Escrito por Ervino Martinuz

CONSTANTINOPLA/Istambul, 21 de Fevereiro de 2012 (SIR) – Um documento de 18 páginas em que o Patriarcado ecumênico pede “plena liberdade” para as minorias não islâmicas na Turquia foi entregue ontem de manhã pessoalmente pelo Patriarca ecumênico Bartolomeu I o final do encontro de uma hora com os membros da Comissão parlamentar que está trabalhando na revisão da Constituição turca. “Por enquanto, o documento não poderá ser divulgado porque está sendo examinado pela Comissão”, informaram fontes do Patriarcado ecumênico, que se mostraram “claramente satisfeitas porque foi a primeira vez” que o patriarca foi convidado pelo Parlamento de Ancara a apresentar as suas propostas. A revisão constitucional – explicam as mesmas fontes do Patriarcado – “encontra-se ainda numa fase inicial” e a esperança é que haja ainda outras convocações e, sobretudo, poder ler a redação do texto antes que seja aprovado. “Pela primeira vez na história da República – afirmou o Patriarca ecumênico aos jornalistas saindo da sala do encontro – as minorias na Turquia receberam o convite formal para manifestar suas propostas sobre o esboço da nova Constituição. Infelizmente, houve injustiças contra as minorias na Turquia, mas agora foram reconhecidas e uma nova Turquia está nascendo. Deixamos este encontro com esperança e somos muito agradecidos”. Gratidão foi manifestada também no comunicado oficial divulgado pelo Patriarcado no qual se afirma que, durante o encontro, o patriarca pode falar dos “problemas” das minorias religiosas na Turquia pedindo, portanto, o respeito “dos direitos humanos e, sobretudo, a liberdade de religião, de consciência e de instrução”. No documento de 18 páginas, destaca-se a exigências que as minorias sejam reconhecidas “como cidadãos com plenos direitos no País”, para poder superar “as discriminações e as injustiças do passado”. O Patriarca foi acompanhado por um grupo de peritos do Patriarcado: entre os membros da delegação, estava também Emre Öktem, professor de direito, que sugeriu que na nova constituição haja uma referência ao Tratado de Lousanne, assinado a 24 de julho de 1923, no qual foram definidas as relações entre o Estado turco e as religiões não islâmicas e no qual são garantidos os direitos das comunidades cristãs no País. Entre os pedidos deixados no documento do Patriarcado, encontra-se a reabertura da Escola teológica de Halki, que até seu fechamento em 1971 por ordem das autoridades turcas era a principal escola de teologia do Patriarcado ecumênico de Constantinopla. Numerosos estudiosos ortodoxos, teólogos, sacerdotes e bispos, como também muitos patriarcas estudaram em Halki, inclusive o próprio Patriarca Bartolomeu e seus antecessores: os Patriarcas Demetrius, Athenagoras, e Maximus V. [VerboNet]










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