O Relato evangélico deste domingo contrapõe duas realidades que coexistem de maneira misteriosa: a primeira é a do homem identificado nos discípulos, incompleta, fraca, hesitante, mas, ao mesmo tempo, disposta para as coisas do alto, embora de maneira ainda frágil; a segunda é a divina: Jesus Cristo, Deus que se revela de maneira temível aos olhos e aos sentidos dos homens. Ambas as realidades se conjugam num âmbito que chamamos de «sobrenatural», onde o que está «sobre» a natureza, a cura, a nivela com o alto e, por fim, a aperfeiçoa de maneira misteriosa, através da «Divina Graça que sempre cura o enfermo e completa o que falta». Estas duas forças se entrecruzam e interagem mais uma vez neste episódio de conotações dramáticas. A revelação – «epifania» – de Jesus é um ato que «desvela» sua Divina Presença nesta dimensão, portanto é um ato puramente metafísico, com as conseqüências que se produzem no plano da natureza: é por isso que a Presença – «Parusia» – de Jesus provoca um evento que transcende a lógica e a capacidade sensitiva dos homens que não têm a capacidade espiritual para «decodificar» a natureza do evento. Isso acontece na noite mencionada nesta perícope evangélica. É por isso que, ante a incompleta percepção do evento através dos órgãos dos sentidos do corpo, passe a atuar a razão, que tende a compaginar de maneira lógica a seqüência dos acontecimentos. Não tendo a Lógica a capacidade de decifrar de maneira natural o evento, subsiste a emoção imperante que se produz ao perceber o mesmo. Neste caso, os apóstolos temem. Subsiste o temor, pois a razão não pode abarcar as dimensões do evento, nem as pode interpretar. A razão, sendo incapaz de prosseguir com a análise completa do evento, dá-se a dúvida. A razão se esforça por eliminar a dúvida e é por isso que segue a comprovar o evento: «Senhor, se és Tu, faz …», diz Pedro, oferecendo uma chave de interpretação ao evento. Jesus consente. Pedro se faz novamente parte do evento e, novamente duvida ante a força da natureza que se precipita diante dele. A resposta do Senhor é concreta: «Por que duvidaste?»
E os homens são criaturas de dúvida. A dúvida está sempre presente em nossas vidas porque nós somos seres racionais capazes de escolha. A dúvida é parte de nossas vidas, no entanto, em determinadas situações e realidades, devemos expulsá-la. E isto diz respeito às questões de fé. Fé e dúvida se contrapõem. Deus e dúvida se repelem: Deus não quer que duvidemos d’Ele. Quer que tenhamos certeza sobre Ele, que tenhamos fé n’Ele. Os discípulos duvidam de Jesus. Pedro duvida de Jesus: «é Ele mesmo ou um fantasma?» E querem então comprová-lo. Verdade é que a experiência é dramática, quando incomum. Eles não compreendiam quem era Jesus. Nós temos a experiência deles, o testemunho deles; temos as palavras e os mandamentos de Jesus; temos então muitos instrumentos para poder expandir a nossa fé: FÉ É USAR A LÓGICA ATÉ O SEU LIMITE ÚLTIMO E DALI LANÇAR-SE AO ABISMO DO IMPOSSÍVEL FATO POSSÍVEL, porque tudo o que Deus quer Ele o faz nesta realidade e o manifesta quando e como quer: só precisamos estar dispostos a sermos surpreendidos pela Divindade, sabendo que tudo é amor e para a nossa perfeição.






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