A IV Conferência pan-ortodoxa pré-conciliar realiza-se de 6 a 13 de Junho, no Centro Patriarcal Chambesy, próximo à Genebra (Suiça). Presidido pelo Metropolita de Pergamo, Ioannes Zizioulas (Patriarcado Ecumênico), e composto por representantes de todas as igrejas locais (exceto pela Igreja da América e do Japão, cuja autocefalia concedida em 1970 pelo Patriarcado de Moscou ainda não foi reconhecido por todas as Igrejas Ortodoxas), a Conferência incluiu na pauta do próximo encontro, em Dezembro, também em Chambesy, o tema dessas igrejas.
A decisão de retomar os trabalhos preparatórios do Comitê Pan-ortodoxo, cujo projeto foi lançado no início dos anos 1960, mas interrompido desde meados da década de 1990, foi aprovada na Sinaxe de todos os Primazes das Igrejas Ortodoxas locais, realizada em Outubro de 2008, no Phanar, sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, em Istambul (Turquia), por ocasião dos 2000 anos do nascimento de São Paulo.
A conferência teve dois objetivos principais:
- Aprovar as propostas feitas pelo Comissão Preparatória Inter-ortodoxa (convocada em 1990 e 1993) e discutir sobre a questão da diáspora ortodoxa em todo o mundo;
- Aprovar a proposta feita pelo Congresso Inter-ortodoxo (realizado em 1995) sobre a criação de Assembléias Episcopais em várias regiões do mundo.
A abertura da conferência foi precedida pela celebração de uma solene Divina Liturgia Eucarística, no dia 7 de junho, dia de Pentecostes,de acordo com o calendário em vigor na Igreja Ortodoxa, na Catedral de São Paulo, por representantes das diferentes igrejas, sob a presidência de Ioannes Zizoulas, Metropolita de Pergamo.
Os representantes das Igrejas Ortodoxas foram:
- Metropolita Emmanuel, Padre Bartolomeu Samaras, Padre Georges Tsetsis e Fidas Vlassios do Patriarcado Ecumênico;
- Metropolita Cap do Patriarcado de Alexandria;
- Metropolita João do Patriarcado de Antioquia;
- Metropolita Inocent do Patriarcado de Jerusalém;
- Arcebispos Hilarion Alféïev e Marcos Arendt, Pe. Nicolas Balachova do Patriarcado de Mosucou;
- Metropolita Gerásimo e Padre Georges Zviadadzé do Patriarcado da Geórgia;
- Bispo Irineu de Backa, Bispo Atanásio Jevtic, Padres Gaius e Vukasin Milicevic do Patriarcado da Sérvia;
- Metropolita Irineu, Bispo Cipriano Spiridon, padre Viorel Ionita do Patriarcado da Romênia;
- Metropolitas Neofitos e Ivan Dmitrov do Patriarcado da Bulgária;
- Metropolita George e Bispo Gregory da Igreja de Chipre;
- Metropolitas Crisóstomo, Inácio de Volos e Marcelo George da Igreja da Grécia;
- Metropolita João de Korca e Bispo Elias da Igreja da Albânia;
- Bispo Georges André Kouzma da Igreja da Polônia);
- Bispo Tikhon da Igreja Tcheco e Eslováquia.
O Metropolita Jeremias da Suiça (Patriarcado Ecumênico), chefe do Secretariado para a Preparação do Comitê Pan-ortodoxo, também participou da reunião.
O último comunicado emitido em 12 de Junho afirmou que “a Conferência examinou os documentos elaborados pela Comissão Preparatória Inter-ortodoxa do período de 1990-1995. «Esses documentos foram identificados, corrigidos e ampliados e depois aprovados por unanimidade», assim expressou o comunicado, sublinhando que «a conferência deseja resolver o problema de organização canônica das Igrejas Ortodoxas na diáspora, de acordo com a eclesiologia, a Tradição e a prática da Igreja Ortodoxa». Neste contexto, a conferência decidiu criar novas assembléias de bispos em algumas partes do mundo onde esses organismos ainda não existem.A conferência assinalou ainda que «o presidente destas assembléias ou conferências sempre será o representante do Patriarcado Ecumênico e, na sua ausência, os bispos, de acordo com a ordem dos dipticos.
Todos os bispos das igrejas canônicas nestas regiões serão membros da Assembléia. Os bispos em assembléia têm a missão de demonstrar a unidade da Igreja Ortodoxa, promover o exercício pastoral da Diakonia e testemunhar a unidade.
A decisão da criação destas assembléias ou conferências foi aprovada por unanimidade pelas igrejas representadas na Assembléia, afirma o comunicado.
Por último, foram aprovados os princípios fundamentais de organização e funcionamento dessas assembléias.
A idéia de convocação de um Comitê Pan-ortodoxo foi lançado no início dos anos 1960, e já foram realizados quatro encontros (em Rodes, em 1961, 1963 e 1964, e Chambesy em 1968) que estabeleceram uma lista de temas para discussão. Somados a estes,outros encontros aconteceram (Chambesy 1971, 1986, 1990 e 1993) e uma série de conferências pan-orthodoxas pré-conciliares (Chambesy, em 1976, 1982 e 1986). Estas reuniões ajudaram a construir a pauta de discussões a serem aprovadas sobre uma série de questões, tais como: adaptação aos requisitos de jejum, regras canônicas sobre o casamento e divórcio, a data da Páscoa, as relações com outros cristãos e o ecumenismo. Também procura-se um consenso sobre questões relacionadas com a eclesiologia: os “dípticos”, a forma de reconhecer o autocefalia ou a autonomia de uma igreja local, e as igrejas canônicas na “diáspora”, ou seja, as novas comunidades eclesiais surgidas, a maioria deles, no decorrer do século XX (América, Austrália, Extremo Oriente e da Europa Ocidental).







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