KOLYMPARI, Creta, Grécia, 08 de Outubro de 2009 (Fonte: Ortodoxia.org | CMI) Preservar o meio ambiente e promover a compreensão entre as religiões e os povos são tarefas imediatas e comuns das igrejas envolvidas na busca da unidade cristã, disse o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, ao inaugurar hoje em Creta a reunião plenária da Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). «Como comunidades separadas, somos um “feixe frágil”, disse Bartolomeu diante de uns 150 teólogos provenientes da maioria das famílias confessionais do cristianismo mundial reunidos de 7 a 13 de Outubro na Academia Ortodoxa de Creta, Grécia. «Mas, juntos, podemos nos tornare um só povo com um só Deus», disse Bartolomeu I, que tem um primado de honra entre os líderes cristãos ortodoxos e é considerado o guia espiritual de cerca de 300 milhões de fiéis em todo o mundo. Para Bartolomeu I, a missão comum das igrejas se traduz, em termos contemporâneos, «na preservação da criação como modo adequado de adorar o Criador, e a promoção da tolerância e da compreensão entre as religiões e povos em todo o mundo». Assim, «consciência ecológica» e «diálogo ecumênico» são centrais na agenda das igrejas que buscam a unidade.
«A preservação e o equilíbrio do terra» estão intimamente associados com a “justiça e a paz”, disse Bartolomeu I. Ao promover uma visão de mundo no qual a autoridade de Deus é determinante, os cristãos devem «ser autênticos e proféticos ao criticar o consumismo do mundo». Ver este mundo à luz do que vem. Falando para um público envolvido na «ansiosa busca da unidade visível, a que todos aspiramos e que ao que somos chamados» Bartolomeu I sugeriu uma perspectiva temporal e teológica ampla. «A unidade da Igreja» é «uma busca interminável, uma viagem em permanente evolução», disse ele, sublinhando que «o que nós buscamos ocorrerá no tempo de Deus, e não no nosso», já que é «o fruto da graça celestial e do kairós [tempo oportuno) divino. Portanto, é preciso «indulgência» e «humildade» mais que «impaciência» ou «insistência orgulhosa». É preciso «aprender com os demais» ao invés de «impor as nossas posições», o que seria «arrogante e hipócrita». Do ponto de vista da teologia ortodoxa, apontou Bartolomeu I, buscar a unidade cristã exige «abertura para o passado e ao futuro». «É essencial que aprendamos com os primeiros Pais e Mães da Igreja, que abraçemos o pensamento da Igreja primitiva», disse o Patriarca. Ao mesmo tempo, «devemos prestar atenção ao futuro, a era que virá, ao Reino dos Céus». Não se trata, entretanto, de fugir ou se retirar deste mundo, mas de «ver este mundo à luz do que vem», o que, na opinião do Patriarca Ecumênico, oferece «uma saída para o atoleiro do provincianismo e denominacionalismo. Unidade, porém, não somente unidade da igreja; o «desígnio de Deus de unidade se refere, não apenas à unidade da Igreja, mas também a unidade da humanidade», havia afirmado um pouco antes o secretário-geral do CMI, Pastor Dr. Samuel Kobia, ao falar na celebração de abertura. Por isso, continuou, «a unidade da Igreja e a unidade da humanidade […] nunca devem estar separadas uma das outra». Na verdade, a igreja é «parte do plano de Deus de criar uma nova comunidade, onde já não existam os muros de religião e de cultura». A contribuição de fóruns com o «Fé e Constituição» que tem a visão da unidade no centro mesmo da sua missão, será sentido na medida em que esteja em primeiro plano «um espírito de respeito, tolerância, perdão e cuidado para com o outro», disse Kobia . A Comissão de Fé e Constituição é considerada o mais amplo fórum mundial teológico, dado o número de denominações cristãs que a compõe, sua representatividade regional e o carácter oficial da participação na mesma. É composta pelas igrejas-membros do CMI, a Igreja Católica Romana e outras igrejas.





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