Apesar dos combates na Ucrânia sul-oriental, a maioria dos sacerdotes ortodoxos arriscam suas vidas permanecendo junto ao seu povo nas respectivas paróquias. O Patriarca Cirilo de Moscou, num encontro com jornalistas por ocasião no festival de mídia ortodoxa «Fé e Palavra», disse estar convencido de que, «nesta situação [dos combates na Ucrânia, ndt], deve-se agir como faz a grande maioria do clero que exerce seu ministério no leste da Ucrânia. Sabemos que há vítimas entre o clero, e que alguns foram submetidos a torturas e interrogatórios cruéis […]. É claro que ficar com o seu povo em tais condições é uma atitude de fidelidade vocacional e grande responsabilidade», disse. De acordo com o patriarca, o pastor não deve abandonar seu rebanho,sobretudo numa situação como esta, «porque as dificuldades externas não podem ser uma justificativa para o abandono do ministério». Contudo, observou o patriarca, «não se pode julgar os que o fizeram. Só Deus poderá julga-los. Quanto a nós, não sabemos de todas as circunstâncias que envolveram tais decisões». O que estão suportando os ortodoxos na Ucrânia é uma lição para todos os sacerdotes. «Nunca se pode vincular o ministério ao bem estar material, vida próspera e confortável. Esta é uma motivação equivocada na escolha do caminho vocacional», concluiu. Nos últimos meses, três sacerdotes foram mortos a tiros na Ucrânia. No dia 1º de agosto, os peritos do Instituto Russo de Pesquisas Estratégicas (RISI) divulgaram uma estatística com base em informações dos meios de comunicação ucranianos e russos, mostrando ter havido desde o início do ano, 62 casos de atos de atentados contra igrejas e sacerdotes da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou.

«O PASTOR NÃO PODE ABANDONAR SEU REBANHO».
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