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Séculos de teologia e medidas políticas para recompor o Grande Cisma

Artigo de Silvia Ronchey
Hoje, quando quem se coloca como defensor da cristandade no mundo islâmico em chamas é novamente, como séculos atrás, um “czar”, o movimento de Francisco parece ser novamente um chamado à Realpolitik: a melhor arma que a Igreja soube usar na história quando olhou não para as questões internas, mas para as grandes convulsões do globo.
A análise é da filóloga e bizantinista italiana Silvia Ronchey, professora da Universidade Roma Tre. O artigo foi publicado no jornal La Repubblica, 07-02-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto, publicada por IHU.
Eis o texto.
A recomposição do cisma entre as Igrejas tem na história um precedente concreto: a Bula de União que, em 1439, no Concílio de Ferrara-Florença, foi lida por Bessarion, então delegado bizantino, e pelo cardeal Cesarini, representante do Papa Eugênio IV.

Depois de séculos de tentativas, parecia abolido aquele “golpe de tesoura” (“cisma”, do grego esquizo, “cortado em dois”), que tinha dividido a cristandade em 1054, nos tempos do cardeal de Silvacandida, legado do Papa Leão IX, e de Miguel Cerulário, patriarca de Constantinopla.

A motivação da excomunhão recíproca entre papa e patriarca era política. Silvacandida reiterava a antiga pretensão do primado petrino, reivindicando a supremacia do bispo de uma Igreja, a de Roma, que tinha se feito Estado.

Cerulário queria se impor sobre o seu próprio imperador, verdadeiro líder da Igreja em um Estado, o bizantino, em que o clero tinha sido deposto pelo poder secular.

O metropolita Marcos de Éfeso, membro da missão bizantina no Concílio Ferrara-Florença, que argumentou consistentemente que não havia nenhum compromisso com o Ocidente, único a não assinar a "Ata de União" e, em torno do qual se reuniram os que defendiam a mesma posição .
O metropolita Marcos de Éfeso, membro da missão bizantina no Concílio Ferrara-Florença, que argumentou consistentemente que não havia nenhum compromisso com o Ocidente, único a não assinar a “Ata de União” e, em torno do qual se reuniram os que defendiam a mesma posição .

Não eram menos políticos os outros assuntos dogmáticos do cisma: à parte do celibato dos padres ou da questão dos pães ázimos, estava no centro, e está ainda hoje, a questão do Filioque. Concílios e concílios, na época das disputas trinitárias, tinham discutido sutilmente a procissão do Espírito Santo, para concordar no fim que ele procedia do Pai através do Filho (per Filium).

A reivindicação bizarra, que surgiu na distante e selvagem Espanha dos séculos escuros, de que o divino Pneuma procedia do Pai “e do Filho” (Filioque, justamente) não era uma alternativa real para a conclusão dos grandes Padres conciliares. O Filioque católico era uma interpolação incultura que não se podia nem sequer incluir entre as tantas definições errôneas da teologia trinitária. Mas esse erro, que distorcia o Credo Niceno-Constantinopolitano, tinha sido defendido pelos seus bons motivos pelos papas dos tempos de Carlos Magno, que havia imposto um pequeno e próprio “Sacro Império Romano” rival daquele que até então era hegemônico, Bizâncio.

Sobre essa forçação, o papado havia prosperado e reforçado a sua influência na Europa. A assunção do Filioque como bandeira do cisma, portanto, era tanto teologicamente pretextuosa quanto eminentemente político-real.

Igualmente realista, em um momento de implacável avanço islâmico, havia sido a Bula de União de Florença. A contrapartida do transformismo dogmático de Bessarion era a grande expedição militar das potências europeias para evitar que Constantinopla caísse na mão dos turcos, efetivamente organizada por Roma, mas fracassada em Varna em 1444, por causa de uma daquelas variáveis caóticas de que a história é feita.

Sem a traição de alguns mercadores genoveses, a União de Florença talvez teria se sustentado, o mundo cristão não teria se dividido. Mas a história não se faz com os “se“. Depois do massacre de Varna, a União foi vista no Ocidente como uma maldição. No Oriente, ela já havia sido denunciada não só pelo clero constantinopolitano, mas também e principalmente pela desenfreada Igreja russa […]

(Continue lendo)

Um Comentário

  1. Angela Angela 7 de abril de 2016

    El terrorismo y su utilización para cometer atentados de falsa bandera esta a la orden del día. Y esto es lo que esta pasando en Europa. Los “autores estratégicos” están utilizando a los “autores materiales” mediante atentados de falsa bandera para enfrentar a unos con otros. Quieren sumir al continente en un caos social y económico, enfrentándonos a unos cono otros para que nos autodestruyamos. Siempre utilizan la misma estrategia, enfrentando a las dos partes a eliminar, mediante atentados de falsa bandera. con este sitio alucine http://www.caesaremnostradamus.com

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