O Espírito é indescritível, não tem nome ou rosto, não se sabe «nem de onde vem nem para onde vai», embora «possamos ouvir seu rumor» (Jo 3, 8); sem o vento, a árvore e o mar, seu canto não poderia ser percebido. O Espírito tende a ser confundido com a interioridade mais íntima, mais pessoal do homem, como com o mistério de Deus, porque “Deus é espírito” (Jo 4, 24). Pois bem, diziam os Santos Padres que se Deus se encarnou, foi para que o homem pudesse receber o Espírito. O propósito da encarnação, da cruz, da ressurreição e da exaltação de Jesus é o Pentecostes. Em Cristo, a Igreja é «a Igreja do Espírito Santo». Em toda a Escritura, o Espírito de Deus é o sopro vivificante que já atuava na criação, “incubando” maternalmente, como um pássaro, às águas primordiais (cf. Gn 1,2), em uma espécie de Pentecostes cósmico. O Espírito infunde no ser humano a vocação para ser “Imagem de Deus” (Gn 1,27). Em Hebraico, o termo Ruaj pode ser masculino e feminino. Há, portanto, uma espécie de harmonia entre a economia do Espírito e a feminilidade.
O Espírito «falou pelos profetas» (Ef 3,5), ungiu reis, inspirou sacerdotes. Jesus, Rei, Sacerdote e Profeta, é apresentado como o “ungido” pelo Espírito quando diz: «o Espírito do Senhor está sobre mim» (Lc 4, 18). O Espírito torna possível a encarnação, é unção messiânica de Jesus, e repousa permanentemente sobre ele; é sua força, sua fé. Jesus exulta de alegria “no Espírito” (Lc 10:21). Como mostram as grandes epifanias trinitárias do batismo no Jordão e a Transfiguração no Monte Tabor, o Pai ama Jesus no Espírito e Jesus ama no Espírito o Pai. Nos discursos de despedida do Quarto Evangelho, Jesus completa a revelação da missão do Espírito: outro Paráclito (Jo 14, 6) – um advogado, um consolador que protege e vivifica -, que fará com que os homens interiorizem a presença de Cristo e lhes comunicará o amor trinitário.
De fato, depois de velar Jesus morto, o Espírito o ressuscitou e o glorificou. O corpo «Pneumático» de Cristo — não desmaterializado, mas plenamente vivificado, plenamente libertado (e libertador) das modalidades do tempo e do espaço, que são fontes de separação – torna-se corpo eclesial, lugar sacramental em que o espírito pode soprar com toda sua força. Isso é Pentecostes: vento e fogo, manifestação pessoal na plenitude do Espírito, inaugurada em um momento concreto da história, porém, a partir deste desse momento, convertida em contínua preparação, lenta maturação da Parusia… [Siga lendo o Prólogo desta obra em espanhol…].






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