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S. Excia. Dom Gregorio de Messaoria da Igreja de Chipre (Foto: Dimitrios Panagos)

Concílio Pan-ortodoxo, terceiro dia: documento sobre a Diáspora Ortodoxa está pronto

Depois de quatro sessões de debate a portas fechadas e já na metade do Concílio, está pronto o primeiro documento: sobre a “Diáspora Ortodoxa”, cujo esboço tinha sido aprovado em Chambesy em 2009 e que, no Concílio, foi discutido como segundo, na manhã de terça-feira, 21.

A reportagem é de Daniele Sala, publicada no blog da revista Il Regno, 22-06-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto para IHU on-line, de onde este texto foi extraído para publicação em ECCLESIA..


S. Excia. Dom Gregorio de Messaoria da Igreja de Chipre (Foto: Dimitrios Panagos)
S. Excia. Dom Gregorio de Messaoria da Igreja de Chipre (Foto: Dimitrios Panagos)

As emendas apresentadas e votadas pelos delegados em assembleia foram recebidas pelo Secretariado pan-ortodoxo, um órgão em que estão representadas todas as Igrejas presentes no Concílio, e na tarde de quarta-feira, 22, a versão final também seria submetida a votação. O método de decisão utilizado pelas Igrejas Ortodoxas é o de consenso, por isso, um documento é aprovado quando todos estão de acordo.

Na coletiva de imprensa de quarta-feira, o Metropolita Gregório de Mesoreia explicou que os Padres conciliares estão muito contentes com o resultado, que enriqueceu o texto preparatório das experiências e sugestões, fruto de seis anos de vida das Assembleias Episcopais, órgãos constituídos como solução transitória para o problema – em alguns lugares muito agudo – das jurisdições sobrepostas entre Igrejas Ortodoxas diferentes em terras de diáspora.

Nas sessões de segunda-feira à tarde e de terça-feira, os Patriarcas, Bispos e Delegados debateram também o documento preparatório intitulado “A missão da Igreja no mundo contemporâneo”, aprovado em Chambesy em janeiro deste ano, mas que é mais complicado de modificar com as emendas aprovadas e, por isso, ficará pronto apenas nessa quinta-feira para a assinatura.

Duas impressões da coletiva de imprensa dessa quarta-feira. A primeira é sobre o clima do Concílio: tanto o porta-voz, o bispo Job de Telmessos, quanto o Metropolita Gregório, assim como o porta-voz do Patriarcado Ecumênico, P. John Chrissavgis, salientaram a positividade do debate, o espírito de unidade e o diálogo aberto e construtivo.

Não deram a impressão de querer sustentar uma fachada, porque o relato da fecundidade do encontro entre os delegados de diferentes países, idades diferentes, graus hierárquicos diferentes lembrou, por analogia, aquilo que relataram alguns Padres sinodais depois dos Sínodos de 2014 e 2015 sobre a família.

E a segunda ênfase é sobre o tema Tradição/tradições. O Patriarca Daniel da Romênia levantou o problema do “etnofiletismo”, ou seja, do nacionalismo étnico e da sua necessária distinção da identidade cultural e do patriotismo. É um problema crucial para as Igrejas Ortodoxas, que são todas Igrejas nacionais e condenaram o nacionalismo ainda em 1872.

Na coletiva de imprensa, o Metropolita Gregório explicou que o nacionalismo étnico não é um tema que será dissecado neste Concílio, no qual a agenda já foi fixada há muito tempo, mas talvez posteriormente. E ressaltou que, em certo sentido, esse tema, para os ortodoxos, está no pano de fundo de todos os discursos, porque a identidade nacional é uma característica distintiva das Igrejas Ortodoxas – pense-se na importância da língua na liturgia –, mas deve ser vivida de modo a não criar muros entre elas.

É preciso aprender a distinguir – disse – entre Tradição com “T” maiúsculo e tradições locais. A primeira é aquilo que une profundamente na fé; as segundas, aquilo que diferencia. Uma questão que, de uma forma ou de outra, todas as Igrejas cristãs estão debatendo.

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