Se perguntássemos aos cristãos ortodoxos o que é a Igreja, infelizmente não conseguiríamos obter uma resposta clara, mesmo nos países que consideramos «ortodoxos». Muitas vezes as pessoas ficam perplexas com essa pergunta. Se fizermos a mesma pergunta a pessoas que têm uma relação mais próxima com a Igreja – como clérigos ou teólogos – obteremos respostas que, à primeira vista, parecem interessantes. A questão é se essas respostas podem definir com precisão a identidade da Igreja e diferenciá-la de qualquer outra realidade humana.
Uma primeira resposta poderia ser que a Igreja é composta de um ensinamento particular, de seu «credo», de suas doutrinas. A ênfase aqui é posta na ortodoxia do ensino, teoricamente, ou seja, não necessariamente ligado a determinadas pessoas ou comunidades. Naturalmente, o problema desse significado não é a confissão de fé, que é uma característica fundamental da Igreja, mas o fato de que as doutrinas não são um fim em si mesmas, mas tendem à salvação do corpo interno da Igreja.
Outros poderiam responder que a Igreja é a assembleia de homens éticos. Assim, a Igreja se identifica com os «puros», esquecendo que a Igreja também inclui os pecadores. Ignorado nessa definição está o fato de que as regras éticas também podem ser observadas por pessoas que não pertencem à Igreja, talvez até mesmo por pessoas agnósticas ou ateias.
Outros podem defini-la considerando a missão como seu propósito. Aqui, a ênfase está na pregação, com a prioridade de levar Cristo ao maior número possível de pessoas. O objetivo é a evangelização ad gentes. No mundo ortodoxo há até monges que se tornam missionários.
Muitas vezes ouvimos dizer no mundo ortodoxo que a Igreja é um «hospital» onde as paixões, ou mesmo os problemas psicossociais são curados. Mas, se o propósito da Igreja fosse acolher pessoas com problemas relacionais ou comportamentais de qualquer tipo, sua tarefa seria comparável ou redutível à do psicólogo, psiquiatra ou «guru».
Se a doutrina, a pregação, a missão e a psicoterapia são elementos característicos e próprios da Igreja, também é verdade que podem ser encontrados fora dela. No entanto, a peculiaridade da Igreja, aquela que define sua identidade mais essencial, deve ser algo que não pode ser encontrado fora da própria Igreja (…)






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