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Turquia parece querer que cristãos desapareçam

Ancara, Turquia, 23 de dezembro de 2008 — (stmaryprotectress.blogspot.com) — O Ministério de Relações Exteriores da Turquia e a burocracia do Estado turco estão tentando diminuir a importância do Patriarcado Ecumênico para toda a Ortodoxia, publicando informes falsos sobre a minoria grega na Turquia e subestimando as expectativas de Putin de visitar Bartolomeu. «Nunca permitiremos que os truques ou os caprichos da história nos expulsem deste lugar», disse o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, com respeito aos ilusórios relatórios divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores da Turquia, que denigre a «ínfima» presença da Comunidade Ortodoxa Grega na Turquia, e se recusa a reconhecer o título de «ecumênico» do Patriarcado, título este que tem sua procedência da antiguidade cristã. Na homilia que fez durante o Ofício de reabertura da Igreja dos Santos Constantino e Helena, no Bairro Bozakoy, em Constantinopla, Bartolomeu I pediu aos fiéis ortodoxos presentes para que «não caiam no desespero», recordando a grande batalha do rei grego Leônidas contra Xerxes da Pérsia, «nunca abandonaremos a nossa Termópila», acrescentou. Parece que o citado ministério turco está intentando fazer desaparecer o «Patriarcado Ecumênico», com o objetivo de qualificar Bartolomeu I como o «Patriarca do Fanar», recusando-se a reconhecer o título de «ecumênico», mas unicamente sua responsabilidade espiritual pela minoria grega local, e não pelas comunidades ortodoxas sob homofórion do Patriarcado de Constantinopla. Parece quase uma concessão especial aceitar o referido título de «ecumênico» a Bartolomeu I. Tudo isso tem impacto no estatuto jurídico do Patriarcado Ecumênico, em sua liberdade de viajar para o estrangeiro e de receber delegações estrangeiras na Turquia. Esta posição foi reafirmada em um informe sobre as minorias na Turquia apresentado pelo Ministério das Relações Exteriores no parlamento, cujos detalhes foram publicados recentemente. O informe indica que, segundo o Tratado de Lausanne (1923), ao Patriarcado de Fanar não se lhe proíbe sua presença e residência na Turquia, e que está somente à serviço das necessidades religiosas dos cidadãos ortodoxos turcos que, por motivo das perseguições e expulsões do passado, foram reduzidos a uma pequena minoria de 3.000 pessoas. Mas o informe não indica que esta interpretação não é aceita pela comunidade internacional, e que também é discutida por eminentes personalidades turcas, como o professor Baskin Oran. O informe exclui ainda a possibilidade de reabertura da Escola Teológica de Halkis em nome da laicidade do Estado, ao mesmo tempo em que o Estado turco patrocina mesquitas seculares (e sunitas), e escolas para imãs. O curioso é que o informe sobre as minorias tem sua origem no Ministério das Relações Exteriores. Desta forma, considera aos cidadãos turcos, na prática, estrangeiros em seu próprio país, sob observação constante e fiel da burocracia turca. O informe contém também manipulação de uma política natural. Para demonstrar ao mundo a magnanimidade do Estado turco para com a minoria ortodoxa, especialmente devido a sua intenção de ingressar na União Européia, a Turquia cita o fato de que existem no país pelo menos 270 locais de culto para cristãos ortodoxos Não menciona, porém, nada sobre o fato de que todos foram construídos antes da fundação da República Turca, durante o Império Otomano que, apesar de ter sido um Estado muçulmano, defendeu as minorias muito mais do que o estado atual. O informe também faz referência aos «interesse» dos Estados Unidos em proteger o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Este «interesse» se deve ao fato de que os Estados Unidos pretenderiam equilibrar a importância e a influência da Igreja de Moscou. «Está claro», disse uma fonte ortodoxa «que a burocracia de Ancara pretende diminuir a importância do Patriarca, especialmente depois da reconciliação entre Moscou e Constantinopla em Kiev, e durante a Cúpula dos Líderes Ortodoxos. Além disso», continua a mesma fonte, «a Turquia foi fortemente perturbada pelo destaque que a imprensa russa deu à presença do Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, durante o funeral de Alexis II. Nessa ocasião, o Chefe Patriarcal de Moscou, Metropolita Kyril de Smolensk, elogiou o papel de Constantinopla e, inclusive o primeiro ministro Putin agradeceu e expressou seu desejo de visitar Sua Santidade Bartolomeu I no Patriarcado Ecumênico». (traduzido por: pe. André)

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