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Há 53 anos, em 09 de março de 1956, o Arcebispo Makarios do Chipre era deportado

CHI003No dia 9 de março de 1956, britânicos deportaram o Arcebispo Makarios do Chipre para Seicheles, no Oceano Índico, temendo sua influência sobre grupos greco-cipriotas que lutavam pela incorporação do Chipre à Grécia [W-World]

Mais do que um líder religioso, o Arcebispo Makarios representava 80% da população do Chipre, enquanto a outra etnia – os turcos – nunca passou de 20%. Filho de um simples pastor de ovelhas da ilha no Mar Mediterrâneo, ele nasceu em 1913 e foi batizado como Myriarthes Michael Christodoulos Mouskos. Aprofundou os estudos de Teologia na Grécia e nos Estados Unidos. Em 1948, foi nomeado bispo e retornou ao Chipre.

Chipre, uma pequena ilha de 9 mil quilômetros quadrados, próxima à Turquia, sempre foi motivo de disputas, tanto pela sua localização estratégica como pela maioria grega de sua população. Em 1571, fora tomada pelo Império Turco-Otomano. Em 1878, os britânicos estacionaram tropas no Chipre para proteger a Turquia do expansionismo russo. Na Primeira Guerra Mundial, quando os otomanos se aliaram aos alemães, a ilha foi anexada ao Reino Unido e em 1925 foi declarada colônia.

As várias propostas gregas de unificação com o Chipre foram rejeitadas pelo Reino Unido. Ao retornar ao Chipre em 1948 e dois anos mais tarde tornar-se arcebispo da Igreja Ortodoxa cipriota, o agora denominado Makarios III, aliou-se ao movimento Eoka, que defendia a Enosis, a incorporação do Chipre pela Grécia. O movimento Eoka, comandado pelo militar grego George Crivas, amigo de Makarios, começou uma violenta onda de terror na ilha, a princípio contra inimigos nas próprias fileiras, depois contra turcos e britânicos. Apesar de Makarios demonstrar disposição em negociar com o Reino Unido, os britânicos o viam como um líder terrorista. Por isso, em 9 de março de 1956, deportaram-no para o arquipélago de Seicheles, no leste da África. Um ano mais tarde foi libertado. Como estava proibido de retornar ao Chipre, comandou a partir de Atenas a campanha pela retirada dos britânicos de Nicósia.

Plano de independência

Apesar de ainda defender abertamente a unificação com a Grécia, mudou de tática – talvez por concluir que os problemas da ilha só aumentariam se fosse governada por Atenas, ou na expectativa de que a união seria mais fácil depois da retirada das tropas britânicas.

Em 1959, o Reino Unido, a Turquia e as lideranças cipriotas aprovaram um plano de independência da ilha. Ela continuaria ligada à Comunidade Britânica e a minoria turca teria garantias constitucionais.

Mulheres gregas cipriotas numa manifestação pela paz
Mulheres gregas cipriotas numa manifestação pela paz

Em dezembro de 1960, Makarios III foi eleito primeiro presidente da República do Chipre. Mesmo assim, a situação não se acalmou. Pelo contrário, os conflitos entre turcos e gregos, e a ameaça de uma guerra entre Grécia e Turquia, levaram ao estacionamento de tropas da ONU na ilha, em 1964. Makarios foi reeleito em 1968 e 1973.

Em 1974, oficiais gregos da Guarda Nacional Cipriota, ligados ao Eoka, derrubaram Makarios. A Turquia invadiu o Chipre e ocupou o norte da ilha (cerca de 40% do território), estabelecendo um Estado Turco, só reconhecido por Ancara. Makarios reassumiu o governo greco-cipriota em 1974, permanecendo no poder até 1977, ano de sua morte. (Peter Philipp)

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