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O Patriarcado Ecumênico celebra os 60 anos da revogação dos Anátemas de 1054

Fonte: Ec-Patr (Nikos Papachrístou)
tradução e adaptação para o Ecclesia NEWS (Brasil)

No domingo, 7 de dezembro de 2025, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu presidiu a Divina Liturgia no Pansepto Templo Patriarcal, em Constantinopla. Ao final da celebração, foi entoado um Te Deum de ação de graças pelos 60 anos da revogação recíproca dos Anátemas de 1054, assinada em 1965 pelo então Papa Paulo VI e pelo Patriarca Ecumênico Atenágoras, gesto que marcou uma nova etapa no caminho da reconciliação entre Roma e Constantinopla.

Concelebraram numerosos hierarcas do Trono Ecumênico: os Metropolitas Emmanuel de Calcedônia, Apóstolos de Derkos, Dimitrios de Príncipe, Meliton de Filadélfia, Irineu de Miriophyto e Peristasis, Theóliptos de Icônio, Stéfanos de Caleúpole e Madytos, Athenágoras de Cidônias, Máximos de Silivria, Hierótheos de Lemnos e Agios Efstratios, Ioakeim de Prusa e Theódoros de Selêucia.

As palavras do Patriarca Bartolomeu

Em sua homilia, o Patriarca recordou inicialmente a visita oficial do Papa Leão XIV ao Patriarcado Ecumênico e o peregrinário conjunto a Niceia, por ocasião dos 1700 anos do Concílio de 325. A partir deste contexto, fez memória do gesto de 1965:

“No mesmo espírito, reunimo-nos hoje para honrar e celebrar o sexagésimo aniversário da revogação mútua dos anátemas de 1054 pelo saudoso Papa Paulo VI e pelo inesquecível Patriarca Atenágoras.
Em um tempo marcado pela crescente polarização no mundo, inclusive na cristandade, esse passo profético rumo à unidade merece especial atenção e estudo.”

O Patriarca citou trechos da Declaração Comum de 1965, na qual Roma e Constantinopla conclamavam a um novo modo de relação, não baseado em acusações e memórias dolorosas, mas na purificação dos corações, no reconhecimento das falhas históricas e na busca comum da fé apostólica. A revogação dos anátemas, acrescentou, foi “sinal concreto e testemunho de um novo começo”, impulsionando o “diálogo do amor” e, posteriormente, o Diálogo Teológico Internacional.

Em outra passagem, Bartolomeu evocou a memória do Metropolita João de Pérgamo (Zizioulas), grande teólogo e protagonista do diálogo entre católicos e ortodoxos:

“Ele compreendia profundamente a necessidade do respeito mútuo e da redescoberta recíproca: ‘Ó Oriente, onde está o teu Ocidente? Ó Ocidente, onde está o teu Oriente?’.
Hoje, porém, vemos crescer a indiferença quanto à importância deste trabalho, a tentação da autossuficiência e a desconfiança mútua. Não nos é permitido abandonar a meta da unidade, seja pela acomodação ou pelo fanatismo.”

O Patriarca concluiu convidando à vigilância espiritual:

“Se permitirmos que os espinhos sufoquem o diálogo, perderemos não só os frutos futuros, mas até mesmo o precioso fruto já colhido por nossos predecessores. Cultivemos o respeito, a honra e, sobretudo, o amor mútuo, para que cada encontro seja fonte de dons espirituais e passo concreto rumo à unidade.”

Presenças e Representações

Estiveram presentes:

  • Arnaud du Cheyron de Beamont, representante do Núncio Apostólico na Turquia;
  • Vartan Kirakos Kazanciyan, administrador da Eparquia Armênio-Católica;
  • Lucian Abalintoaiei, Secretário-Geral da Conferência dos Bispos Católicos da Turquia;
  • Os Bispos ortodoxos Adrianos de Alikarnassos, Kassianos de Aravissos e Paisios de Xanthoupolis;
  • O Embaixador da Grécia, Konstantinos Koutras;
  • Os Cônsules-Gerais da Ucrânia, Roman Nedilskyi, e da Moldávia, Sergiu Gurduza, com suas esposas;
  • Clérigos, fiéis da cidade e peregrinos de vários países.

Memória histórica

Recordou-se ainda um episódio marcante: na décima comemoração da revogação dos anátemas, em 1975, o Papa Paulo VI, num gesto inesperado e profundamente simbólico, ajoelhou-se e beijou os pés do chefe da delegação patriarcal, o saudoso Metropolita Melíton de Calcedônia. Com visível emoção, Melíton afirmou então que “somente um grande homem — ou um santo — poderia realizar tal gesto”.

Publicado em Diálogo e Fé, Igreja de Roma, NEWS e Patriarcado Ecumênico

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