«[…] Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma.
E as coisas, que ajuntaste, de quem serão?»Lc 12,20.
Reverendos Padres e queridos fiéis da Grande Florianópolis:
Que a paz e a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam sempre com vocês.
A passagem do Evangelho que acabou de ser lida é difícil de ser ouvida pela modernidade. Ela nos lembra que o trabalho que fazemos aqui na Terra para construir a riqueza e a segurança é de pequeno valor, e que nosso objetivo hoje é o mesmo de dois mil anos atrás: estarmos preparados para o paraíso e prontos para quando formos chamados de volta à casa do Pai.
Muitas vezes o Evangelho nos mostra que não somos tão diferentes das pessoas que viveram na antiguidade. Nosso tempo não é um tempo «especial». Este fato faz com que muitas pessoas se entristeçam, contudo, não deveria ser dessa maneira. Nós devemos estar contentes, pois, como Cristãos, somos convocados a fazer as mesmas coisas que os outros Cristãos foram chamados a fazer ha dois mil anos: construir nosso tesouro nos céus.
– Mas qual o significado disto para nós?
Significa que não podemos viver duas vidas: uma dentro da Igreja, e outra fora dela, nos nossos trabalhos e com nossas famílias. Nós não economizamos para a aposentadoria e para o paraíso. Nós não vivemos uma dupla vida. Nós temos uma única vida, uma única luz e um único objetivo: Os Cristãos são chamados ao paraíso (Fp 3:14).
E, enquanto deveríamos ser aqui responsáveis, assegurando que nossas famílias estão protegidas e eliminando nossas dividas, nós devemos perceber que tudo isso não nos leva a casa do Pai.
– Por que?
Os Cristãos não têm sua morada na Terra. Nós Cristãos somos chamados a fazer mais. A casa do Cristão é o Céu. Nós almejamos um País melhor, uma cidade melhor, e, se nós aumentarmos nosso celeiro espiritual e nossos tesouros espirituais, tudo Deus nos proverá (Hb 11:16)
Nós nos esquecemos muitas vezes, nas confusões a atribulações do dia-a-dia, que não devemos assentar raízes aqui na Terra. Nós estamos aqui somente de passagem. Esta é a essência do Cristianismo e assim tem sido ao longo de dois mil anos. Nós estamos a caminho de um lugar muito melhor. E nós devemos nos preparar para isso.
Como devemos nos preparar para o paraíso? Como podemos nos tornar, como diz o Evangelho, «ricos perante Deus?»
Nosso Senhor nos dá uma resposta simples: «venda suas posses, dê aos pobres, e você terá o tesouro dos Céus» (Mt 19:21).
No Evangelho, este pedido entristeceu muito um jovem rico. E não deveria. Nós deveríamos ter prazer em dar aos pobres através da Igreja. Nos deveríamos ter o privilégio de doar nossas riquezas para ganhar o paraíso.
Lembrem sempre, antes de sermos chamados Cristãos, em Antioquia, nós éramos chamados «Seguidores do Caminho». Primeiro, porque o Cristianismo foi a primeira religião a envolver todas as experiências humanas, mais do que as religiões meramente cívicas e étnicas daqueles tempos. Nossa fé é também espiritual, uma maneira de viver. Segundo, porque naqueles dias os Cristãos acreditavam que viver neste mundo era apenas uma pequena parcela de uma existência muito maior: nós estávamos a caminho de um lugar melhor.
Assim, nós devemos lembrar constantemente que somos chamados a integrar nossas vidas, nos dedicar totalmente a viver o caminho do bem enquanto empreendemos nosso retorno para a casa do Pai. Não será um caminho fácil, mas com toda certeza, este é o caminho correto.
E não se preocupem, porque Cristo também nos ensina, «com Deus tudo é possível» (Mt 19:26).
Tradução: Luiz Fernando Gil
Homilia de S. Emncia. Revma. Dom TARASIOS, na visita pastoral a Florianópolis
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