por Sarah Wagner-Wassen
No início de junho, participei da conferência “Niceia e a Igreja do Terceiro Milênio” em Roma para apresentar um breve artigo relacionado à minha tese de doutorado. Realizada em homenagem ao 1.700º aniversário do Concílio de Niceia, em 325, a conferência teve como objetivo discutir a unidade entre ortodoxos e católicos. Em seu discurso na conferência, o Papa Leão XIV disse: “O Concílio de Niceia não é apenas um evento do passado, mas uma bússola que deve continuar a nos guiar rumo à plena unidade visível de todos os cristãos.”
Além dos temas habituais, como a data da Páscoa e o Filioque, a conferência abordou a questão, conforme indicado pelo título, do que o Concílio de Niceia e o credo ali formulado podem nos oferecer no terceiro milênio da era cristã. Embora geralmente recitemos a forma mais longa do Credo, emendada no Concílio de Constantinopla em 381, as principais definições a respeito da relação de Jesus com Deus Pai foram escritas para excluir a teologia popular do século IV, segundo a qual Jesus não era plenamente Deus.
A crença de que Jesus é Deus Filho, consubstancial ao Pai, continua importante hoje. Atualmente, é comum pensar em Jesus apenas como um homem bom que viveu há muito tempo e foi “pregado a um madeiro por dizer que seria bom as pessoas serem gentis umas com as outras” (Douglas Adams, O Guia do Mochileiro das Galáxias). Quando recitamos o Credo, reconhecemos que os ensinamentos de Jesus sobre a compaixão são eficazes justamente porque Ele é Deus.
Como observou o Rev. Dr. Mark Smith em sua palestra sobre Niceia, a partir de uma perspectiva anglicana, o Credo não é apenas um artefato arqueológico que lembramos semanalmente. Hoje, há um movimento em direção ao que se chama “Cristianismo Puro”, que muitas vezes significa insistir apenas no mínimo da fé. A história do Credo Niceno mostra que mesmo após a adoção de sua forma mais longa em 381, eram necessárias mais discussões. Essas afirmações básicas da fé devem ser mais bem desenvolvidas, discutidas e testadas para responder às necessidades teológicas atuais. O Credo não é o ponto final da teologia, mas um ponto de partida e um meio de expressar a fé ortodoxa.
A definição de fé do Credo não foi, como alguns gostam de dizer, a fossilização de quem venceu e quem perdeu nos debates teológicos do século IV. O Credo não foi criado para ser uma repetição estéril de quem estava “certo”; ele nasceu da renovação bíblica e da escuta atenta das Escrituras. Não podemos simplesmente nos acomodar e relaxar na definição de fé contida no Credo. Pelo contrário, somos convidados a ir a Niceia como exemplo da graça de Deus, onde Ele continua a se encarnar na Igreja como o lugar onde a ortodoxia pode florescer. Como disse Smith em sua conclusão, “O testemunho robusto do Credo Niceno é uma mensagem de redenção do pecado, um ato de graça que é obra de Deus e não apenas uma lista, como um dom profundo do Credo para a nossa era distraída e complacente.”
A unidade entre os cristãos é um objetivo digno. Embora uma conferência como esta possa discutir como alcançá-la, o fundamento da unidade é estabelecido quando recitamos juntos as palavras do Credo. Essa unidade não se encontra ao reduzi-la a uma declaração de uma proposição teológica há muito estabelecida, mas ao fazer uma constante afirmação de nossa vida em Cristo, ativa e capaz de responder às diferentes teologias que tentam nos enredar hoje.
Leia o discurso do Papa Leão XIV à conferência aqui: https://bit.ly/3ZQ48ra. A palestra do Rev. Dr. Mark Smith pode ser vista aqui: https://bit.ly/44mbK64.










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