Conselho Teológico ortodoxo-católico emite mensagem por ocasião de seu cinquentenário.
Worcester – EUA, quarta-feira 28 de outubro, 2015 — O Conselho Teológico foi a primeira iniciativa de diálogo oficial entre teólogos das Igrejas Ortodoxas e a Igreja Católica a se estabelecer nos tempos modernos. Realizou sua primeira reunião em setembro de 1965, sob a liderança do Arcebispo Iakovos (2005) da Arquidiocese Ortodoxa Grega das Américas do Norte e do Sul, e Dom Bernard Flanagan (1998) de Worcester. Desde então, durante cinquenta anos, vem promovendo a aproximação e diálogo entre teólogos ortodoxos e católicos e discutindo questões de interesse comum.
DECLARAÇÃO
O amor de Cristo nos compele (2 Cor 5, 14).
Cinquenta Anos de Diálogo do Conselho Teológico Norte-Americano Ortodoxo-Católico
24 de outubro de 2015
Graças e louvor a Deus, Pai e Filho e Espírito Santo, por esta abençoada oportunidade de celebrar o quinquagésimo aniversário de criação do Conselho Teológico Norte-Americano Ortodoxo-Católico, em Worcester, Massachusetts, entre 22 e 24 de outubro de 2015.
A primeira reunião da Conselho ocorreu em 9 de setembro de 1965, na Catedral Ortodoxa Grega de Santo Spyridon em Worcester, sob a liderança do Arcebispo Iakovos (2005) da Arquidiocese Ortodoxa Grega das Américas do Norte e do Sul, e Dom Bernard Flanagan (+ 1998) de Worcester. Esta reunião de teólogos, sem precedentes, ocorreu após o histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Ecumênico Atenágoras, em Jerusalém, em 5 de janeiro de 1964, e antes da suspensão dos anátemas de 1054 por Roma e Constantinopla, em 07 dezembro de 1965.
O Conselho teológico Ortodoxo-Católico havia sido formalmente estabelecido anteriormente, em 1965, pela Conferência Canônica Permanente dos Bispos Ortodoxos da América, atual Assembleia Canônica dos Bispos Ortodoxos dos Estados Unidos, e pela Conferência Nacional dos Bispos Católicos, atualmente, Conferência dos Estados Unidos dos Bispos Católicos. Desde 1997, a Conferência dos Bispos Católicos do Canadá também tem sido um coparticipante.
A corajosa decisão de nossas Igrejas, para estabelecer este Conselho Teológico refletiu as perspectivas do Concílio Vaticano II (1962-1965) e as Conferências Panortodoxas (1961-1968). Este Conselho constitui a primeira iniciativa de diálogo oficial entre teólogos das Igrejas Ortodoxa e Católica nos tempos modernos. Ele marcou uma nova e importante fase no relacionamento entre nossas Igrejas.
As primeiras reuniões não foram fáceis. Séculos de ensinamentos divergentes e mal-entendidos ainda persistiam. Haviam poucos modelos contemporâneos de diálogo a serem seguidos. Damos graças pela visão dos Arcebispos Dom Iakovos e Dom Bernard Flanagan, ambos profundamente comprometidos com a unidade cristã. Eles incentivaram teólogos ortodoxos e católicos e aos fiéis para que fossem além do isolamento, e que se comprometessem com o diálogo em obediência à oração de Cristo pela unidade dos seus seguidores.
Por cinquenta anos, este Conselho tem contribuído para o principal objetivo: o restabelecimento da plena comunhão entre nossas Igrejas que será alcançado através do diálogo teológico, alimentado pela oração e pelo respeito mútuo entre os participantes.
Ao longo destes anos, o Conselho foi abençoado pela participação ativa de um número expressivo de bispos comprometidos e estudiosos. Servindo ao Conselho com distinção, eles elaboraram declarações e contribuíram com estudos acadêmicos sobre temas críticos, além de disseminar os conteúdos das atividades do Conselho em suas Igrejas e instituições de ensino. Agradecemos ao Senhor por suas contribuições. Para aqueles que já não se encontram entre nós, tendo passado desta vida, oramos para que o Senhor se lembre deles no seu Reino.
O Conselho também tem dado sua contribuição a uma série de outros fóruns que reúnem representantes das Igrejas ortodoxas e católica. A Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa foi criada em 1979. A Comissão Mista de Bispos Ortodoxos e Católicos dos Estados Unidos se reúne desde 1981. Apreciamos as oportunidades que nos têm dado de contribuir para o seu trabalho, através de nossas respostas às declarações da Comissão Internacional e de consultorias teológicas aos nossos bispos.
Durante as últimas cinco décadas, tem havido um notável progresso nas relações positivas entre ortodoxos e católicos. Os encontros dos Papas e Patriarcas Ecumênicos manifestaram corajosamente esse novo espírito. Relíquias puderam retornar aos seus santuários de origem, onde voltaram a ser veneradas. Entre clérigos e leigos, as oportunidades de oração, estudo e testemunho comum têm feito muito para esclarecer e eliminar os seculares mal-entendidos e para aprofundar o respeito mútuo. Em particular, lembramos a peregrinação de bispos ortodoxos e católicos à Roma e Constantinopla, respectivamente, em 1995; peregrinações semelhantes foram feitas por grupos de ortodoxos e católicos em Boston, Worcester, Washington, San Francisco e Chicago. Cresce o número de institutos e seminários [que comungam desse espírito]. Da mesma forma, tendo em conta o aumento recente do número de casamentos entre ortodoxos e católicos, o Conselho ocupou-se de oferecer orientação pastoral para os casais. Tudo isso, acreditamos, dá testemunho da profunda vontade de reconciliação e de unidade na fé que caracteriza a vida do Povo de Deus em nosso tempo.
