Sérvia (RR) – O líder da Igreja Ortodoxa Sérvia sofre de doenças pulmonares e de coração, e já pediu ao Sínodo da sua Igreja para o substituir a partir de Novembro. O Patriarca Pavle (os clérigos ortodoxos são conhecidos apenas pelo seu primeiro nome) teve uma vida e uma carreira fora do comum. Liderou a Igreja Sérvia durante 18 dos anos mais complicados da sua história e teve uma actuação que tem merecido tantas críticas como elogios. Censurado por não criticar mais veementemente os abusos cometidos por sérvios durante a guerra jugoslava, por vezes com o apoio de clérigos locais, foi todavia visto como um elemento central na descredibilização de Milosevic durante os anos de contestação que acabaram por levar à queda do ditador. A vida do Patriarca Pavle espelha a complexidade da história da região balcânica. Nasceu num país que já não existe, o império austro-húngaro, viveu a maior parte da vida noutro país que já desapareceu, a Iugoslávia, e é Arcebispo Titular de uma diocese que agora se encontra no Kosovo. Em 1989, enquanto era ainda bispo, sofreu lesões graves às mãos de jovens de etnia albanesa que o espancaram no Kosovo. Esteve internado durante três meses mas recusou-se a apresentar queixa, perdoando os agressores. Aos 94 anos é ainda o mais velho patriarca ortodoxo vivo. O sínodo da Igreja Sérvia reúne-se no dia 11 de Novembro próximo para escolher o seu sucessor. FA.
Patriarca Pavle, líder da Igreja Ortodoxa Sérvia, renuncia ao cargo
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