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Encontro do Patriarca Bartolomeu com o Papa Francisco de Roma. (Foto Nikos Manginas)

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE, O PATRIARCA ECUMÊNICO BARTOLOMEU, POR OCASIÃO DO FALECIMENTO DO PAPA FRANCISCO

Na atmosfera de grande alegria pascal, nesta manhã de segunda-feira da Semana da Páscoa, chegou-nos a triste notícia do falecimento do Papa Francisco. Um precioso irmão em Cristo, com quem, desde o primeiro momento de sua ascensão ao trono pontifício, cultivamos uma amizade fraterna e uma colaboração em prol do bem de nossas Igrejas e de uma aproximação mais estreita entre elas, em benefício da humanidade.

Durante esses doze anos de missão, ele foi um amigo fiel, companheiro de caminhada e apoio constante ao Patriarcado Ecumênico. Um amigo sincero da Ortodoxia, um verdadeiro irmão dos mais humildes do Senhor, por quem tantas vezes falou, agiu e lavou os pés. Deixou-nos o exemplo de uma humildade autêntica e de um amor fraterno incondicional. Sempre nos lembraremos dele com reverência e carinho.

Em 2014, apenas um ano após sua eleição e entronização, por minha proposta e iniciativa, fomos juntos a Jerusalém, onde oramos ajoelhados lado a lado diante do Túmulo do Senhor. Durante os dois ou três dias que passamos juntos na Terra Santa, nos Lugares Santos, tivemos encontros e conversas significativas. Eu lhe disse: “Santidade, daqui a alguns anos celebraremos os 1.700 anos da convocação do Primeiro Concílio Ecumênico, em Niceia, na Bitínia. Seria um gesto muito bonito e simbólico irmos juntos para celebrar esse aniversário histórico e refletirmos sobre o caminho futuro de nossas Igrejas irmãs rumo ao cálice comum.” Ele demonstrou entusiasmo e respondeu: “Uma proposta maravilhosa. Esperamos estar com saúde e poder realizar essa peregrinação a Niceia. Caso contrário, se o Senhor não permitir, que o façam nossos sucessores.”

Ele verdadeiramente desejava vir neste ano para celebrar esse aniversário histórico. Declarou isso diversas vezes à imprensa e aos representantes do Patriarcado Ecumênico que o visitaram periodicamente em Roma. Não foi da vontade divina que ele pudesse estar presente pessoalmente. Se eu estiver com saúde, o Patriarcado Ecumênico certamente fará algo significativo a esse respeito. Não deixaremos passar despercebido esse importante aniversário. Do lado da Igreja Católica Romana, isso dependerá da pessoa, das convicções e das disposições do novo Papa eleito, se desejar e quando desejar vir e dar o devido destaque à importância desse marco na história do cristianismo.

Hoje, enquanto nos reunimos no Patriarcado Ecumênico com todos os hierarcas do Trono Ecumênico para trocarmos o beijo fraterno do Cristo Ressuscitado, recordamos com amor e respeito a personalidade do Papa Francisco, recentemente falecido, e elevamos juntos, com uma só voz e um só coração, nossas preces ao Senhor pelo descanso de sua alma na terra dos viventes e nas tendas dos justos.

Rezamos para que o Senhor da vida e da morte o recompense por seus inúmeros esforços em favor da Igreja e da humanidade, e que Eleve ao trono de São Pedro um sucessor digno, que abrace e perpetue as visões do Papa Francisco, dando continuidade à sua preciosa obra em favor de toda a humanidade, especialmente da cristandade e, mais especificamente ainda, da aproximação de nossas Igrejas irmãs, com o objetivo final da plena união no cálice comum.

Memória eterna, irmão Papa Francisco!

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