A recente vitória do Patriarcado Ecumênico no processo judicial que reivindicava a permanência e o funcionamento de um orfanato cristão na ilha de Buyukada, em Istambul, fez reascender as esperanças de os cristãos da Turquia de reconquistarem mais direitos legais que, desde 1920 (data da fundação da Republica da Turquia) têm sido dificultados. Mais do que um vitória judicial, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I vê neste fato uma possibilidade de melhora nas relações entre o Estado turco e as minorias religiosas daquele pais. Bartolomeu I explica que é necessário reivindicar mais do governo turco seus direitos, pois, caso contrário, comunidades minoritárias cristãs correm o risco de desaparecerem em meio a uma população majoritariamente mulçumana. «Os cristãos foram sendo expulsos de sua pátria, de forma lenta e gradual, ao longo do tempo, pressionados por práticas de um governo que desde 1923 restringe direitos civis e de lugar de culto para os não-mulçumanos, embora a sua constituição preveja em seus artigos a liberdade de crença a todos, mas o que se observa é uma realidade muito diferente», disse o Patriarca.
Freqüentemente, as comunidades cristãs têm apelado ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em Estrasburgo, pelo reconhecimento dos direitos fundamentais da pessoa humana. O orfanato é uma vasto edifício de madeira que foi expropriado pelo Estado da Turquia em 1995, alegando perigo à população por causa do péssimo estado de conservação da obra. Na época, o Patriarcado estava disposto a restaurar o edifício, cuja autorização lhe foi negada. Então, desde 1997, o Patriarcado Ecumênico tem apelado ao Tribunal Europeu, solicitando que o Estado turco lhe devolvesse o edifício. O resultado saiu em 15 de junho de 2010, favorável à petição de Bartolomeu I. O mesmo Tribunal exigiu que o governo turco, além de devolver o edifício ao seu legítimo proprietário, pague uma indenização de 26 mil euros. Tão importante quanto a vitória judicial é o fato de que o Tribunal Europeu de Direitos Humanos reconheceu o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla como uma entidade jurídica de direito próprio, algo que o Estado turco nunca fez .
A decisão favorável do Tribunal Europeu ao funcionamento do Orfanato deu ânimo ao Patriarcado para prosseguir lutando pelo fim das restrições à abertura do Seminário Ortodoxo de Halki, na ilha de Heybeliada, fechado em 1971 pelo governo, quando o Estado nacionalizou todas as instituições privadas de ensino superior, privando o Patriarcado Ecumênico de formar seus futuros sacerdotes na Turquia. Outro direito pelo qual luta o Patriarca Bartolomeu I junto ao Estado turco é pelo reconhecimento de seu status de líder religioso de mais de 250 milhões de cristãos ortodoxos espalhados pelo mundo. Atualmente, o estado turco o reconhece apenas como um líder religioso da cidade de Istambul, sem qualquer expressão nacional ou internacional. [Archons.org | por: By Sarah Mac Donald]






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