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Quinto ano de sequestro dos Arcebispos de Alepo, Síria.

Arcebispos Paulo Yazigi à esquerda, da Igreja Grego Ortodoxa de Antioquia, e Gregorios Youhanon Ibrahim, da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia

ÉDITO PATRIARCAL CONJUNTO DE S.S. O PATRIARCA-MOR IGNATIUS AFREM II, SUMO PONTÍFICE DA IGREJA SIRIAN ORTODOXA DE ANTIOQUIA, e SUA BEATITUDE JOÃO X, PATRIARCA DE ANTIOQUIA E DE TODO O ORIENTE.

Amados Irmãos e Filhos Espirituais,

Cristo Ressuscitou! Em verdade Ressuscitou!

Nesta gloriosa estação da Santa Páscoa, estamos alegres em saudar nossos filhos espirituais com a proclamação pascal rogando ao Senhor da Ressurreição a conceder ao mundo todo Sua Luz Pascal iluminando todas as almas da Sua Criação, assim como, do brilho da Ressurreição saudarmos todo o mundo em amor e alegria pascal, orando por vocês nossos amados e pedindo a vocês e aos seus todas as bençãos e prosperidade. Saudamos vocês de todo coração implorando ao Senhor Todo Poderoso a auferir a paz a este mundo.

À Luz da Ressurreição é bom para nós afirmar e dizer que a escuridão não superará a Luz, pois, é a Luz que brilha depois da aflição. Em todas as nossas Igrejas encontramos cruzes erguidas dentro e fora delas lembrando-nos que os filhos da Ressurreição são os primeiros e mais importantes filhos da Cruz.

Não santificamos o sofrimento na Cristandade, mas temos grande estima pelo amor.

Caminhamos a trilha do sofrimento por nosso amados.

Não beatificamos a aflição, mas suportamo-la suavemente para adquirir o que é muito mais nobre.

Vamos lembrar sempre queridos irmãos e irmãs que é nesta terra onde o Cristianismo se iniciou.

Vamos ter em mente que fizemos todos os esforços possíveis, e, ainda, não pouparemos esforços para permanecer aqui. Sabemos das atuais circunstancias difíceis para todos, mas, podemos superar todas as coisas com a nossa confiança no Senhor da Ressurreição que plantou nesta terra quando pregou aos nossos antepassados a Palavra do Seu Evangelho há dois mil anos. Somos a semente desta terra e demos a esta terra a identidade e consciência.

Hoje celebramos os cinco anos do sequestro de nossos irmãos os Arcebispos de Alepo Youhanon Ibrahim e Boulos Yazigi. Seu sequestro dá uma ideia do que se tornou o ser humano neste Oriente. Há sete anos a crise alcançou a Síria, em outros lugares, foi chamada de Primavera Árabe, mas, está muito longe do simbolismo da Primavera. Foi marcada com sofrimento profundo e guerras absurdas espalhando sangue puro na defesa desta terra a fim de prevenir o terrorismo e o “Takfirismo”, este último que só passamos a conhecer mais recentemente.

Hoje o sequestro dos dois respeitáveis bispos está diante de nós. Envergonhamo-nos da indiferença com que se trata este caso. Todos os esforços empenhados em conseguir uma ponta do fio da meada deste caso, mas falharam, colocando-nos frente a questões e respostas cruciais.

Se o sequestro dos bispos sugeria que os cristãos são cidadãos de classe inferior, então, do nosso patamar podemos afirma que os cristãos na Síria como em outros lugares são nativos e componentes fundamentais destas terras pátrias.

Se o sequestro dos nossos bispos busca intimidar as chamadas minorias, nossa posição é clara; rejeitamos a lógica de minoria ou maioria uma vez que nossos pais e filhos juntamente com outros tornaram-se pilares da pátria e do seu exercito, parceiros no sangue do martírio com todos os outros que compõe esta terra encarando todos os que tentaram atacar nossos países.

Se o sequestro buscava intimidar os cristãos em particular induzindo-os a imigrar, nossa resposta é clara. A presença cristã tem dois mil anos e não estremecerá pela aflição não importa quão difícil seja esta aflição. Nós somo a composição desta terra, somos seu fermento e estamos plantados aqui há mais de dois mil anos.

Se o sequestro busca alimentar a guerra sectária e espalhar o espírito do “Takfirismo” direcionado a outros; constatamos que ideologias extremistas estão alienadas da nossa velha e atual civilização Oriental, e, como cristãos, enxergamos os outros como objeto do nosso amor e piedade de Deus. Vemos o outro como aquele através do qual nós alcançamos misericórdia divina e esperança na qual o outro olhe para nós da mesma forma.

Se o sequestro e o desaparecimento dos dois bispos sugerem que haja um conflito entre muçulmanos e cristãos do Oriente, e levar avante a declaração de que o Oriente é Islâmico e o Ocidente é Cristão, estamos aqui para confirmar que o Cristianismo nasceu no Oriente e os últimos terríveis eventos não pouparam nem a Igreja nem a Mesquita. O fogo do terrorismo não poupou o padre e muito menos o xeique. As vítimas alvo destas atrocidades é o ser humano que vive no Oriente.

Se a completa incerteza neste caso busca instigar o sentimento de medo em nós, como cristãos, tomamos a Cruz de Cristo do Nosso Senhor como lição na qual aprendemos a não temer o infortúnio. Estamos arraigados nesta terra como a Cruz de Cristo que nela foi plantada e através desta Cruz o alvorecer da Ressurreição brilha.

Mesmo enfrentando injustiças nestes tempos difíceis, tornamo-nos mais unidos. Como cristãos do Oriente necessitamos muito ser solidários e interdependentes. Os sequestradores destes bispos não perguntaram sua denominação ou sua filiação. Viram nos seus rostos a face de Cristo e a paz dos puros e santos apóstolos. Hoje, somos convocados mais do que nunca a mirar o que nos aproxima como cristãos e o que aumenta nossa cooperação e a nossa convergência apesar destas condições cruéis.

A grande tentação neste caso é o esquecimento com o passar do tempo; é importante citar que durante o período passado tentamos todas as oportunidades que se apresentaram para questionar este caso. Recorremos a líderes políticos de posições destacadas, embaixadas, agencias de segurança, governos, formadores de opinião. Visitamos embaixadas, governos, agencias internacionais e organizações regionais.

Neste doloroso aniversário renovamos nossa determinação e esforços para chegar à finalização deste inquérito e agradecer a todos que partilham nossa inquietação nesta causa humanitária.

Hoje estamos no tempo da gloriosa Ressurreição na qual esperamos a ressurreição de todos aqueles que sofreram as injustiças do amor. Saudamos nossos amados irmãos Boulos e Youhanon onde quer que estejam nesta Páscoa e temos certeza que a Luz da Ressurreição atravessa todas as correntes e limites. Saudamos em especial nossos filhos espirituais de Alepo, clero e fiéis, todos aqueles que com sua fidelidade provaram ser verdadeiros filhos espirituais dos dois bispos. Provaram sua lealdade pois, aprenderam com eles e aguardam confiantes seu desejado retorno como crianças que esperam o retorno do pai.

Rogamos a Cristo para que remova este desespero do coração de todo ser humano e a Deus pedimos a benção aos corações com o esplendor do Seu Conforto Divino, libertação de todos os que estão cativos e nos conceda Sua Paz Divina.

Cristo Ressuscitou! Em verdade ressuscitou!

Damasco, 22 de abril de 2018


(tradução Aniss I Sowmy)

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