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Mensagem de S. S. BARTOLOMEU I, Patriarca Ecumênico, por ocasião do início da Grande Quaresma

001_patriarca_bartolomeu«Irmãos e filhos muito amados no Senhor, o jejum, que nossa santa Igreja propõe, não é uma privação, mas uma graça; a conversão, a que somos chamados, não é uma punição, mas um dom divino. Quando a Igreja, através do Evangelho que acabamos de escutar, nos exorta a não acumularmos tesouros na terra “onde a ferrugem e a traça corroem”, mas que ajuntemos riquezas no céu, onde não há perigo de corrupção, ela está nos dizendo a verdade. A Igreja não é deste mundo, mas, vive neste mundo e o conhece. Ela conhece intimamente o ser humano com suas reais necessidades e angústias. Ela conhece o nosso tempo, tempo de desenvolvimento e de grande velocidade, de múltiplas informações e confusões, de fobias, ameaças e colapsos…»


BARTOLOMEU, PELA MISERICÓRDIA DE DEUS, ARCEBISPO DE CONSTANTINOPLA, NOVA ROMA E PATRIARCA ECUMÊNICO

A TODO O PLEROMA DA IGREJA,
A GRAÇA E A PAZ DE NOSSO SALVADOR E SENHOR JESUS CRISTO,
E DE NOSSA PARTE, ORAÇÃO, BÊNÇÃO E PERDÃO.

“Vinde todos os povos e recebei a graça da Penitência, tempo de arrependimento e o dom de Deus!”

(Segunda-Feira da Primeira Semana da Quaresma)

Irmãos e filhos muito amados no Senhor,

O jejum que nossa santa Igreja propõe, não é uma privação, mas uma graça; a conversão a que somos chamados, não é uma punição, mas um dom divino. «Quando a Igreja, através do Evangelho que acabamos de escutar, nos exorta a não acumularmos tesouros na terra «onde a ferrugem e a traça corroem», mas que ajuntemos riquezas no céu, onde não há perigo de corrupção, ela está nos dizendo a verdade. A Igreja não é deste mundo, mas, vive neste mundo e o conhece. Ela conhece o íntimo do ser humano, com suas reais necessidades e angústias. Ela conhece o nosso tempo, tempo de desenvolvimento e de grande velocidade, de múltiplas informações e confusões, de fobias, ameaças e colapsos. Esta é a razão pela qual, a Igreja, com serenidade e equilíbrio, convida-nos à conversão. Por isso, ela alerta seus filhos a não tomarem o caminho errado, onde seus esforços, trabalhos e esperanças podem estar sob alicerces instáveis. Ao contrário, ela incentiva seus filhos a armazenarem tesouros no Céu; pois, «onde está o nosso tesouro, ali está nosso coração». Este tesouro que não se corrompe e esta esperança que não decepciona é o divino Amor, a força que mantém e articula todas as coisas. É o Verbo Divino Encarnado que permanece conosco para sempre. Ele é a santificação de nossas almas e de nossos corpos. Ele não veio para julgar, mas para salvar o mundo. Ele não veio ferir, mas curar. Diante de nossas fraquezas, Ele usa de compaixão e misericórdia para conosco! Ele aniquilou aquele que detinha o poder da morte, o demônio; ele redimensionou o impacto da morte que antes assombrava a vida e entristecia os homens. É por isso que, quando nosso coração e nossos pensamentos se voltam para o Salvador, – verdadeiro Deus e verdadeiro homem – que tem o poder sobre a vida e a morte, tudo é iluminado e transformado.

Quando o Apóstolo Paulo nos exorta a não colocarmos «nossa esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus que nos provê tudo com abundância para que nos alegremos» (1Tm 6,17), ele nos assegura que a verdadeira alegria vem de Deus de quem recebemos tudo e, por isso, a Ele devemos ser sempre gratos. Até mesmo o «pouco» que nos vem de Deus torna-se «muito», pois é bênção que brilha na eternidade. Por isso, não somente as pequenas alegrias possuem algo em si; também as dificuldades e os sofrimentos são transformados em auxílio e conforto divino. A divina economia de nossa salvação é segura. Pois é Deus quem dá tudo, e é d’Ele que tudo procede com sabedoria e amor. Dessa forma, a recompensa de nossos esforços está assegurada, pois entregamos toda nossa vida e esperança a Ele, ao Senhor Deus feito Homem.

Quando o Evangelho nos fala do céu, o faz literalmente: nossa realidade terrestre é transformada em céu. Esta é a certeza que a Igreja vive e professa.

Por causa da tua cruz, ó Cristo,
hoje há uma só Igreja,
um só rebanho de homens e de anjos;
o céu e a terra se alegram juntos.
Glória a Ti Senhor, glória a Ti!

A Igreja nos dá esta oportunidade de experimentar este milagre: a terra que se torna céu. Nossas raízes estão no céu. Sem a Igreja estamos deslocados e desalojados. As raízes do homem se encontram no céu. Sem a Igreja, somos superficiais e errantes. A Igreja é a nossa casa. O homem, ao retornar para a Igreja, retorna para si mesmo, volta para si. Enquanto se afasta, se perde e se inutiliza. Ao nos aproximarmos da Igreja sentimos a originalidade da Verdade, contemplamos o Pai celestial que está nos esperando do lado de fora. Convence-nos a sensação da bondade e da beleza de Deus, a presença deste amor forte que vence a morte, e não o que é corrupto e duvidoso, que ilude o homem.

Acolhamos, pois, o divino convite para entrarmos no alto mar do jejum quaresmal, para assim podermos chegar, com todos os santos, ao porto seguro, onde brilha a luz da Ressurreição.

Santa e Grande Quaresma 2009.

† BARTOLOMEU de Constantinopla,
Fervoroso intercessor diante de Deus por todos vós.

Protocolo Nº 94
Tradução: Pe. Pavlos Tamanini