
ASIANEWS — Com o envio de carta-convite a todos os Primazes das Igrejas Ortodoxas para as duas reuniões preparatórias do grande Concílio Pan-ortodoxo, previsto para os próximos meses de Junho e Dezembro, S.S. Bartolomeu I deu encaminhamento às decisões tomadas na recente reunião pan-ortodoxa ocorrida em Outubro passado, em Constantinopla, que contou com a participação do então Patriarca de Moscou e Toda a Rússia, Alexis II, falecido em dezembro de 2008. Bartolomeu I tem intensificado o ritmo para a convocação do Grande Sínodo, que tem o objetivo de responder aos problemas que se acumularam ao longo de séculos e que continuam presentes nas relações entre as Igrejas Ortodoxas. Num passado recente, a primeira iniciativa para a convocação de uma Sínodo Pan-ortodoxo foi do Patriarca Ioakim III, em 1901.
Ele queria aplanar as tensões entre as Igrejas Ortodoxas locais, tendo a convicção de que só uma Igreja Ortodoxa unida poderia enfrentar, com diálogo aberto e verdadeiro, os desafios do mundo contemporâneo, e atuar no mundo com uma só voz e um só coração. Esta iniciativa não foi exitosa, em parte, porque as Igrejas Ortodoxas, que tinham recentemente saído do domínio otomano, estavam buscando sua identidade com uma exagerada identificação com a nação onde estavam. Em 1961, após vários percalços, uma Conferência Pan-ortodoxa foi convocada, em Rodes, por um insistente pedido do Patriarca Athenágoras, a fim de preparar um Sínodo Pan-Ortodoxo. Esta conferência foi também seguida por inúmeros obstáculos pois, como o teólogo e sacerdote Giorgos observa, «as Igrejas locais não tinham, naquela época, uma idéia clara do que queriam com aquele Sínodo». Ao contrário, hoje estes objetivos estão mais claros, como demonstram as cartas enviadas para as duas reuniões preparatórias que se realizarão em Junho, no Chipre, e em Dezembro, em local a ser ainda determinado.
Os tópicos apresentados são:
- Serão definidos as fronteiras de atuação das Igrejas Ortodoxas na diáspora presentes nos países de missão. De acordo com os cânones em vigor, antes do crescimento do fenômeno migratório mundial, os fiéis fora do seu país de origem, pertencem ao Patriarcado Ecumênico.
- Acordar a forma de reconhecimento do status de Autocefalia de uma Igreja Ortodoxa.
- Acordar a forma de reconhecimento do status de Autonomia de uma Igreja Ortodoxa.
- Decidir sobre os «Dipticos», ou seja, as regras de mútuo reconhecimento entre os Igrejas ortodoxas canônicas.
- Estabelecer um calendário comum para festas. Algumas Igrejas, por exemplo, celebram a Natidade do Senhor em 25 de dezembro, outros em 06 de janeiro.
- Esclarecer os impedimentos canônicos para a realização do sacramento do matrimônio.
- Deliberar sobre a questão do Jejum no mundo contemporâneo.
- Deliberar sobre as relações ecumênicas entre a Igreja Ortodoxa com outras confissões cristãs.
O movimento ecumênico
Afirmar para o mundo os valores cristãos de paz, fraternidade e liberdade pregados pela Igreja.
Em sua carta, o Patriarca Ecumênico, «primus inter paress» no Episcopado Ortodoxo, disse que a realização destas reuniões estão de acordo com as decisões tomadas na Sinaxis da Sessão Plenária de todos os Primazes das Igrejas Ortodoxas, realizada em Outubro de 2008, em Phanar, na sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla (Istambul – Turquia), por ocasião do 2000º aniversário do nascimento do apóstolo Paulo. Ainda, segundo AsiaNews, a primeira reunião poderá ser realizada em Chipre, e lá decidirão aonde será a segunda. Outras fontes jornalísticas informam que a reunião seria realizada em Rodes (Grécia). «No Concílio, a Igreja reflete sobre sua situação atual, e entre nós deve haver um diálogo muito sincero e aberto, para resolvermos estes impasses, valendo-nos da rica tradição teológica e espiritual. Assim, superaremos estes impasses que nos impedem de prosseguir e, depois, em conjunto, poderemos lidar com as outras questões mais complexas e graves. Desta forma, deve ser compreendida a intenção da iniciativa do Patriarcado Ecumênico; e não existe outra». Assim se expressou o Padre Georges, sacerdote ortodoxo e Teólogo, que foi por muitos anos representante oficial do Patriarcado Ecumênico no Conselho Mundial de Igrejas (CMI), em Genebra (Suíça).





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