Renovado documento ecumênico reafirma o compromisso das Igrejas da Europa com a unidade, o diálogo e a paz
Roma / Vaticano – 7 de novembro de 2025 — Em um gesto de alto simbolismo para o diálogo ecumênico na Europa, os presidentes da Conferência das Igrejas Europeias (CEC) e do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) apresentaram ao Papa Leão XIV a versão revisada da Charta Œcumenica, durante audiência privada realizada no Vaticano em 6 de novembro.
O arcebispo Nikitas, de Tiatira e Grã-Bretanha, presidente da CEC, e o arcebispo Gintaras Grušas, de Vilnius, presidente da CCEE, compartilharam o documento com o Santo Padre num encontro que ambos descreveram como “profundamente comovente” no caminho comum das Igrejas cristãs da Europa.
A audiência ocorreu um dia após a assinatura solene do texto, em 5 de novembro, na basílica do Martírio de São Paulo, no Abadia das Três Fontes, em Roma — ponto culminante da reunião conjunta das duas organizações, de 4 a 6 de novembro.
Assinada pela primeira vez em 2001, a Charta Œcumenica representa um marco no compromisso das Igrejas cristãs da Europa com a comunhão, o testemunho conjunto e a responsabilidade compartilhada pelo futuro do continente. O processo de revisão, iniciado em 2022, abordou temas contemporâneos como migração, cuidado da criação, juventude, inteligência artificial e paz.
Durante a audiência no Vaticano, o Papa Leão XIV recordou que, vinte e cinco anos após a primeira edição, o texto revisado busca responder aos desafios de uma “realidade ecumênica em constante evolução”.
“Há novas gerações, povos e culturas que trazem consigo histórias diversas”, disse o Pontífice, observando que muitas comunidades cristãs “se percebem hoje em minoria”.
Encorajou as Igrejas da Europa a promover “diálogo e fraternidade em meio ao ruído da violência e da guerra”, e sublinhou que “a Charta Œcumenica é testemunho da vontade das Igrejas de olhar a nossa história com os olhos de Cristo”.
O Papa destacou ainda a ligação entre sinodalidade e ecumenismo:
“Na Igreja Católica, o caminho sinodal é ecumênico, assim como o caminho ecumênico é sinodal”,
enfatizando que o documento renova o apelo a “caminhar juntos, escutar e discernir em comum o modo de anunciar o Evangelho hoje”.
Falando ao Vatican News após o encontro, o arcebispo Nikitas afirmou que o momento foi “uma honra, um privilégio e uma bênção — um sinal de esperança que mostra que podemos trabalhar juntos e realizar grandes coisas”.
“As diferenças do passado foram superadas. Os muros de separação caíram: agora falamos a mesma língua, a língua de Cristo, a língua do amor”,
disse o prelado, acrescentando que os cristãos são chamados a investir mais “em curar doenças, alimentar os famintos e promover a paz” do que em armamentos.
O arcebispo ressaltou também “o forte apelo do Santo Padre à promoção da paz” e anunciou que voltará a encontrar o Papa Leão XIV na visita apostólica à Turquia, no final de novembro, por ocasião do 1700º aniversário do Concílio de Niceia — onde o Papa se reunirá e rezará com o Patriarca Ecumênico Bartolomeu e outros líderes cristãos, proclamando a mensagem jubilar:
“Jesus Cristo é a nossa Esperança.”












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