
No dia do vigésimo quinto aniversário do acidente na central atômica de Tchernobil o patriarca de Moscou e de toda a Rússia Cirillo vai visitar o local da tragédia e rezar por todos que tombaram aí. A sua visita à Ucrânia, a realizar-se no período de 25 a 27 de abril, será símbolo de consolidação de vínculos fraternais e da unidade espiritual da Rússia e da Ucrânia.
As cerimônias comemorativas, dedicadas a 25 anos da catástrofe na central atômica de Tchernobil, irão começar com um repique do sino que será dado a 1 hora e 23 minutos da noite de 26 de abril, – momento exato da explosão do reator em 1986. Todos os anos as pessoas que participaram da liquidação da catástrofe, parentes dos que morreram ou foram sinistrados neste acidente reúnem-se para ações fúnebres. O fato de que o chefe supremo da Igreja Russa estará com o povo nos dias da tragédia de Tchernobil é muito simbólico, – diz Vassili Anissimov, chefe do serviço de imprensa da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou.
Esta é a primeira visita do Patriarca à zona de Tchernobil. Para nós este é um momento muito importante – passaram-se 25 anos desde o momento da tragédia. Todos estes anos foram muito difíceis tanto para a zona, como para toda a Ucrânia. E é muito simbólico que a Igreja Ortodoxa estará neste dia juntamente com a gente de Tchernobil, pois a nossa unidade consiste não somente em festejos de vitórias comuns, mas também na repartição da dor. Esta tragédia uniu a Rússia, Bielorus e Ucrânia, pois no mapa se vê que a central atômica de Tchernobil está no local em que confinam as nossas três repúblicas eslavas.
Imediatamente depois da catástrofe em Tchernobil foi construído o primeiro, – e por enquanto o único, – templo da região – a igreja de Santo Elias. O patriarca Cirillo vai rezar uma missa neste templo no quadro da atual visita à Ucrânia. Os habitantes de Tchernobil prezam muito este templo não somente porque aí se encontra o símbolo da tragédia – uma imagem da Nossa Senhora Orando, instalada dentro de um sino fendido. A existência da igreja ajudou muitas pessoas a dominar o temor, a dor e o receio ante o desconhecido. Aliás, os próprios habitantes de Tchernobil estão certos até agora de que o Deus esteve com eles bem desde o momento da catástrofe, – diz o presidente da organização “União Tchernobil-Ucrânia” Yuri Andreev.
Praticamente todas as pessoas que trabalhavam na central atômica de Tchernobil eram ateus. Voltamos à fé cristã no momento em que vimos fenômenos que não podem ser explicados da outra maneira, senão como Providência Divina. Logo nos primeiros segundos depois da explosão no quarto bloco da central atômica de Tchernobil uma nuvem, carregada de partículas de urânio, utilizado na qualidade de combustível, avançou rumo à cidade de Pripiat. A distancia entre o bloco e os primeiros quarteirões era igual a uns 1800 metros. A nuvem tinha na sua via um pinheiro que figura agora no ícone “Salvador de Tchernobil”. Antes de alcançar este pinheiro, a nuvem radioativa dividiu-se em dois ramais. Graças a isso a nuvem não envolveu a cidade mas passou em seu torno, textualmente a alguns metros de casas residenciais. Não podemos explicar este fenômeno até hoje.
No quadro da sua visita à Ucrânia o patriarca Cirillo vai visitar um monumento aos que liquidaram o acidente, vai encontrar-se com os pacientes do Instituto Nacional de Câncer, voluntários e sacerdotes que prestam a ajuda humanitária e espiritual a vítimas da radiação. O chefe do Patriarcado de Moscou vai inaugurar a Conferência Internacional “Depois de Tchernobil: uma dor comum, um cuidado comum, uma esperança comum. Interpretação dos resultados e das lições da catástrofe”. [Fonte: A Voz da Rússia]


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