Santíssimo e amado irmão no Senhor,
Nós vos recebemos na sacra e histórica Cidade com sentimentos de sincera alegria e satisfação. Esta é uma cidade que conheceu um tesouro de herança para o desenvolvimento da Igreja através dos séculos. Aqui, o primeiro dos apóstolos que foi chamado, Santo André, fundou a igreja local de Bizâncio e instalou São Stachys como seu primeiro bispo. Aqui Constantino o Grande fundou a Nova Roma. Aqui, os grandes Sínodos da primitiva Igreja foram convocados a fim de formular o Símbolo da Fé. Aqui, mártires e santos, bispos e monges, teólogos e mestres conjuntamente com uma «nuvem de testemunhos» confessaram, assim como os profetas contemplaram, como os apóstolos ensinaram, como a Igreja recebeu, como os mestres dogmatizaram, como a Ecumene aceitou, como a Graça brilhou, ou seja, a verdade revelada, a fé dos pais. Esta é a fé dos ortodoxos. Esta fé manteve a Ecumene.
Desta maneira, recebemos-vos desde o fundo de nossos corações nesta vossa primeira visita à Cidade, como nossos predecessores os Patriarcas Ecumênicos Atenágoras e Demetrio haveriam de receber vossos predecessores Paulo VI e João Paulo II. Aqueles respeitáveis e honráveis homens da Igreja sentiram conjuntamente o inestimável valor e contemporaneamente a urgente necessidade destas reuniões no caminho da reconciliação através de um diálogo de amor e verdade.
É por isso que estamos ambos aqui, como seus sucessores nos tronos de Roma e da Nova Roma, igualmente responsáveis pelos passos — exatamente como responsáveis também pelos erros — no caminho e no esforço de obedecer ao mandamento de nosso Senhor de que seus discípulos «sejam um».
Neste espírito, com a Graça de Deus, visitamos repetidamente Roma, há dois anos concretamente, a fim de acompanhar as sacras relíquias de São Gregório o Teólogo e São João Crisóstomo, os quais se desempenharam como Arcebispos dessa cidade, e que generosamente foram devolvidas a esta Cátedra Patriarcal por vosso bem-aventurado predecessor. Neste espírito, desta forma, nos encontrávamos em Roma alguns meses depois de presenciar o funeral do Papa João Paulo II.
Estamos profundamente agradecidos a Deus, pois Vossa Santidade realizou hoje passos similares neste mesmo espírito. Elevamos, pois, agradecimentos a Deus em glorificação e expressamos nossa gratidão também a Vossa Santidade em amor fraternal.
Amado Irmão, sede bem-vindo, pois! «Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor.» «Seja, pois, o Nome do Senhor bendito desde agora e por todos os séculos.»

Alocução de boas-vindas do Patriarca Ecumênico Bartolomeu ao Papa Bento XVI, na tarde 29 de novembro de 2006, quarta-feira, durante a doxologia na igreja patriarcal de São Jorge, em Fanar (Istambul)
Mais de Diálogo e FéMais posts em Diálogo e Fé »
- Patriarca Ecumênico participa de celebração pelo primeiro aniversário da eleição do Papa Leão XIV
- O que significa dizer que o Patriarca de Constantinopla é “Patriarca Ecumênico”?
- Cura das memórias e unidade cristã: 60 anos após a revogação dos anátemas (1965-2025)
- Florença acolhe simpósio pelos 60 anos da revogação dos anátemas entre Roma e Constantinopla
Mais de Patriarcado EcumênicoMais posts em Patriarcado Ecumênico »
- Patriarca Ecumênico participa de celebração pelo primeiro aniversário da eleição do Papa Leão XIV
- O que significa dizer que o Patriarca de Constantinopla é “Patriarca Ecumênico”?
- Patriarca Ecumênico Bartolomeu proclama a vitória da vida e renova o apelo da Igreja pela paz na mensagem de Páscoa
- Patriarca Ecumênico preside Grandes Vésperas da Anunciação em Tataouli e eleva preces pela paz no mundo







Seja o primeiro a comentar