ROMA, quinta-feira, 25 de dezembro de 2008 (ZENIT.org).- O Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, falou diante do Parlamento Europeu, reunido em sessão solene, sobre a «necessidade do diálogo entre as confissões e as culturas para construir um ecumenismo de paz, e sobre a importância de garantir os direitos das minorias. Afirmando-se «contrário a toda guerra e a toda forma de violência e de intolerância», o Patriarca disse que o «projeto europeu» é a base da coexistência pacífica de estados que antes estavam em guerra e advogou pela adesão da Turquia à União Européia. Ao apresentar ontem o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, o presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pottering, sublinhou os valores que fundamentam a União Européia (UE), dos quais o mais importante é a dignidade humana, que está estreitamente ligada à liberdade de religião. Recordando depois a metáfora de uma Europa que respira com dois pulmões, usada por João Paulo II após a queda do comunismo na Europa central e oriental, Pottering falou da riqueza oferecida à UE pelas diferentes visões da cristandade ocidental e oriental. Ao tomar a palavra, o Patriarca Ecumênico recordou que «hoje possuímos todos os meios tecnológicos para transcender o horizonte de nossa autoconsciência cultural», ainda que «continuemos assistindo aos efeitos terríveis da fragmentação humana». Neste sentido, falou do fundamentalismo e do nacionalismo extremo, que com freqüência são campo fértil de atrocidades, aos que se contrapõe o diálogo intercultural como raiz do significado de «ser humano». Por falta desse diálogo, acrescentou, as diferenças na família humana se reduzem a uma conversão do outro em «objeto» e levam ao abuso, ao conflito e à perseguição, ou seja, a «um suicídio humano em grande escala». Neste sentido, Bartolomeu I sustentou que se o diálogo deve ser algo mais que um mero intercâmbio cultural, é necessária uma compreensão profunda da interdependência entre cada indivíduo e os demais. O Patriarca Ecumênico manifestou a necessidade de respeitar os direitos das minorias contra políticas de exclusão e repressão. O «primus inter pares» do mundo ortodoxo se mostrou a favor da entrada da Turquia na União Européia, recordando ao mesmo tempo que esta «deve promover o diálogo e a tolerância em seu interior» e a tutela dos direitos fundamentais, «entre os que se encontra a liberdade religiosa». Ao sublinhar um certo vacilo europeu quanto à abertura a um país formado sobretudo por muçulmanos, Bartolomeu I disse que as grandes religiões podem ser uma força que transcende o nacionalismo e o fundamentalismo, assinalando aos fiéis o que une todos os seres humanos. O Patriarca Ecumênico Bartolomeu I confirmou a vontade do Patriarcado Ecumênico de contribuir com toda sua força para a paz, prosperidade e progresso no diálogo ecumênico. «Somos todos irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai celestial e, neste magnífico planeta do qual todos somos responsáveis, há lugar para todos, mas não para as guerras nem para quem mata seus semelhantes», concluiu.
Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla: «ecumenismo promove paz»
Mais de NEWSMais posts em NEWS »
- No Domingo da Ortodoxia, ECCLESIA apresenta a nova versão do Diretório Ortodoxo Brasil
- Novas cúpulas são instaladas na Igreja Ortodoxa Ucraniana São Valdomiro Magno, em Papanduva (SC)
- Patriarca Ecumênico: “Peço aos jovens que não se deixem aprisionar em gaiolas douradas digitais”
- Os três Santos Hierarcas: Basílio Magno, Gregório, o Teólogo, e João Crisóstomo: seus escritos e a atualidade





Seja o primeiro a comentar