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A DÍVIDA ECOLÓGICA PRECISA DA JUSTIÇA AMBIENTAL

GENEBRA, Suíça, 08 de setembro de 2009 [Fonte: Ortodoxia.org | CMI] Os cristãos têm uma «profunda obrigação moral de promover a justiça ecológica», afirmou o Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Isso requer que se tenha em conta «as dívidas que existem para com as pessoas e os povos mais afetados pela destruição ecológica e com o próprio planeta».  «A era atual da globalização dos mercados tem utilizado o trabalho humano, as propriedades e outros tipos de vida para produzir riqueza e conforto para uns poucos à custa da vida e da dignidade de muitos», sustentou o Comitê numa «Declaração sobre ecojustiça e dívida ecológica», aprovada na sua reunião de 26 de agosto a o2 de setembro. A dívida ecológica refere-se, em primeiro lugar, ao que os países industrializados do Norte devem aos países do Sul, por conta do saque histórico e atual dos recursos, a degradação ambiental e a emissão de gases de efeito estufa e de resíduos tóxicos.

A declaração reforça a cumplicidade das igrejas nos modelos de consumo não sustentáveis. A teologia do domínio da humanidade sobre o resto da criação, que tem servido para justificar a exploração da terra, deve ser substituída por uma teologia de humildade e compromisso baseado na ética ecológica. A degradação ambiental está provocando situações trágicas em diferentes partes o mundo. Geraldine Varea, 26 anos, mais jovem membro do Comitê Central do CMI, observou que várias ilhas do Pacífico como Tuvalu e Kiribati, estão a desaparecer sob as águas como conseqüência do efeito estufa e das mudanças climáticas. «Isso produz erosão na terra fértil, e começa a infiltrar água salgada nos poços que fornecem água para as aldeias», disse a jovem representante da Igreja Metodista de Fiji e Rotuma. «O que vamos fazer, se já não temos água potável para beber ou para regar as nossas plantações?»

«No Pacífico já existem populações que migram por causa da catástrofe ambiental provocada pela subida do mar e o desaparecimento das ilhas», continuou Varea. «Austrália e Nova Zelândia estão dispostas a acolher estes imigrantes, mas mantém as quotas de 75 pessoas por ano, o que torna difícil para muitos planejar seu futuro». Segundo Varea, os jovens na região do Pacífico pensam que «as igrejas devem desempenhar um papel importante nesta luta, desenvolvendo e promovendo ações de sensibilização para o problema, dentro de seu âmbito e na sociedade em geral, e se engajar nos fóruns internacionais para fazer repercutir as vozes dos habitantes das ilhas».  Para o argentino, Sr. Elias Abramides «trabalhar para mudar as regras do jogo nos países industrializados em torno das alterações climáticas e da dívida ecológica exige solidariedade com aqueles que estão sofrendo as conseqüências, e enfatizar a responsabilidade ética que temos em comum de preservar os bens que Deus criou».

Abramides é membro do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla e chefe da delegação do CMI ante as Conferências de Partes em torno da Convenção sobre Mudança Climática da ONU. Em sua declaração, o CMI faz um chamado às suas igrejas-membro para que instem aos governos, instituições e corporações do Norte, para que tomem iniciativas que reduzam de forma drástica as emissões de gases que causam o efeito estufa, dentro dos parâmetros estabelecidos pela «Convenção Sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas», e mesmo ultrapassando-os. Também exige o cancelamento de todas as dívidas financeiras ilegítimas dos países do Sul, sendo as que necessitam maior urgência as dos países mais pobres, como parte de uma reparação social e ecológica, e não como assistência oficial ao desenvolvimento. Finalmente, apela às igrejas a continuarem aprofundando suas campanhas sobre as alterações climáticas e sua demanda de que se pague a dívida ecológica com os países do sul.

(Trad.: Pe. André)

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