. Atenciosamente.

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