Fonte: Vatican News — Reportagem de Thulio Fonseca
(Notícia elaborada a partir de: Vatican News, “Papa: comunhão entre todos os batizados é prioridade”, 30/11/2025)
A celebração da Divina Liturgia na Festa de Santo Apóstolo André, no Fanar, reuniu neste domingo cerca de quatrocentos fiéis, hierarcas e representantes de diversas Igrejas cristãs. A Liturgia foi presidida por Sua Santidade Bartolomeu, Patriarca Ecumênico, que acolheu fraternalmente o Papa Leão XIV, presente no último dia de sua viagem apostólica à Turquia por ocasião do 1700º aniversário do Primeiro Concílio de Niceia.
O Papa participou com recolhimento de toda a celebração, unindo-se espiritualmente à oração pelo dom da unidade e, ao final, dirigiu uma saudação ao Patriarca e à Igreja de Constantinopla.
“A fé de André é também a nossa fé”
Em seu discurso, o Papa recordou que a peregrinação conjunta aos lugares ligados ao Primeiro Concílio Ecumênico encontra seu ponto culminante na memória litúrgica do Apóstolo André, considerado pela tradição o fundador da Sé de Constantinopla.
“A fé de André é também a nossa fé: a mesma professada pelos Concílios Ecumênicos e transmitida, intacta, pela Igreja ao longo dos séculos”, afirmou. O Pontífice destacou ainda que a fé expressa no Credo Niceno-Constantinopolitano permanece como “um vínculo real de comunhão, que nos permite reconhecer-nos como irmãos e irmãs em Cristo”.
Embora reconhecendo feridas históricas, mal-entendidos e conflitos, sublinhou que não se pode retroceder no compromisso com a unidade, porque “somos chamados a amar-nos como irmãos”.
Um caminho inaugurado por gestos proféticos
Recordando o encontro histórico entre Paulo VI e Atenágoras em 1964, o Papa assinalou que o gesto de apagar da memória da Igreja as excomunhões de 1054 abriu um caminho de reconciliação e crescente comunhão. Desde então, disse, intensificaram-se os contatos fraternos, avançou o diálogo teológico e surgiram marcos significativos também nos campos eclesiológico e canônico.
Leão XIV expressou profunda gratidão ao Patriarca Bartolomeu pelo apoio constante à Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre Católicos e Ortodoxos, incentivando todas as Igrejas autocéfalas a participarem ativamente desse processo.
Reafirmou ainda que a busca da plena comunhão entre todos os batizados, no respeito às legítimas diferenças, é uma das prioridades de seu ministério como Bispo de Roma.
Três desafios espirituais para o nosso tempo
O Santo Padre indicou três grandes campos nos quais católicos e ortodoxos são chamados a testemunhar juntos:
1. Construção da paz
Num contexto global marcado por conflitos, destacou que a paz é dom de Deus e deve ser implorada com oração, penitência e contemplação. Somente a intimidade com o Senhor, afirmou, pode orientar palavras e gestos verdadeiramente pacificadores.
2. Responsabilidade ecológica
Recordando o testemunho profético do Patriarca Bartolomeu no campo ambiental, o Papa sublinhou que a crise ecológica exige uma conversão espiritual, pessoal e comunitária, reconhecendo a criação como dom confiado à responsabilidade de todos.
3. Uso ético e acessível das novas tecnologias
Leão XIV defendeu a colaboração entre católicos e ortodoxos para promover um uso responsável das tecnologias da comunicação, assegurando que elas não se tornem privilégio de poucos, mas instrumento de desenvolvimento integral.
Saudação final e bênção ecumênica
Ao concluir sua saudação, o Papa expressou votos de saúde e serenidade ao Patriarca e à Igreja de Constantinopla, agradecendo a acolhida “calorosa e fraterna”. Invocou a intercessão do Apóstolo André, de seu irmão Pedro, de São Jorge, dos Padres de Niceia e dos santos da Igreja de Constantinopla, selando seu discurso com um gesto de fraternidade:
“Χρόνια Πολλά! Ad multos annos!”
Encerrada a Divina Liturgia, Patriarca Bartolomeu e Papa Leão XIV concederam aos fiéis uma bênção ecumênica desde a sacada da Igreja Patriarcal de São Jorge e veneraram juntos as relíquias do Apóstolo André.






























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