Um congresso recolhe experiências de cristãos de ambas as confissões
Por Mariaelena Finessi
ROMA, sexta-feira, 7 de Maio de 2010 (ZENIT.org). Responsáveis eclesiásticos, estudiosos e membros de diversos movimentos cristãos se encontraram nesta terça-feira em Roma, no congresso internacional promovido pela Comunidade de Santo Egídio, Os pobres são o tesouro precioso da Igreja: ortodoxos e católicos juntos no caminho da caridade.
Na raiz do encontro, a reflexão sobre o acolhimento dos mais frágeis em nossas cidades e, depois, o testemunho dos padres da Igreja e os desafios ditados por novos problemas sociais. Intervieram, entre outros, Arkadij Satov (presidente do departamento sinodal para a caridade do patriarcado de Moscou), Arcebispo Filaret (metropolitano de Minsk e Sluck) e o Cardeal Roger Etchegaray (vice-decano do colégio cardinalício). «O objetivo da existência é dar» explica Laurentiu, arcebispo de Sibiu. «Se não fosse assim, como poderia ser de outra maneira?» «O que nós temos – explica Zoran Nedeljkovic, diretor da Biblioteca do Patriarcado da Sérvia – nós é dado em préstimo e, por isso, devemos retribuir». Na realidade, o que se dirá de nós não será a riqueza possuída, mas, em primeiro lugar, das obras realizadas. Especialmente pelos que vivem nos arredores da cidade, precisamente lá onde «a Igreja – como recorda Dom Vincenzo Paglia, bispo de Terni – desde seus primeiros passos tem cruzado com os pobres».
Assim, se Basílio quis ajudar os numerosos necessitados, criando para eles uma cidade chamada Basilíade, João Crisóstomo vendeu os objetos bonitos que adornavam a casa episcopal, consagrando seu grande rendimento à fundação de hospitais e ao acolhimento desses marginalizados. «Se você quer honrar o Corpo de Cristo – pregou – não o despreze quando ele estiver desprovido; não honre o Cristo Eucarístico em peças de seda, enquanto fora do templo negligência o outro Cristo que sofre por frio e nudez».
Na África, Agostinho também sentiu o drama dos pobres que se refugiavam às grandes cidades habitadas. Por isso, pressiona os administradores da catedral de Hipona a adquirirem um bairro inteiro, com suas estruturas industriais, cujas dependências servirão às demandas do culto e dos pobres (freqüentemente, os membros da mesma comunidade cristã que deu refúgio a estrangeiros, órfãos, viúvas e vítimas de agressões). «Dar caridade – Agostinho comentou – é como seu zelador. Leva para você ao céu aquilo que você dá».
Mas, finalmente, aproxima-se de nós o tempo em que as pessoas tentarão construir um «novo mundo», «de um modo utópico e drástico – explica Andrea Riccardi, fundador de Santo Egídio – sobre o caminho de uma visão ideológica» que era do comunismo e outros totalitarismos. No projeto daquele «novo mundo», «já não era necessária a caridade evangélica, da qual a Igreja falava há séculos». Os cristãos, em face desta utopia, foram colocados no banco dos réus: «Não eram cúmplices da miséria de tantos pobres, lhes ensinando a resignação e os ajudando de um modo pontual, sem transformar a realidade social profundamente?»
O desafio, iniciado no século XIX com o crescimento dos movimentos socialistas e o divórcio entre a Igreja e o mundo proletário, cresceu no século XX com a realização dos regimes comunistas. «Para eles, a Igreja, inimiga da classe trabalhadora e do progresso social, era um vestígio do passado a se eliminar». Exilada, a Igreja estava proibida de celebrar a vitória da igualdade social que deveria realizar-se pela caridade. No entanto, homens e mulheres de fé têm tentado salvar o abismo criado entre a Igreja e o pobre: Raúl Follereau, Albert Schweitzer, Giorgio La Pira, a grande duquesa Maria Isabel da Rússia, a freira ortodoxa Maria Skobtsov e a Madre Teresa de Calcutá são só alguns nomes.
Ao chegar do século XXI, «o humanismo cristão – conclui Dom Marco Gnavi, da Comunidade de Santo Egídio – finalmente põe à prova a arquitetura urbana e humana da cidade moderna, produto e síntese das tensões de um mundo globalizado».O pobre, neste contexto, «lembra do limite e da fragilidade de nossa condição e é portador do pedido, às vezes desesperado, de humanização da atmosfera que o rodeia. Indica o que perde nossa coexistência e provoca o olhar interior a ver além da satisfação do desejo pessoal e material». Por outro lado, a novidade perene do cristianismo estava, e está, alimentando uma visão: quem vê os pobres e lhes tem compaixão começa a olhar de um modo diferente.
Um grande bispo de Roma, o Papa Gregório Magno, ensinava: «Quanto mais a pessoa se expande no amor ao próximo, tanto mais se eleva no conhecimento de Deus». «Inclinando-se ao próximo, se adquire força para ser correto – adicionou. Esta caridade que nos faz humildes e compassivos, nos eleva, depois, ao grau mais alto da contemplação».






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