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Bartolomeu apela à unidade, apesar das ausências, na abertura do Concílio de Creta

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Bartolomeu, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, pronunciou no domingo uma homilia durante a Divina Liturgia que marcou a abertura do Concílio Pan-ortodoxo que acontece nestes dias em Heraklion, na ilha de Creta, na qual falava da realização deste Concílio como “um dever e uma responsabilidade da Igreja Ortodoxa unida às pessoas e ao mundo de hoje”.

A reportagem é de Cameron Doody e publicada por Religión Digital, 20-06-2016. A tradução é de André Langer para IHU on-line, de onde este artigo é extraído para publicação em ECCLESIA.

“Hoje é um dia de unidade, uma vez que estamos unidos na fé e nos sacramentos pela Liturgia e por nos termos reunido na fração do pão”, disse Bartolomeu na sua homilia, apesar da ausência dos hierarcas de quatro das 14 Igrejas Ortodoxas autocéfalas. “A Santa Eucaristia reafirma totalmente a unidade e a catolicidade da nossa Igreja Ortodoxa”.

Como no domingo se celebrava o dia de Pentecostes no calendário ortodoxo, o discurso do Patriarca foi marcado por referências a esta festa. “Somos uma Igreja, um corpo”, disse Bartolomeu em uma passagem representativa, “apesar de termos vindo de diferentes tradições étnicas, linguísticas e culturais”. Esta mensagem oferecida pelo Patriarca de estar unidos em Cristo chegou ao seu clímax quando observou que nenhuma Igreja membro da comunhão ortodoxa “pode existir de forma totalmente independente e soberana, assim como alguns de fora o apresentam, especialmente nos últimos dias”. “Através de nossas diferenças, cada uma das Igrejas Ortodoxas, com todos os fiéis ortodoxos, está unida a um mesmo corpo, cada um com seus dons únicos, aos quais não deveríamos olhar com suspeitas ou ira, mas alegrar-nos como se fossem os nossos próprios”, disse o Patriarca.

Em relação aos trabalhos para estes dias, Bartolomeu destacou que os representantes das diferentes Igrejas que se reuniram têm o dever de “dar ao mundo contemporâneo um testemunho de amor e unidade e revelar a esperança que este mundo esconde dentro de si”. Esta é uma tarefa imprescindível, porque, como disse o Patriarca, “em nossos tempos há um grande número de erros que circulam, e os argumentos usados pelos enganadores são particularmente sofisticados”. Esta realidade dá força ao argumento, afirmou o patriarca, “que precisa um esforço coordenado por parte dos pastores da Igreja Ortodoxa para informar os fiéis”.

O evento era muito esperado devido ao fato de que os hierarcas ortodoxos não se reuniram em um grande concílio desde o cisma histórico de 1054 entre Roma e Constantinopla. A última participação em um evento similar, que supostamente tratou de questões de doutrina e disciplina, remonta a 787, data do sétimo e último concílio, o de Niceia II.

A celebração deste grande concílio, que estava sendo preparado há mais de 50 anos, pretende precisamente estreitar as relações ortodoxas.

“Este grande e sagrado concílio vai transmitir a mensagem da unidade (…) vai contribuir para a saída da paralisia atual da vida”, indicou o Patriarca Bartolomeu em Creta, citado pela imprensa.

A “comunhão ortodoxa”, com mais de 250 milhões de fiéis, agrupa 14 Igrejas autocéfalas, sacudidas pelas grandes mudanças no ex-bloco soviético e no Oriente Médio, e, muitas vezes, presa das disputas nacionais e políticas.

“A unidade da ortodoxia é boa para todos nós. Os ausentes são os grandes perdedores”, comentou Nikos Kotzias, ministro de Assuntos Exteriores da Grécia, país cuja Constituição qualifica a ortodoxia como “religião dominante”.

Os bispos e conselheiros participantes deste concílio, que foi decidido no final de janeiro durante uma reunião de primados em Genebra, deverão discutir e aprovar seis textos elaborados por consenso na reunião, que pretendem atualizar o testemunho ortodoxo, torná-lo mais audível e enquadrar as relações com o resto do mundo cristão. Uma “mensagem final” será também emitida ao término do concílio.

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