Acreditamos que, pela graça de Deus, as atividades do Conselho tenham realmente oferecido uma importante contribuição para a aproximação entre as nossas duas Igrejas. O Papa Paulo VI (1978) e o Patriarca Ecumênico Atenágoras (1972) referiram-se à Igreja Ortodoxa e à Igreja Católica como “Igrejas irmãs”, e temos sido guiados, desde então, por esta convicção. Por isso, foi dito em 1999 que: “Os membros ortodoxos e católicos deste Conselho reconhecem, em ambas as tradições, um ensinamento comum e uma fé comum em um só batismo, a despeito de algumas variações na prática que, acreditamos, não afetam a substância do mistério. Estamos, portanto, movidos a declarar que reconhecemos também o batismo uns dos outros como uma e a mesma realidade …. Em nossa comum realidade do batismo, descobrimos a base do nosso diálogo, bem como a força e a urgência da oração do Senhor Jesus “que todos sejam um”. Aqui, finalmente, se concretiza a base para o uso moderno da expressão” igrejas-irmãs. “‘
O reconhecimento dessa relação única nos compele ainda mais a enfrentar questões teológicas sérias que têm contribuído para a divisão. As nossas discussões, trabalhos acadêmicos, declarações de acordo, examinam em profundidade tais questões; ademais, o ensino e as práticas sacramentais continuam a expressar uma unidade essencial na fé apostólica. A restauração da nossa unidade requer reflexão teológica sólida. Sublinhamos, em especial, as nossas declarações sobre a Sagrada Eucaristia (1969), Batismo e Economia Sacramental (1999); O Filioqüe: uma questão que divide a Igreja? (2003); Passos para a unidade da Igreja (2010), que abordam questões de primado e conciliaridade. Urge agora, e assim exortamos a todos, que estas declarações sejam tidas em consideração oficial em vista de encontrar formas para uma melhor recepção.
O Conselho fez ainda recomendações quanto ao modo de enfrentarmos em conjunto uma multiplicidade de desafios na América do Norte. Abordamos preocupações nas áreas de casamentos inter-religiosos, a formação espiritual das crianças em famílias ortodoxo-católicas, e o compromisso de defender a dignidade da vida humana, incondicionalmente. Examinamos o desafio de ‘Celebrarmos Juntos a Páscoa’ (2010) e temos afirmado a importância do Domingo (2012) como um dia especial de oração comum. Nossos estudos têm contribuído para o cuidado pastoral do povo de Deus, bem como para o progresso de outros diálogos ecumênicos.
O Patriarca Ecumênico Bartolomeu I referindo-se ao Conselho, assim se expressou: “Com uma visão acadêmica, uma sensibilidade pastoral e um fervoroso espírito de oração, vocês têm examinado e abordado aquelas questões críticas que distanciaram as nossas Igrejas uma da outra, e avançam neste esforço de aproximação oferecendo um testemunho comum no mundo, em nome de Cristo. Assim, respondem com fidelidade à oração do Senhor pela unidade dos seus seguidores (Jo 17,21) […]. Na verdade, os frutos do Conselho bem se materializam nas suas vinte e oito declarações e acordos. Por cinco décadas, essas declarações e os estudos relacionados têm contribuído grandemente para a mútua compreensão, a renovação teológica, e a resolução de nossas diferenças históricas”.
Por sua vez, o Cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, afirmou que as declarações do Conselho ‘têm certamente promovido o mútuo entendimento entre católicos e ortodoxos na América do Norte, ajudando a criar um clima de amizade mútua e produtiva cooperação”. Dom Douglas Crosby, Bispo de Hamilton e Presidente da Conferência dos Bispos Católicos do Canadá, escreveu que “o Conselho se mostrou um excelente modelo para o diálogo, que tem suas raízes na verdade e caridade”.
Somos gratos ao Senhor que nos deu essa bênção especial que nos possibilita contribuir para a restauração da unidade de nossas Igrejas. Comprometemo-nos a seguir examinando as questões que ainda dividem as nossas Igrejas, confiando na orientação do Espírito para nos mostrar que estas diferenças não são insuperáveis. Estamos ansiosos pela chegada do abençoado dia quando poderemos celebrar juntos a Eucaristia.
Atualmente, estamos particularmente atentos aos membros de nossas Igrejas que sofrem e entregam suas vidas por sua fé em Cristo, nosso Senhor ressuscitado. Estamos profundamente gratos por sua fé e por seu testemunho. Mesmo pertencendo a diferentes denominações cristãs, estas mulheres e homens confessam com fidelidade o mesmo Senhor, que nos chama a ser “um n’Ele”, para que o mundo creia.
Exortamos aos bispos, clero e fiéis das nossas igrejas que continuem contribuindo para a necessária reconciliação por meio da reflexão sobre a fé, da oração fervorosa e através do testemunho de um agir comum em nossa sociedade.
Que o nosso bom e amoroso Senhor, por intercessão de Maria, a Theotokos e todos os santos, continue a guiar-nos e a abençoar nossos esforços e orações pela restauração da plena comunhão de nossas Igrejas na fé apostólica.
Fonte: Assembly of Canonical Orthodox Bishops of the United States of America
Tradução: Pe. André (João Manoel) Sperandio







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