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S. Santidade Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico.

Patriarca Ecumênico Bartolomeu I: «A publicação das Atas do Santo e Grande Concílio é iminente»

por Jivko Panev – 23 de maio de 2018

Publicamos abaixo a mensagem do Patriarca Bartolomeu, enviada nesta segunda-feira à Conferência Teológica Internacional de Salônica sobre o Concílio de Creta, anunciando, entre outras coisas, a iminente publicação, das Atas do Santo e Grande Concílio:

«É com grande alegria que damos as boas-vindas a 8ª Conferência Teológica Ortodoxa que se reúne em Salônica, de 21 a 25 maio corrente, com o tema ‘O Santo e Grande Concílio da Igreja Ortodoxa: teologia ortodoxa no século XXI».

O benevolente Deus de amor, adorado na Trindade, provendo todas as coisas, dignou a Sua Santa Igreja realizar o Santo e Grande Concílio, que aconteceu na Academia Ortodoxa de Creta, em junho de 2016, de acordo com o espírito ortodoxo conciliar e a tradição canônica.

A preparação para este Concílio marcou a vida da Igreja Ortodoxa durante o século XX. A longa jornada que conduziu ao Santo e Grande Concílio demonstrou a unidade e a estabilidade da Ortodoxia. Apesar das tensões, variadas abordagens e avaliações e dos desafios e problemas da época e, até mesmo, da audácia das Igrejas Ortodoxas que participam do Movimento Ecumênico, bem como das circunstâncias turbulentas enfrentadas pela maioria das Igrejas Ortodoxas Autocéfalas, por divina inspiração, a Igreja Oriental de Cristo procedeu à convocação do Santo e Grande Concílio, que desde o início estava associado a muitas expectativas.

Lembramos com gratidão os pioneiros que prepararam o Concílio e lutaram diligentemente o bom combate no período pré-conciliar. Desejamos também destacar a contribuição definitiva das Igrejas Ortodoxas que participaram do Santo e Grande Concílio, bem como, expressar nossa gratidão pessoal – como Presidente do Concílio – por suas contínuas e criativas cooperação e concórdia.

O objetivo do Concílio era proclamar a unidade ortodoxa, abordar questões internas em andamento e oferecer um bom testemunho ao mundo contemporâneo sobre a restauração de todas as coisas em Cristo. O Santo e Grande Concílio não foi um encontro introvertido, mas destacou a abertura da Igreja Ortodoxa para a história, seu amor pela humanidade e a relevância eterna do Evangelho do amor.

O inesperado anúncio – imediatamente antes do início dos procedimentos conciliares – da parte de quatro Igrejas Autocéfalas Ortodoxas de não participar foi um acontecimento lamentável, no entanto, não influenciou o bom andamento dos trabalhos conciliares nem afetou, mais amplamente, a consciência conciliar e a identidade da Igreja. A decisão de se abster não foi tomada com base em critérios eclesiológicos, canônicos ou outros critérios teológicos, senão, por motivações alheias à tradição autêntica da Igreja. Por estas razões, a proposta de adiar o Concílio teria expressamente significado o seu cancelamento definitivo.

O Santo e o Grande Concílio constitui um capítulo importante na história conciliar da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, bem como, um acontecimento central na história contemporânea da Ortodoxia. De fato, através deste Concílio, a Igreja Ortodoxa criou a história. Os textos do Santo e Grande Conselho – referindo-se à estrutura canônica, vida litúrgica e espiritualidade, relações da Igreja Ortodoxa com o resto do mundo cristão e a missão da Igreja no mundo contemporâneo – destacam-se por sua integridade teológica, expressando autenticamente a tradição ortodoxa e a autoconsciência [eclesial], bem como, sua sensibilidade e preocupação pelos problemas existenciais da humanidade e pelos desafios sociais e culturais contemporâneos.

Em geral, o trabalho e as decisões do Santo e Grande Concílio refutam todos aqueles que imaginam a Ortodoxia como uma espiritualidade fechada alheia ao mundo, indiferente à história e à cultura – na medida em que desconhecem sua imensa contribuição à sociedade e à civilização, bem como nos domínios da filantropia e da solidariedade. De fato, o testemunho do Concílio constitui uma resposta muito clara a esses autoproclamados defensores da Ortodoxia, que difamam o esforço conciliar e dividem o povo de Deus.

Devemos trabalhar agora pela boa recepção das decisões do Santo e Grande Concílio pelo pleroma da Igreja e por sua apreciação teológica e pastoral, para que os textos conciliares possam servir de fonte de inspiração aos fiéis ortodoxos que lutam em suas vidas diárias para conciliar sua fidelidade à tradição com a situação contemporânea. Estamos certos de que esta conferência contribuirá para isso e para uma avaliação teológica adequada do trabalho e contribuição do Concílio.

A iminente publicação das Atas do Santo e Grande Concílio proporcionará a todas as pessoas interessadas a oportunidade de conhecer e apreciar a preocupação comum das dez Igrejas Ortodoxas Autocéfalas participantes, para a realização e o cumprimento do esforço conciliar de acordo com a vontade de Deus, bem como por um diálogo teológico mais profundo e o respeito absoluto em relação à tradição canônica da Igreja.

Por isso, parabenizamos e agradecemos a todos aqueles que contribuíram para a preparação desta Conferência, os membros do Comitê Organizador, a Universidade de Aristóteles e sua Faculdade de Teologia, os generosos benfeitores, ilustres palestrantes e todos os participantes. Desejamos-lhe todo o sucesso (…), e enviamos a nossa bênção Patriarcal, invocando sobre todos vós os dons e iluminação do Consolador Celestial, o Espírito Santo da sabedoria e prudência».

(Traduzido por: Pe. André Sperandio)


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